Autoconhecimento

Lidando com o envelhecimento

Márcia Leite
Escrito por Márcia Leite
As pessoas crescem ouvindo que, todos os dias, o corpo envelhece um pouquinho. Mas também, não se cansam de escutar que ainda são muito jovens para se preocupar com a velhice…

Alimentação equilibrada, atividade física, dormir de oito a nove horas por noite procurando seguir uma rotina no horário de se levantar e de se recolher, ausência de iluminação no quarto e, atualmente, bem longe de celulares e TVs, são as recomendações mais ouvidas durante vários anos seguidos.

E, então, chega a idade de ouro, quando a atividade rotineira fica menor, os reflexos mudam de velocidade, a sabedoria é bastante grande, a paciência atinge outro patamar. Os compromissos sociais se transformam em períodos menos exigentes, mais relaxantes, porém, nada desleixados.

É uma época de aproveitar a vida, depois de estarem os filhos crescidos e bem criados (se os tiverem) e no trabalho, são tidos como os experientes, que vêm acrescentar muito ao conhecimento dos colegas mais jovens. É a parte mais prazerosa da vida, desde que a saúde esteja em dia. Exames laboratoriais tornam-se mais necessários e frequentes para quem tem possibilidades financeiras favoráveis.

Muitos decidem começar uma atividade física nova, dessas que estão na moda (para algumas idades sofrem adaptações). Outros vão realizar sonhos antigos de estudar ou de aprender uma nova profissão, porque não tiveram oportunidade ou querem se aventurar por novos caminhos.

Outros aproveitam para rever amigos que há muito não viam, devido aos compromissos da vida. Há ainda aquelas pessoas que embarcam em um navio pela primeira vez, ou mesmo realizam seu primeiro voo na vida. Frequentam bailes, conhecem novas pessoas, entram em relacionamentos amorosos, têm vida social bastante movimentada. Eles estão cheios de saúde, psicologicamente equilibrados e querem aproveitar cada minuto, fazendo atividades agradáveis, prazerosas, desafiadoras… Não pensam que a vida está chegando ao fim; muito pelo contrário, vivem todos os dias intensamente.

Porém, existem pessoas que sofrem com a precariedade de suas condições físicas e psicológicas, e enfrentam a peregrinação de médico em médico, de clínica em clínica, de hospital em hospital. O corpo dá diversos sinais, um certo mal-estar, um cansaço, uma dor de cabeça mais persistente… as quedas tornam-se mais frequentes, a pressão sanguínea oscila, os níveis de glicemia disparam, e há ainda outros sintomas que podem aparecer, mostrando a necessidade de mais e minuciosos cuidados.

A família precisa se envolver de forma mais criteriosa, deve dedicar-se mais ao idoso que, neste momento diferente da vida, vai precisar do apoio de todos que o cercam. São momentos de adaptação à nova realidade.

A residência precisa sofrer modificações, entram em ação a arquitetura inteligente e a acessibilidade, camas mais largas, alturas adequadas dos armários, barras de apoio espalhadas pelas paredes, descarte de tapetes e calçados que possam causar tropeços e quedas, adaptação de banheiros, incluindo cadeiras para banhos sentados. Afastamento de objetos pontiagudos, do fogão e de vidros, que podem causar ferimentos graves. Novos alimentos permitidos, muitos proibidos, formas diferentes de cozinhar, diminuição de sal, gordura, açúcares … porções menores, horários mais fracionados, remédios sem fim, tratamentos que exigem deslocamentos e procedimentos cansativos. Cuidados com a hidratação, diversas vezes esquecida na rotina diária.

Muitos sentem-se demasiadamente dependentes para realizar atividades básicas tais como se barbear, caminhar sem auxílio de andador, bengala ou mesmo apoiado em outra pessoa, banhar-se, colocar a própria refeição no prato, deslocar-se pela cidade, entre outras. A falta de ocupação pode levar à depressão, o que pode agravar o estado geral da saúde do idoso.

Portanto, cabe a nós nos prepararmos para esta fase da vida, que pode sim ser muito proveitosa, buscando formas de preencher o vazio do trabalho diário em uma empresa, ou dos filhos que já cresceram e partiram para novos caminhos. Isso pode ser feito por meio de novas aspirações e realizações, que antes, talvez não fossem realizáveis, ou por falta de tempo, ou qualquer outro motivo, que no momento em que se vive, tornou-se plenamente possível.

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Sobre o autor

Márcia Leite

Márcia Leite

Graduada em Farmácia e atualmente estudante da área de Humanas, mostro interesse em diversos temas. Incomodada com questões sociais e que mexem com a convivência e a saúde das pessoas.