Convivendo

O Baile da Vida

Elô Ribeiro
Escrito por Elô Ribeiro
Na vida, há pessoas que usam disfarces e sabem dissimular muito bem o tempo todo, mas uma hora essas máscaras caem. Sabe aquela história que alguém se sente mais confortável ao desabafar com um desconhecido ao fazer uma terapia? Pois é, isso é muito comum.

Não nos basearemos em nenhuma pesquisa, apenas no ponto de vista de muita gente que passou por um processo de separação seguida de traição. Mostraremos aqui alguns perfis desse triângulo amoroso.

Bem, comecemos por aquele(a) que cobiça a mulher ou homem do(a) próximo(a), quem tem a má fama de “usurpador(a)” e que a sociedade aponta como “destruidores de lar”. Daí a pergunta que não quer calar: foram eles a trocarem os votos na igreja diante do juiz? Por que eles levam 99% da culpa se algo falhou numa relação que nem se prontificaram a começar com você?

Daí a pergunta que não quer calar: foram eles a trocarem os votos na igreja diante do juiz?

Se são santo(a)s? Logicamente que não. Inconsequentes? Com certeza. Não pensam nos sentimentos alheios, a paixão deles fala mais alto. Mas não são levianos, leviano(a) é aquela pessoa que não cumpriu com a promessa e na primeira dificuldade deu brecha para que outra pessoa entrasse num relacionamento a dois.

O leviano(a) mente, omite e é covarde por terminar a relação antes de começar outra, ele(a) se deixa levar pela adrenalina e as fantasias sexuais as escondidas. Ele(a) não é livre e nem desimpedido, porém, age como tal ao envolver-se num romance descomedido. Mas é o(a) amante principal alvo de escândalos e agressões físicas do(a) companheiro(a) traído(a), quando por casualidade não perdem a própria vida. Insanidade ou não, pensemos um pouco olhando os dois lados da moeda.

Muitos de nós já ouvimos frases como essas, por parte de amigos e familiares: “Aquelas pessoas jamais serão felizes construindo a felicidade delas em cima da infelicidade alheia”. De quem foi traído(a): “Ele(a) sempre teve tudo em casa, nunca lhe deixei faltar nada pra que fosse buscar na rua.” Ou a frase mais machista e catastrófica dita por algumas mulheres: “É só uma má fase. Não importa quanto tempo passe, ele sempre volta pra casa”.

Baseando-se nessa última frase: não querida! Ele, se tiver ainda um mínimo de consideração por você, porque respeitar ele não te respeitou, não voltará mais para a casa e viverá a vida dele e você tem de ser forte para fazer o mesmo.

Se dependia dele financeiramente, trabalhe fora. Volte a estudar ou aprenda um ofício. Caso te falte renda para pagar um curso, use um dom que tenha como dona de casa como cozinhar para fora, trabalhar de diarista e ganhar por hora, qualquer atividade. Não vá lhe pedir um centavo e no caso de ter filhos com ele, recorra à justiça para poder entrar num acordo amigável e as crianças receberem o que lhes corresponde. Não seja vingativa e nem as use para atingir o pai delas, por mais que ele merecesse!

Se quiser tirar até o último centavo dele vá em frente, mas esteja certa de que daqui por diante você tem de tomar as rédeas de sua vida e todo o dinheiro um dia acaba, por isso, precisa encontrar uma forma de subsistir, de custear os gastos da casa.

Quanto aos outros questionamentos anteriores: será mesmo que essa pessoa tinha tudo o que precisava?

Quanto aos outros questionamentos anteriores: será mesmo que essa pessoa tinha tudo o que precisava? Ou o amor que ambos sentiam se transformou com o passar dos anos? Outra coisa: será que quem traiu é mesmo um ser inconstante? Incapaz de se satisfazer com o suficiente? Ou será que ele(a) encontrou a felicidade em outra pessoa, ainda que de maneira escusa?!

Há tantos questionamentos para refletirmos que daria outra coluna para tentar encontrar o suposto “motivo”. Ainda que não faltem argumentos que tentem justificar o injustificável: a traição.

Amante fatal

Amante fatal não gosta nem do seu(a) cônjuge, te odeia e definitivamente não gosta dele(a) mesmo(a). Ele(a) poderá estar mais próximo(a) do que se imagina e pelo “amor” que acha que sente, estabelecerá certa aproximação com amigos e familiares (se não é que ele(a) já tenha) e até fará um vínculo de “falsa” amizade com o(a) marido/esposa com o intuito de estudar melhor o campo inimigo e usará todas as estratégias possíveis para poder controlar os passos da(o) amante. Cuidado!

Esse(a) amante não tem escrúpulos e quando se sente rejeitado(a) se torna muito agressivo(a), se rebaixará a tal ponto que escândalos públicos serão cotidianos, poderá infernizar o(a) rival moralmente e se for mulher, poderá até engravidar com o intuito de denegrir financeiramente o amante, mas no fundo confia cegamente que que ele ficará com ela no final.

Chantagens emocionais por parte do(a) amante fatal são graves e constantes, e esse tipo de triângulo amoroso pode terminar em crime passional. Se não for cortado o quanto antes por uma das pessoas envolvidas pode terminar muito mal.

Infelizes para sempre

Já viu o filme contracenado por Ben Stiller intitulado “Antes só que mal casado”? O personagem de Stiller descreve detalhadamente uma pessoa que não é honesta consigo mesma e que nem será com a outra pessoa com a qual se case. Por mais que esse cônjuge escolhido se comporte de forma bizarra após o casamento, será o tempo todo verdadeiro e você? Provavelmente nunca foi.

Antes de se comprometer, você tinha outros planos como terminar uma faculdade, lutar por uma boa promoção no trabalho, morar sozinho(a), trabalhar e economizar para adquirir um bem material como uma casa própria ou um carro, viajar nas férias com uma turma de amigos para um lugar exótico como a Tailândia ou a Patagônia, ter talvez um bicho de estimação que te fizesse companhia… até que começaram as especulações externas.

Seus familiares esperavam que você como adulto tomasse tento na vida e, por isso, você se deixou levar…e chegou à conclusão de que o excesso de noitadas nos fins de semana e o sexo casual já não tinham mais graça e que a maioria de seus amigos, do nada, começaram a tomar o rumo deles. E num nível de carência tão grande enxerga amor onde não há e se vê naquela música: “Por que não eu?”

Não cometa o maior erro de sua vida!

É claro que seria muito bom ter alguém bacana com quem dividir as contas e suas expectativas futuras, namorar, noivar e casar. Entretanto, não se envolva só porque “tem que ser”. Não vale a pena se esforçar tanto fazendo-se passar por quem não é somente para agradar ao outro de sua existência. Porque no final das contas, o casamento só começa depois da festa, depois que cortam o bolo, as luzes se apagam e que todos os convidados vão embora. A vida a dois não é nenhum dos contos da Disney “E foram felizes para sempre…”

Tá, mas o que é ser feliz eternamente?

Já reparou que as histórias sempre param nesse item? Tanto o homem quanto a mulher moderna são indivíduos inconstantes que precisam de obstáculos e de metas, se eles não vivem de expectativas e num completo mar de rosas, pode ser tedioso.

Talvez você tenha planejado como naquela canção: “Eu, você, dois filhos e um cachorro…”, mas de repente no apartamento em que vão morar não permitem animais de estimação ou ele(a) seja alérgico(a). Pode ser que vocês tenham mais filhos fora do planejado e oxalá que venham com saúde ou pode ser que nem tenham. Num matrimônio há mil e uma possibilidades de alguma coisa não sair como você projetou, já parou para pensar nisso?

E você que antes comprava o que queria, saia quando bem entendia e fazia a sua hora, agora tem que pensar pelo bem monetário da família que construiu, dar satisfação do que vai fazer para não deixar a(o) outra(o) pessoa que mora com você preocupada.

E muitos vão se questionar: o que vem depois?

Por mais que você mantenha contato com seus amigos de solteiro, já não terá tanto tempo como antes. Surgem aquelas programações familiares dos fins de semana como receber em um almoço em sua casa e “fazer sala” para aquele cunhado chato, fazer média e deixar de ir ao shopping com as amigas ou ver a programação de futebol aos domingos para ir visitar a sua sogra (porque você sabe que se não for, vai ter cara feia a semana inteira, mesmo que a cara feia seja a sua, não importa, desde que você vá).

Do mesmo jeito há aqueles eventos escolares de seus filhos que você faz das tripas coração para estar presente, mesmo quando gostaria de estar descansando em casa depois de uma longa semana de trabalho.

E em meio a tudo isso, o sexo que era antes selvagem é agora morno e menos frequente, a paixão tornou-se fugaz e o cansaço de ter que conviver com aquela pessoa é constante, sem contar as reclamações dela(e) que você faz até questão de se desligar, não prestar mesmo a atenção, porque a voz dela(e) chegou a um nível insuportável. E mesmo com toda a frustração, você não se encoraja o bastante para colocar um ponto final, talvez por pura comodidade ou medo de mudança.

E depois de tantos anos, em pleno século XXI, tentamos achar respostas para o que leva um casal a manter um casamento de aparências?

Talvez ceder sempre, não debater e apenas tolerar. Dividir o mesmo teto em vez de lidar com problemas financeiros ou especulações dos outros. Alguns sabem até da vida dupla que leva o outro e nem questionam. O casamento virou um negócio. Outro caso muito comum: pode ser até que você não note esses sinais e se considere “realizado(a)” com seu/sua companheiro(a), mas ainda sim sinta um vazio existencial a ponto de ter a necessidade de deixar outra pessoa entrar em sua vida.

Amada(o) amante

Não que você tenha planejado ter uma(o) amada(o) amante, no entanto, aconteceu numa simples troca de olhares como naquele filme ‘Amor à primeira vista’, que atuam De Niro e Meryl Streep.

Mas como a vida imita a arte, a(o) amada(o) amante é aquela pessoa que você encontra já numa fase mais madura e com quem se identifica de cara!

O problema é que ela(e) não tolerará se prestar a tal papel por muito tempo, quando descobrir o seu estado civil e observar que as coisas andam estagnadas. Ela(e) te exigirá exclusividade e o divórcio sem dúvida será o mais viável a se fazer. Só não se esqueça de que uma terceira pessoa sairá magoada, a mesma com quem você se casou um dia e que sempre foi honesta(o) contigo. Seja honesto(a) com ela pelo menos uma vez na vida. E pense duas vezes antes de se envolver com alguém, porque sua impulsividade novamente machucará terceiros.

Os amantes mercenários

O perfil dessa(e) amante é de uma mulher/homem extremamente bonita(o), jovem e ambiciosa(o). E o perfil do adúltero é de uma pessoa insegura, que tem uma(o) cônjuge incrível e profissionalmente bem melhor sucedida(o) do que ele(a). Se os amantes mercenários se sentem ameaçados com esse detalhe? Não. Pois eles estão muito ocupados indo a lugares sofisticados que jamais sonharam, comendo do bom e do melhor, aceitando presentes como roupas de grife e perfumes importados (que jamais um(a) namoradinho(a) da academia poderia financiar) e no fim de semana a mercenária passeia num iate do amante e faz “selfie” com as amigas ou o mercenário exibe o novo produto eletrônico que a amante dele comprou.

Esses amantes não são tão ignorantes quanto parecem, na realidade, há uma troca sutil: ela(e) lhe concede parte de sua juventude e o adúltero(a) entra com o capital. Se todos saem ganhando? Talvez sim, talvez não.

Após os encontros clandestinos, o gatão-de-meia-idade se sente rejuvenescido, procura uma academia para perder a barriguinha de litros de chopp dos quais acumulou por anos, paga pacote de estética e muda o look do nada ou talvez ele não vire nenhum metrossexual, porque acredita piamente que com a experiência de vida que ele tem pode ser que tenha conquistado a menina que ele mesmo julga estar apaixonada por ele.

Já com a mulher adúltera também não é diferente, ela já não é mais aquela histérica com a rotina do lar, se sente mais jovem, mais apaixonada e excitada com o gosto da adrenalina, pode ser que ela fique mais distante do marido ou quem sabe mais carinhosa para disfarçar?! Se há uma coisa que a mulher sabe ser quando quer é dissimulada. Ao contrário do homem, ela sabe mentir, não deixa nada escapar, porque é cuidadosa e detalhista, só se ela for muito “distraída”.

Mas voltando ao perfil dos amantes mercenários, eles não são garotos de programa, ainda que alguns interpretem assim, porque venhamos e convenhamos: eles vivem de momento, sem pensarem nas consequências, pois o sexo independente de ser sensacional ou péssimo com aquela pessoa que investe neles, não lhes importará o tempo gasto.

Explico: se o rapaz/a garota tem 23 anos de idade, daqui a 3 anos ainda continuará na casa dos vinte. E o melhor, não precisam fazer muito esforço, porque por maiores que sejam as fantasias sexuais do seu “fornecedor” ou “fornecedora”, geralmente o apetite deles é mais ameno se comparado com alguém de vinte e poucos anos.

Não importa o tempo que passe, essa(e) mercenária(o) vai adquirir conhecimentos sobre um mundo que não lhe pertence, mas no qual ela(e) almeja pertencer, além disso, com a experiência adquirida poderá em breve ter mais alvos fáceis para satisfazer os seus desejos materialistas.

Estamos falando de acompanhantes frios e calculistas que se prestam ao papel de ficar com alguém com baixa autoestima, porque sabem que se não fossem eles a se aproveitarem dessa carência, seriam outros a se beneficiarem, tão bonitos e atraentes quanto eles.

Os mercenários compreendem que alguém que se preze a trair no mínimo já está com a relação terminada, só não se deu conta disso.

Dúvida?! Com certeza aquele cinquentão/cinquentona ajudou em todas as despesas, pagou até a faculdade deles. Sinto dizer para os traídos dessa história, mas todos os anos de sua vida em prol da sua família e trabalho e todo o patrimônio construído, a(o) amante jovem vai usufruir, no momento em que o(a) adúltero(a) quiser se divorciar a fim de ir viver com a(o) pivô da separação.

Não só ferirá os seus sentimentos como levará metade dos bens materiais que vocês dois juntos construíram. Ou na desastrosa hipótese, que você sozinha(o) construiu. Por isso, muita gente se casa em separação de comunhão de bens, muito compreensível no mundo de quem possui um nível de vida elevado.

Mulheres: se a inimiga será a próxima esposa “perfeita” e bem-sucedida? Se ela aguentará calada as infidelidades dele como você as aguentou? Não sabemos. Só o tempo lhe dirá e o melhor a fazer é lavar as mãos e seguir adiante mesmo ferida.

Homens: o mesmo! Superem, desabafem e sejam fortes.

Amante à moda antiga

Essa pessoa, tal como a(o) amante mercenária(o), tem certas regalias, mas por sua impulsiva paixão consegue ser tão grotesca quanto a(o) amante fatal.

Essa(e) amante é muitas vezes independente monetariamente e prefere estar longe. Entende que ela(e) é a(o) amante e que deverá abrir mão de muitas datas comemorativas e contentar-se apenas com o pouco tempo que lhe é disponibilizado. Se essa amante for mulher e não possuir nenhuma sanidade mental, é capaz de construir uma família que não deveria existir e fazer seus filhos vivenciarem situações nada agradáveis.

Ela(e) não sabe, mas é uma pessoa sem nenhum amor-próprio e que se alimenta num mundo de ilusões. Acha que fará a diferença na vida daquela pessoa infiel e demoniza a(o) rival.

O que a essa(e) amante à moda antiga não sabe é que a pessoa com a qual se relaciona pode ser aquele tipo de homem/mulher que para se satisfazer possui relações extraconjugais muito rotativas, enjoa rápido de seu passatempo e amanhã ou depois aquela conquista perde o interesse.

Essa(e) amante que antes tinha vinte e poucos anos agora já está na casa dos quarenta. A paciência de ser enrolada(o) já se esgotou e com demasiada cobrança ao(a) indeciso(a) infiel, em breve, será substituída(o) por outra(o), uma vez que a relação já perdeu o encanto.

Quem tem a perder? A(o) amante. Quem tem a ganhar? O(a) infiel. E quem nunca ganhou nada? O cônjuge.

Ex-amantes, atuais cônjuges

Sim! Isso pode acontecer! E a atual esposa terá de ser muito astuta se não quiser ser a próxima traída. Evidentemente ela não irá querer cometer os mesmos erros que a rival, a não ser que essa mulher seja uma ex-amante mercenária e o utilize como um degrau, e logo quando futuramente não precisar mais dele, o descarte.

Esteja segura de que essa amante que agora mudou de papel o apoiará nos projetos profissionais que a ex-esposa nunca o apoiou ou que o incentivou algum dia, mas ele, covarde, não tinha o cacife para executá-los. Porém, com o passar do tempo, essa segunda esposa desenvolverá o mesmo índice de inferioridade que ele tinha.

Se ele realmente se destacar, talvez a insegurança dela seja tamanha que para suprir a carência emocional, vai arranjar um amante da mesma idade ou até mais jovem que ela, enquanto o “trouxa” do ex-infiel e agora enganado estará ocupado em alguma viagem de negócios. Ou pode ser que o atual enganado também continue “pulando a cerca” e ela seja a traída da vez.

Há tantas situações hipotéticas que ficaria impossível enumerá-las, porém, essas seriam as mais comuns.

Conclusão

Uma verdade tão plausível quanto sórdida: essa nova relação entre os traidores pode, sim, vir a dar certo, porque eles nasceram um para o outro e se merecem!

E você que é a(o) ex agradeça aos céus por ter se livrado de um matrimônio de aparências. Infelizmente, essa terceira pessoa não respeitou o seu casamento, mas ela não pode arcar com todas as falhas sozinha. Lembre-se que para ocorrer uma traição é necessário dois quererem e o desamor — que seguramente já havia começado.

Essa(e) amante não te prejudicou em nada, porque só te fez um grande favor de fazer enxergar a máscara cair de quem você um dia deu todo o seu coração. Tenha em mente que essa pessoa não era merecedora de estar ao seu lado curtindo o que chamamos de “o baile da vida”.

Sobre o autor

Elô Ribeiro

Elô Ribeiro

Docente universitária de Língua Portuguesa para estrangeiros, leciona há mais de 10 anos. Licenciada em Letras, especializada em Língua Espanhola e mestranda em Estudios Literarios Latinoamericano. Viciada em viajar, apaixonada por moda e admiradora da culinária. Carioca, mora há 5 anos na Argentina.

Contatos:

E-mail: [email protected]
Blog: culturabrasileirasemfronteiras.com
WhatsApp: +54 911 39097353.