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Mãe, mudei de ideia!

dia do tatuador
Silvia Jara
Escrito por Silvia Jara


Mãe, decidi uma coisa sobre minha vida.

– O que foi, filha? Já esperando alguma novidade. Pela cara que ela fez, ia dar ruim! Estava varrendo a sala e parei, olhei para ela e segurei a vassoura com força, para me sustentar. O que será que vem daí?

– Eu resolvi que não vou acabar o curso de engenharia, vou finalizar a formação em Ciência e Tecnologia e depois vou ser tatuadora.

– Ahhhhhhn? Tatuadora? Mas eu odeio tatuagem! Como assim? Como vai viver disso? Vai largar um curso de engenharia numa Universidade Federal? E, num instante, passou toda a história de como ela desejou e batalhou para entrar no curso que ela sonhou. Insisti.

– Foi você quem escolheu esse curso, fez cursinho, estudou muito para conseguir isso e agora vai largar?

– Sim, mãe, é minha vida e eu não quero mais isso agora.

Silêncio, espanto, frustração, tristeza e sei lá quantos outros sentimentos me invadiram naquele momento. Calei por um minuto e fiquei pensando: o que falo agora? Alguém pode me dar o script? Depois de uns segundos, só consegui dizer:

– Tá bom, então faz como achar melhor. Faça o que quiser da sua vida, mas tenha em mente que precisará se manter porque não sou eterna. Foi a coisa menos pior que consegui pensar pra dizer.

Os dias foram passando. Claro, feliz eu não estava. Chocada, preocupada, frustrada e até mesmo indignada. Mas resolvi silenciar e deixar as coisas correrem. Fiquei pensativa: o que será dela agora????

Que ela sempre teve muitos dons artísticos, isso sempre teve. Desde pequena desenhava muito bem, fez cursos de artes visuais, sempre foi bem em desenho geométrico porque tem muita firmeza nas mãos. Isso eu já sabia tanto que sugeri que estudasse arquitetura, design ou outro curso no qual pudesse olhar para esse dom. Ainda bem, não forcei nada!

Nos últimos meses, antes dessa decisão, ela havia se desligado de um estágio em um banco. Lidar com as questões financeiras não foi problema para ela, afinal, tinha uma mente de engenheira. Mas lidar com esse universo corporativo a deixou muito pra baixo. Nada parecia se encaixar com ela. Tudo era estranho e não foram poucas as crises de choro e tristeza por saber que seu lugar não era ali.

Mas como nada na vida é por acaso, ainda trabalhando no banco assistiu a uma palestra de uma coach e escritora e leu seu livro, que ganhou no sorteio ao final da palestra. Esse momento foi determinante porque a despertou para a busca do autoconhecimento e de seus propósitos de vida.

Um dia a convidei para assistir a uma palestra sobre conceitos da espiritualidade, mas sem dogmas da religiosidade e isso foi mais um insight. Depois, um curso de autoconhecimento e imersão em suas crenças, valores e missões. Pronto! Estava acontecendo o seu colapso de onda!

dia do tatuador

Resultado de tudo isso? Sim, procurou cursos e estúdios de tatuagem e já está trabalhando como tatuadora. Encontrou as pessoas certas, no momento certo, como a tatuadora Alê Rosa , que acreditou em seu potencial e abriu as portas para ela.

Coincidência? Não, claro! Colapso de onda, como dizem os quânticos. Aí também entra a engenharia cujo curriculum ofereceu a ela a oportunidade de aprender sobre física quântica que, somada aos conhecimentos que adquiriu em palestras, livros e cursos, geraram as condições para que ela criasse sua própria realidade. Não foi mágica, mas um trabalho de autoconhecimento que foi acontecendo ao longo de sua jornada.

Mas por que estou contando tudo isso? Porque sempre fui contra tatuagem, sempre fui muito rígida com isso por carregar conceitos e preconceitos. E se participei desse processo foi porque eu também precisava aprender alguma coisa. Deixei a situação fluir, larguei e entreguei ao Universo. Sem a intenção de controlar nada nem ninguém. Simplesmente larguei a falsa impressão de que poderia interferir nos propósitos dela. Larguei e deixei fluir.

Quando resolvemos ter filhos, inevitavelmente começamos a fazer projetos. Difícil quem não veja aquele bebezinho que é “só seu” sendo uma pessoa do bem, alguém com um futuro brilhante, uma profissão bem remunerada, sendo feliz, etc, etc e tal. Sim, a gente projeta, a gente planeja e, mais do que isso, a gente quer!!! Quer muito que tudo saia da maneira como imaginamos. Julgamos saber o que é melhor para os filhos e acreditamos que isso nos dê a permissão de sonhar no lugar deles.

Aprendi a respeitar um ser humano que deu vazão à sua alma! E o que pode deixar uma mãe mais feliz do que olhar nos olhos de sua filha e ver verdade, alegria, realização e muita, mas muita felicidade? Hoje ela trabalha no Pink Side Tattoo , está muito feliz e conduzindo sua vida. Cada dia uma nova conquista e com a certeza de que fez a escolha certa.

dia do tatuador

E, pasmem, toda minha resistência e preconceito com a tatuagem tornou-se admiração enorme. Vejo a beleza dos trabalhos que ela faz, sigo tatuadores, dou ideias, compartilho desenhos, discutimos sobre as diferenças de estilos, as tendências e tudo mais que envolve um mundo que tanto critiquei. Tome!!! E sabe que estou gostando? Gostei tanto que entreguei meu braço para ela tatuar. O resultado está aí na foto!

dia do tatuador

Estou feliz, feliz demais por ela e por mim, que consegui deixar um preconceito cair por terra. E agora, o que será da vida dela? Sei lá, mas que eu já estou pensando na próxima tatuagem, ah, isso estou!!!

Parabéns, filha, pelo dia do tatuador e por ter a coragem de mudar de ideia, permitindo-se traduzir sonhos em desenhos eternos!

Te amo!


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Sobre o autor

Silvia Jara

Silvia Jara

Depois dos dois primeiros anos do Eu Sem Fronteiras, resolvemos atualizar nossas informações e isso foi um belo exercício de reflexão!
Nosso propósito sempre foi ajudar as pessoas na busca do autoconhecimento e eu, pessoalmente, não fiquei isenta disso.

Contato:
[email protected]

Em meu perfil anterior disse: “olhando para trás percebo que, em minha vida, as coisas sempre aconteceram de maneira fluida, sem muito planejamento, embora tenha verdadeira admiração pelo planejamento ‘das coisas'”. Hoje entendo que foi o foco no presente que me fez seguir o fluxo da vida em muitos momentos, sem me preocupar com o ontem ou com o amanhã. As coisas caminharam como deveriam ser.

Minha paixão pela publicidade se transformou na paixão por pessoas, comportamentos, sentimentos, atitudes e, principalmente, na capacidade e necessidade do ser humano de se comunicar, compartilhar e crescer. Minha formação acadêmica em Publicidade não mudou, mas minha formação humana tem sofrido diversas e importantes mudanças no sentido de compreender que sozinhos não chegaremos longe. Somos um sistema e como tal, precisamos uns dos outros.

Minha capacidade analítica e observadora, aplicada à Pesquisa Qualitativa de Mercado que, até então, me serviu para compreender o comportamento de consumo das pessoas e grupos, agora parece muito mais voltada a me compreender, a olhar para dentro de mim e buscar minha essência verdadeira. É praticamente impossível ficar ilesa, isolada e desconsiderar tantas informações e conteúdos com os quais lidamos no dia a dia de nossa redação.

Hoje entendo que o trabalho em áreas comerciais, marketing de empresas, agências de publicidade e a atuação em pesquisa de mercado estavam me preparando para esse mergulho no autoconhecimento. Nada é coincidência!

A curiosidade pelo mundo espiritual, pela meditação, pela metafísica, pela energia vital está se transformando em novos conhecimentos e práticas: Reiki, Apometria, Constelação Familiar, Thetahealing, PNL, EFT, Florais e tantas outras técnicas. Sigo acreditando que o questionamento, a busca de informação e a vivência me levarão a conhecer minha missão de vida, meus caminhos e minha plenitude.

Trabalhando no Eu Sem Fronteiras desde 2014, tenho aprendido muitas coisas, vivenciado outras tantas e não sei onde isso chegará! O que me importa é continuar nessa busca. É um caminho sem volta no qual o grande objetivo é aceitarmos que somos sujeitos de nossa própria vida, os únicos capazes de transformá-la.

Grande abraço e muita luz!