Autoconhecimento

O conhecimento é para todos

Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos

Não existe algo mais democrático na natureza que o conhecimento humano. Todos aqueles que pensam o contrário estão errados. O conhecimento humano não tem limites. E quem o possui, nunca o tem em demasia. Sempre quer mais. Sempre deseja mais. É o bem maior de todos os seres humanos.

O conhecimento não tem contraindicação. Serve para todos. Crianças, jovens e adultos. Quem o tem, nunca sofre por excesso. Apenas os tolos acham-se cheios de conhecimento. Somente os idiotas pensam que o conhecimento que possuem é melhor do que o do outro.

Todo tipo de conhecimento é válido

Não importa se você possui apenas o conhecimento prático. Se o seu conhecimento é oriundo apenas do senso comum, de suas próprias experiências. O importante é saber que todo e qualquer tipo de conhecimento deve ajudar o ser humano a viver melhor, ser melhor.

Sabe-se que numa sociedade capitalista, como a sociedade atual, dá-se muita ênfase no conhecimento científico. A ciência exclui a subjetividade. É racional. Busca a comprovação de um determinado conteúdo. Segue rigorosamente a lógica aplicada à ciência. Tudo deve sair conforme o planejado. Não aceita erros. Por isso, é um método excludente.

Por outro lado, somos da opinião de que não se devem desprezar os outros tipos de conhecimento, principalmente o conhecimento filosófico, pois somente ele pode nos livrar do genocídio intelectual que se aproxima. Ou seja, o homem contemporâneo torna-se cada vez mais egoísta, e com isso a civilidade racional é destruída.

Qual é então a saída?

Filosofia para todos! Que todos aprendam a pensar filosoficamente.

Com isto, não estou desprezando nenhum outro tipo de conhecimento, principalmente o cultural e o religioso. Pelo contrário, estou dizendo que é preciso muita fé, muita oração, muito louvor, ou outra prática religiosa e cultural qualquer, para que o ser humano não se torne um completo idiota.

Ainda tenho esperança de que pela união dos conhecimentos o ser humano possa se livrar da arapuca intelectual que se meteu nos últimos anos: achar que existem pessoas, culturas ou conhecimentos melhores ou superiores do que outros. Não. Não existe. Os conhecimentos são diferentes. Possuem objetos e objetivos diferentes. Matéria e materialidade diferentes. É preciso saber, respeitar, ensinar e divulgar isto: a pluralidade é sinal de inteligência!

Daí, justifica-se sermos totalmente contra a ideia do atual ministro da educação, o senhor Ricardo Vélez-Rodríguez, para quem “a universidade não é para todos”. Ao contrário, somos da opinião de que, segundo Aristóteles, “Todos os homens têm, por natureza, o desejo de conhecer”.

Dessa forma, toda pessoa humana é dotada de inteligência e isto o diferencia de todos os outros animais. Todo ser humano é capaz de construir grandes coisas, basta ele querer. Enfim, recomendo que o senhor ministro leia novamente o filósofo grego Aristóteles, se é que ele já leu algo dele alguma vez!


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Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).