Comportamento Psicanálise

Medo, qual o seu papel?

Não tenha medo do inevitável — ou seja, daquilo que você não pode evitar. Por que ter medo de que o Sol irá se pôr? Ele vai e ponto.
O medo da morte é a falta de conhecimento. Um dos propósitos da Filosofia é saber morrer, reinventar-se, como diria Montaigne.
Morrer é o que nos torna úteis. Podem ter a certeza de que a eternidade nos assustaria bem mais.

Agora… do que você tem medo?
Essa resposta pode dizer muito sobre si. Não pense sobre o medo de preservação (como aquele que se sente diante de um tubarão ou um leão), mas sobre aquele medo de dentro, aquele que só palavras não seriam suficientes para explicar. É esse sentimento que a Psicanálise irá investigar e provavelmente encontrará muito sobre sua origem. O medo segue a coragem ou, se preferir, o medo cega nossos sonhos…

A religião prega mais o medo do que a bênção, e se há repressão, não há moral.
Se a ideia é de que eu preciso do mal para buscar o bem, algo de errado não está certo (como diria a expressão moderna), afinal, o bem (ou a busca por ele) não deveria acontecer apenas pela existência do oposto, mas, sim, pela genuína vontade. Fica a reflexão.

Se entregar para Deus não pode ser uma entrega submissa, mas, sim, de conexão. Como diria Gibran,
“Deus não ouvirá nenhuma de suas orações sem que ele mesmo a tivesse a dito através de teus lábios.”

Existe a necessidade de sermos corajosos. Ainda que com medo, seja prudente; porém, prudência demais se torna covardia! Fique atento.

Humanos e animais sentem medo, logo, isso é instintivo e não cultural. Somos feitos de medo, então, não há por que ter medo de sentir medo.

Como diria uma importante e essencial reflexão de Bauman, o medo da mídia é subterrâneo, não há razão nele. O fim do mundo já foi anunciado algumas vezes, e ainda nada.
Seu medo é real?
Como diz Sêneca, “Sofremos mais na imaginação do que na realidade.”

Bauman diz, sobre a casca da humanidade, que basta termos uma motivação de possível sobrevivência que regredimos ao estado monstruoso de maldade.
Os reality shows demonstram isso: eu quero votar para que tal participante seja eliminado, porque assim não me sinto excluído; mas excluo o outro, ou seja, existe o medo da solidão.
Há jovens e adultos que não fazem questão de votar, mas votam em realities, pelo fato de terem medo: medo do que será a vida deles se não existir nenhuma referência de muleta.

Existe uma doença, uma patologia, considerada uma fobia de que meu celular não tenha bateria, ou wi-fi, senão, não existo. Olha aonde chegamos…

O problema do Medo é que ele faz com que eu abra mão da minha liberdade.” Karnal

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Câmeras, condomínios, digitais, revista, falta de privacidade.
É isso ou o terror, e, no fundo, ainda ficamos aliviados com tamanha falta de privacidade.

Pior do que a morte de fato é morrer em vida. É isto o que se deve temer: passar uma vida à mercê da mediocridade.

Minha maior lição é minha biografia” – Ghandi.

Sobre o autor

Vitor Vieira

Vitor Vieira, 26 anos, psicanalista, cantor, compositor, escritor e apaixonado por filosofia.

Sou colunista nos sites Eu Sem Fronteiras e Ajudaria, e professor no Instituto Paulista de Psicanálise.

Acredito que somos todos um só, dentro de cada particularidade. Somos irmãos, aprendendo e evoluindo, dia após dia, sempre em busca de somar e multiplicar conhecimento e sabedoria.

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