Convivendo

O ego, conforme a visão da cabala

Homem chutando a letra E de um penhasco.
prazis / 123rf
Denis Schaefer
Escrito por Denis Schaefer

Os cabalistas estudam as leis espirituais de forma profunda, os aspectos ocultos que estão expostos na Torá, que são os cinco primeiros livros da Bíblia, o também chamado Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).

Assim sendo, o ego está relacionado com uma das mais importantes passagens da Torá, que é a escravidão dos hebreus no Egito. Segundo a história, contada no livro de Êxodo, o faraó dominava o povo hebreu que vivia em suas terras e impunha-lhes uma série de trabalhos forçados, cada vez mais duros. Moisés, então escolhido como líder espiritual enviado por Deus, confrontou o faraó para que os libertasse, tendo seu pedido rejeitado por diversas vezes. Após várias pragas que caíram sobre os egípcios – dez ao total –, o faraó finalmente os libertou, somente depois da morte de todos os primogênitos.

Mas o que tem a ver a história do cativeiro dos hebreus com o ego?

Na Torá, as palavras contêm códigos ocultos e contam, na verdade, a nossa história, a verdade que se esconde em nosso interior. O faraó é uma palavra que está identificada com o nosso ego, o líder de nossa mente, que comanda o nosso corpo físico, se assim deixarmos. É o líder do mundo material, relacionado também com o desejo de receber somente para si mesmo. Moisés, por sua vez, representa a nossa Luz interna, que conecta nossa alma com os mundos superiores. O Egito, por sua vez, é o mundo físico, o último nível da Árvore da Vida.

Recorte de um olho masculino.
Abbat / Pexels

Quando estamos desequilibrados internamente e manifestamos o desejo de receber, sem querer compartilhar, unicamente para satisfação de nossos mais primitivos instintos, colocamo-nos em um regime de escravidão. Trabalhamos incessantemente, para alcançar objetivos e metas físicas, que, ao serem atingidas, são rapidamente substituídas por outras, mais difíceis e elevadas. O faraó, nosso ego, pode exigir que obtenhamos riquezas, fama, poder ou quaisquer outras conquistas, que ao fim serão deixadas de lado e deixarão nossas vidas exauridas de sentido real.

Sim, o ego também nos identifica de forma positiva, se tivermos uma vida equilibrada, não identificada nem presa aos estímulos físicos, à posse de bens, à idolatria.

Você também pode gostar

A pergunta que devemos fazer é: a quem obedeceremos? A qual lado daremos ouvidos? Ao faraó, que nos obriga ao trabalho árduo e escravo, ou a Moisés, que nos convida a caminhar rumo à Terra Prometida, a uma vida livre e cheia de significado? A escolha é nossa.

Sobre o autor

Denis Schaefer

Denis Schaefer

Denis Schaefer, oficial da Marinha do Brasil - formação em ciências navais, com ênfase nas matérias de administração, Agente Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo, Cabalista, Escritor e Palestrante.

Estuda e divulga os conhecimentos da cabala, sabedoria que desvenda os códigos ocultos da Torá (Bíblia). Segue os ensinamentos de Isaac Luria (ARI), renomado cabalista do século XVI, que viveu em Israel, tendo estudado em diversas escolas, sendo as mais recentes dirigidas pelos rabinos cabalistas Rav Berg e Rav Joseph Saltoun. Realizou suas primeiras palestras após viagem iniciática em Israel, Marrocos e Espanha, onde visitou as principais fontes e teve muitas inspirações. Promove encontros de cura e meditação.

A missão de minha vida é de revelar a luz do Criador ao mundo, para que todos vivam em sua plenitude, alegria e paz.

CONTATOS:
Grupo no Facebook: Estudos da Cabala
Celular: (11) 997120833
E-mail: [email protected]
Instagram: @schaeferdenis