Autoconhecimento

Saúde Masculina – Por que esses meninos correm do médico?

Leila de Sousa Aranha
Sabemos o quando nossos queridos (marido, filhos crescidos, amigos e parentes homens) têm dificuldade de cuidar da própria saúde. Muitas vezes, observamos alguma questão que poderia ser resolvida facilmente indo ao médico; mas não, eles têm que dizer que não é nada, que vai passar logo… e ficam adiando.

Por que eles fazem isso? Parece-me que está relacionado ao seu senso de masculinidade e força, como se não pudessem demonstrar vulnerabilidade, que acaba se traduzindo em uma palavra pesada para eles: fraqueza.

Eu brinco que isso deve estar configurado no cromossomo Y, que faz deles meninos, e, portanto, seres infalíveis…

Homem abrindo a camisa do terno e embaixo está usando uma roupa de super-herói.

Justin Baldoni (*), ator, expõe, conforme link abaixo, sua experiência como homem, cobrado pela cultura para ser e fazer de determinada maneira, que nem sempre coincide com o que ele pensa. É claro que a cultura e a educação têm sua parcela nessa equação. Tanto que homens da geração de 50 anos para cima apresentam esse comportamento com maior frequência. E entre os mais jovens vemos comportamentos voltados para uma rotina de exames periódicos, ainda que sejam promovidos pelas empresas onde trabalham.

Mas isso não significa que esses mais novos não ajam da mesma forma que seus pais e avôs, fugindo dos médicos e criticando-os. Vejo que isso tem relação com a autoestima e o autocuidado que todos devemos ter em alta conta. Quem não se ama, não se percebe como unidade – corpo e mente –, não consegue distinguir quando o corpo está falhando e pedindo ajuda nos primeiros sinais.

Homem deitado na cama com a mão sobre o rosto.

Muitas vezes, essa percepção ocorre quando já é tarde. O bom funcionamento desse conjunto depende das escolhas que a pessoa faz e, se essas escolhas não boas, é porque são determinadas por crenças limitadoras, alimentadas por pensamentos, tais como “Isso é bobagem”, “Médico pra quê?”, “Eu ainda sou forte” etc. Esses pensamentos escondem uma crença na onipotência, na impossibilidade de falhar, de mostrar que precisa de ajuda, fazendo que deixem para o último momento ou para, enfim se permitirem ser cuidados quando estiverem realmente doentes. Ou seja, já se torna, então, uma busca por atenção de forma distorcida, quando não temais jeito.

Brené Brown, autora do livro “A coragem de ser imperfeito”(**) – link abaixo -, discorre sobre essa vulnerabilidade, da qual fugimos, porque desejamos ser sempre fortes e perfeitos. Temos de admitir que isso ainda é mais cobrado dos homens. Mas foi nela, na vulnerabilidade aceita, que a autora encontrou formas de experimentar uma vida plena. Ser saudável é pedir o que precisamos, mesmo correndo o risco de sermos rejeitados.

A vida pode trazer esses momentos, eles podem ser motivo de ansiedade, mas também podem ser palco de experiências colaborativas e muito agradáveis.

Links:
(*) https://www.ted.com/talks/justin_baldoni_why_i_m_done_trying_to_be_man_enough?language=pt-br
(**)https://drive.google.com/file/d/0BwZwqEGUjaYnektWXzRzMnktcVU/view?usp=drivesdk


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Sobre o autor

Leila de Sousa Aranha

Leila de Sousa Aranha

Sou psicóloga clínica, formada em Jornalismo e com Mestrado em Psicopatologia e Saúde, com o tema de pesquisa sobre o Perdão Interpessoal.
Atendo pessoas de todas as idades em consultório particular há 15 anos e gosto muito do ser humano, de acompanhar o seu desenvolvimento e auxiliar a melhor lidar com as situações de sua etapa de vida.

Sou divorciada e mãe de duas mulheres de 31 e 27 anos. Gosto de arte marcial e treino Aikido. Sou vegetariana, aprecio a natureza e os animais e gosto de encontrar meus amigos com frequência.

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