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Iemanjá — Conheça a deusa afro-brasileira dos oceanos!

Imagem da estátua de Iemanjá sobre um caminhão em carreata pelas ruas do Rio de Janeiro em comemoração à data festiva dela.
Luiz Souza / 123RF
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Se alguém te perguntasse quem é a rainha do mar, provavelmente você diria que é Iemanjá. Esse orixá é um dos mais populares do Brasil, e muitas pessoas a invocam mesmo sem saber, no Ano-Novo. Você sabia que ao pular sete ondas está chamando sete orixás, entre eles Iemanjá?

Não são todas as pessoas que sabem dessa informação, mas nunca é tarde para aprender. E, além disso, há muito mais para saber sobre essa figura que está tão presente na cultura brasileira, seja em estátuas, em datas comemorativas, em orações e em músicas.

Para ficar por dentro da nossa cultura e não disseminar desinformação sobre ídolos de religiões de matrizes africanas, preste atenção nas informações que separamos sobre Iemanjá e entenda por que ela é tão importante para a Umbanda, para o Candomblé e para o Brasil!

Origem de Iemanjá

A lenda africana que fala sobre Iemanjá diz que ela nasceu do encontro do céu, Obatalá, com a terra, Odudua. Dessa união, também nasceu Aganju. Cada um dos filhos do céu e da terra ficou responsável por coordenar alguma parte da natureza. Enquanto Aganju cuida da terra, Iemanjá cuida do mar.

O decorrer da história conta que Aganju e Iemanjá também tiveram filhos. Um deles, Orungã, desenvolveu uma apreciação exagerada pela própria mãe. Em uma ocasião, quando Aganju não estava em casa, Orungã acreditou que poderia invadir o corpo de Iemanjá de forma violenta.

Com medo e sem o desejo de consumar o ato ao qual era obrigada, Iemanjá fugiu do filho e tropeçou enquanto corria. A queda foi fatal para o orixá, que começou a inchar. Dos seios dela, um rio se formou. Do ventre de Iemanjá, nasceram outros orixás, como Xangô, Ogum, Oiá, Oxóssi e Omolu. Assim, ela é a mãe de muitos deuses.

Os poderes de Iemanjá

A partir da história de Iemanjá é possível saber que ela é uma figura de muito poder, que lutou para preservar a própria integridade física. O resultado da bravura dela foi o nascimento de muitos outros deuses, ainda que o corpo físico dela tenha se transformado. Por causa disso, ela é vista como a deusa dos mares e da fertilidade.

Imagem da estátua de Iemanjá embaixo de uma tenda na areia. Uma filha de santo faz homenagens à ela colocando varias garrafas de champanhe e flores brancas.
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Além de controlar os mares e as águas e de ter gerado tantas divindades, Iemanjá é conhecida por proteger os pescadores, por cuidar das casas das pessoas e por estimular a união e o amor por entes queridos. Ela é vista como uma grande mãe, sendo muitas vezes associada a Nossa Senhora Aparecida.

Sincretismo religioso

O sincretismo religioso presente no Candomblé e na Umbanda, religiões de matriz africana, fez com que a representação de Iemanjá fosse transformada em algo novo, ao entrar em contato com o catolicismo.

Assim é mais comum que você conheça Iemanjá como uma mulher branca, magra e que usa um vestido azul comprido. Essa imagem é a que o sincretismo desenvolveu para a divindade, já que o foco era destacar a pureza de uma mãe, como ocorre com a Virgem Maria.

Porém a versão original de Iemanjá é a de uma mulher preta, de seios avantajados. Ela é uma representação fiel de alguém que amamenta um filho. De toda forma, o importante é que ela continua sendo uma divindade adorada. No Brasil, inclusive, ela pode receber outros nomes, como Mãe-D’Água, Sereia, Iara, Rainha do Mar e Janaína.

Dia de Iemanjá

O Dia de Iemanjá é uma data em homenagem à divindade, quando as pessoas podem se dirigir ao mar e entregar oferendas para o orixá, vestidas de branco. Oferecem flores, frutas, perfumes, pentes e cartas com pedidos que só uma mãe como ela poderia atender.

Há dois momentos do ano nos quais essa festa pode acontecer. O primeiro deles é 2 de fevereiro, que, pelo sincretismo religioso, também é o Dia de Nossa Senhora dos Navegantes (Virgem Maria). Outra data para essa celebração é 8 de dezembro, quando é até mesmo feriado em regiões do Nordeste.

Ainda que não haja uma concordância em relação ao dia de homenagear a rainha do mar, devemos ressaltar que o ponto principal sobre a festa é o oferecimento de produtos e de boas vibrações para Iemanjá, que poderá atender a inúmeros pedidos se eles forem feitos com fé.

Principal ponto de Iemanjá

Na Umbanda e no Candomblé, existem cânticos, chamados de pontos, que servem para se comunicar com os orixás. Assim, por meio de pequenas canções, é possível fazer pedidos, saudar ou se despedir dos protetores que acompanham uma pessoa. No caso de Iemanjá, existem 59 pontos, ou seja, 59 pequenas canções para se comunicar com ela.

Imagem da estátua de Iemanjá no meio de uma rua. Ao lado dela, um filho de santo usando uma camiseta verde. Ele está com uma de suas mãos sobre ela.
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A seguir, você vai conferir três delas, para escolher aquela que toca o seu coração. Não há um ponto principal para se comunicar com a rainha dos mares. O que deve prevalecer é a sua fé e o seu pedido para ela.

“Retira a jangada do mar
Mãe d’água mandou avisar
Que hoje não pode pescar
Pois hoje tem festa no mar
E, e, e, e, e, e Iemanjá
Ela é ela é a rainha do mar
Traz pente, traz espelho o, o, o, o
Pra ela se enfeitar o, o, o, o
Traz flores, traz perfumes
Enfeita todo o mar”

“Iemanjá
Você é o meu tesouro
Sua coroa é de conchas
Seu poder vale ouro
Ô canta mãe sereia
Ô canta sereia
Pescador quando ouvir
Vai se encantar
Odóia, odóciaba
O mar é sua casa
Hoje eu vim lhe visitar
Odóia, odóciaba
Seu poder é infinito
Ele veio de Oxalá”

“Vou tomar banho de mar
Lá na praia da Jurema
Vou pedir pra Iemanjá
Pra me tirar desse dilema
Sarava Iemanjá
E as falanges do mar
Vou botar no seu presente
Rosa branca e espelhinho
Pó de branco e um pente
Pra ela abrir os meus caminhos.”

Imagem da estátua de Iemanjá na praia. Ao lado vários devotos dela cantando e fazendo oferendas como flores.
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Oração à Iemanjá

Se você deseja fazer uma oração à Iemanjá, colocando em prática o sincretismo religioso que essa figura traz, repita as palavras da oração das sete ondas para essa divindade, mentalizando os seus pedidos:

“Doce, meiga e querida Mãe Iemanjá.

Vós permitistes que no seio de vossa morada se formassem as primitivas formas de vida,

Que foram o berço de toda a criação,

De toda a natureza e de toda a humanidade.

Aceitai nossas preces de reconhecimento e amor.

Que lampejos que emanam de vosso diáfano manto de estrelas venham,

Como benéficas vibrações espirituais,

Para aliviar os males, curar os doentes, apaziguar os nossos irmãos revoltados, consolar os corações aflitos.

Que flores e oferendas que depositamos em vosso tapete sagrado sejam por vós aceitas

Quando entrarmos nas águas para vos ofertá-las sejam ondas do mar portadoras de vossos fluidos divinos.

Fazei, Senhora Rainha das Águas, com que a espuma das ondas,

Em sua alvura imaculada,

Traga-nos a presença de Oxalá.

Limpe os nossos corações de todas as maldades e malquerenças.

Que os nossos corpos, tocados por vossas águas sagradas,

Libertem-se em cada onda que passa,

De todos os males materiais e espirituais.

Que a primeira onda a nos tocar afaste de nossas mentes todos os eventuais desejos de vingança;

Que a segunda lave nossos corações e nosso espírito,

Para que não nos atinjam as infâmias e malquerenças de nossos desafetos;

Que a terceira onda afaste a vaidade de nossos corações;

Que a quarta lave nosso corpo de todos os males e doenças físicas

Para que, sadios, possamos prosseguir;

Que a quinta onda afaste de nossa mente a ganância e a cobiça;

Que a sexta onda venha carregada de flores

E que o nosso maior deseja seja o de cultivar o amor fraternal Que deve existir entre todos os homens;

E que ao passar a sétima onda, Nós, puros e limpos de mente e alma, possamos ver, Ainda que por alguns segundos,

O esplendor de vossa radiosa imagem.

É o que humildemente vos suplicam os filhos de Umbanda.”

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Iemanjá é uma figura de suma importância para a cultura brasileira e para as religiões de matriz africana. Ela é uma mãe, uma batalhadora e uma protetora. A partir da história do orixá pudemos entender como ela foi responsável pela origem de muitos outros deuses, e o que teve que enfrentar para se preservar. Quanto mais divulgarmos o que há de melhor em Iemanjá, mais pessoas ela poderá ajudar!

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