Autoconhecimento

O papel dos avós na criação dos netos

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Uma legião de pessoas possui lembranças maravilhosas dos avós. Eles são carinhosos e contam causos engraçadíssimos que aguçam a curiosidade e o espírito aventureiro dos netos. Se fosse apenas isso já estava bom, mas, ainda tem o bolinho de fubá da vovó e as brincadeiras com o vovô. Pergunte a qualquer um sobre as férias na casa dos avós e prepare-se para histórias agradáveis repletas de gargalhadas. A verdade é uma só, enquanto a casa dos pais é um quartel cheio de regras, enquanto a dos avós é um “mundo paralelo”, onde guloseimas são permitidas antes das refeições e as travessuras são incentivadas.

A criançada adora a liberdade dada pelos avós. Os filhos voltam para casa e querem dormir e acordar tarde, passar o dia inteiro assistindo televisão e comer chocolate o tempo todo. Quando voltam para casa, os pais ficam incomodados, preocupados e veem sua autoridade ameaçada diante tanta permissividade. E eles não estão exagerando. Os avós não fazem por mal, porém, deixar os netos tão soltos não é saudável. As crianças crescem sem limites, sem contar que pode gerar um conflito na família. Vejam os maiores pecados cometidos pelos avós.

  • Dar qualquer coisa para a criança comer

Alimentação é muito ligada à afetividade. As avós são craques em comidas deliciosas, especialmente doces. As vovós sempre recebem os netos com bolos e tortas altamente calóricas. A criançada aproveita que não tem a “chata” da mãe por perto e cai matando. Doces são gostosos, mas, em exagero faz mal aos dentes e causam sobrepeso, diabetes e hipertensão. Sabemos o quanto vocês amam seus netos, porém, cuidar da alimentação é uma forma infinitamente mais saudável de demonstrar afeto.   

  • Medicar as crianças por conta

Os avós conhecem receitas infalíveis para tudo. Febre, dor de barriga… Contudo, muito cuidado com a automedicação. Tomar remédio por conta própria mascara o problema e pode resultar numa intoxicação. Pergunte aos pais se a criança toma remédio de uso contínuo ou se é alérgica a algum medicamento.

  • Ridicularizar as decisões dos pais

Discordar sim, debochar das decisões, nem pensar! Comentários maldosos, ainda mais na frente dos outros é uma tremenda falta de respeito. Quando os avós não concordam com os pais, o melhor a fazer é uma reunião para que todos exponham seus pontos de vista.

  • Não respeitar a religião dos pais

Muitas pessoas mudam de religião. Outras não se encontram em nenhuma. Seja qual for o caso, os avós não devem impor suas crenças. Se os pais decidirem criar as crianças longe de ritos religiosos, a decisão precisa ser respeitada. Por exemplo, quando os avós são católicos é extremamente indelicado forçar a barra para os netos serem batizados. Eles podem explicar porque consideram este ato importante, porém, jamais devem enfiar isso goela abaixo. Religião ou a falta dela é sempre um pano de fundo para conflitos em família.

  • Sair com as crianças sem avisar

Isso não se faz! Imagina os pais desesperados sem notícias, pensando nas piores coisas. Vovós e vovôs, por favor, avisem os pais caso saírem com os netos. Digam aonde vão e os horários de ida/volta. Avós que passeiam com os netos precisam ter um celular para facilitar a comunicação.

Impondo limites

Muitos pais preferem deixar os filhos com os avós. Saber que as crianças estão com alguém da família traz segurança. Entretanto, eles não devem ser vistos como baby sitters de luxo. Em contrapartida, os avós não estão autorizados a fazer o que bem entenderem, apenas porque são mais velhos. Estes precisam entender que atender todas as vontades dos netos cria quatro problemas:

1- Os pais sentem-se incapazes de criar seus filhos

2- As crianças podem perder o respeito e o carinho pelos pais

3- As crianças crescem sem limites

4- Brigas em família: pais e avós disputam a preferência das crianças

Para impor limites, uma conversa franca entre pais e avós. Cada parte expõe seus pontos de vista, entretanto, os pais devem deixar claro que a avó e o avô cabem o papel de ajudar na criação, sem desafiar diretrizes estabelecidas. É objetivo dos pais explicarem que os avós fazem muito mal aos netos e a família como um todo quando adotam uma postura permissiva. Nesta conversa franca e respeitosa, os pais também devem pedir que as avós e avôs não chamem as crianças de “filho” ou “filha”. Isso confunde a cabeça da criança. Chamem os netos pelo nome, ou por variantes do tipo “meu querido (a)”, “meu amorzinho”, etc.

Benefícios de conviver com os avós

Nem de longe estamos numa campanha contra os avós. Aliás, eles possuem papel importantíssimo na criação dos netos. Quem teve a alegria de conviver com a avó ou o avô sabe disso. Pesquisas já comprovaram os benefícios dessa convivência. A Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha analisou 1,5 mil crianças e adolescentes entre 11 e 16 anos. Os que gozavam da companhia dos avós eram emocionalmente mais saudáveis.

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A interação ajuda as crianças resolverem problemas de relacionamento na escola dentre outras situações. Os conselhos despertam a capacidade de reflexão, consequentemente propicia o autoconhecimento. Outro benefício é o estímulo à imaginação. Ao ouvir histórias antigas as crianças conhecem a fundo os pais e quebram a distância entre eles. Quem convive com os avós aprende a respeitar os mais velhos. Este contato faz a criança entender os pontos de vista, e principalmente as limitações.

Bom também para os avós

A convivência também oferece benefícios para os avós. Eles ficam mais ativos física e psicologicamente, o que traz a deliciosa sensação de sentirem-se úteis. Os netos apresentam e convidam as vovós e os vovôs a usufruírem das novidades tecnológicas. É dessa forma que a turma da terceira idade aprende a operar um computador e dominar as redes sociais. O aprendizado diminui a distância entre avós e netos e apresenta um novo mundo, onde é possível fazer compras sem sair de casa, fazer amizades e ter mais informações sobre vida saudável. Tamanha agitação afasta um mal comum às pessoas acima dos 60 anos, a depressão.

Convivendo bem para conviver sempre

O bom relacionamento entre pais e avós traz vantagens para a família.

Pais e mães trabalham tranquilos sabendo que os filhos estão em boas mãos. Se o contato for apenas nas férias, também há certeza de que as decisões dos pais serão respeitadas. Como qualquer relação, este também é construído gradativamente e dá um pouco de trabalho. Com dedicação a convivência ganha contornos saudáveis e a educação das crianças ganha um importante reforço. Listamos valiosas dicas de como vovós e vovôs podem contribuir na criação dos netos.

1. Passe alguns dias em casa na primeira semana do bebê

A companhia de uma mãe experiente nos primeiros dias cai super bem, principalmente para as novatas. As vovós devem passar seus conhecimentos sem menosprezar os medos e dúvidas das mamães. Críticas sobre o estilo de vida dos pais, imposição de mudanças sobre a casa são desnecessárias. Comentários desse tipo apenas sobrecarregam a rotina atribulada das mamães nos primeiros dias após o parto. A presença das avós deve transmitir tranquilidade. As mães precisam sentir que estão amparadas por uma pessoa experiente.

Atenção: as vovós devem ser convidadas pelas mães, jamais chegue em casa de surpresa, isso é extremamente deselegante.

2. Dar dicas sobre cuidados com a criança

A avó pode ensinar a melhor forma de posicionar o bebê durante a amamentação, explicar a diferença entre o choro de fome ou cólica e como colocar para arrotar. Quando a criança estiver crescidinha, a avó ensina como não ceder às birras e a ter paciência com o filho. Pode haver um choque de gerações e você não concordar com algumas coisas, entretanto, cabe a mãe filtrar as informações e absorver aquilo que julgar interessante. Brigar porque não concorda com as opiniões é perda de tempo.

3. Alinhar condutas

Os avós estabelecem regras para sua casa, mas, tem que respeitar aquelas determinadas pelos pais. Para evitar conflitos, todos precisam conversar e determinar regras comuns as duas casas. O horário de dormir é um denominador comum, em nenhum lugar a criança pode ficar acordada até tarde. Para que o período longe de casa seja benéfico, pais e avós devem fazer concessões em prol do bem-estar das crianças.

4. Espere que peçam sua opinião

O ideal é dar opiniões apenas quando forem solicitadas. Contudo, se presenciarem situações desagradáveis, os avós podem demonstrar sua insatisfação, sempre com muito respeito e sem fazer comparações. Uma frase mal colocada pode ser o estopim de uma briga de proporções inimagináveis para a família. Ninguém quer um rompimento por conta de uma opinião, não é mesmo?

5. Atualize-se

Os cuidados com as crianças mudaram muito. Antigamente, os castigos físicos eram essenciais para ensinar o certo e o errado. Hoje, psicólogos e educadores defendem o diálogo como ferramenta fundamental para uma boa criação. Antigamente, criança saudável era gordinha e cheia de dobrinhas. Hoje, obesidade é uma doença que abre caminho para outras doenças. Avós precisam se atualizar sobre como é cuidar de uma criança nos dias de hoje. Ler revistas especializadas, pesquisar em sites e ir à consulta com o pediatra são lições para vovós e vovôs.

6. Conversar com a criança

Os avós transmitem paciência, por isso os netos adoram conversar com a avó ou o avô. Durante a infância, os assuntos são dificuldades com as atividades escolares e problemas com os amiguinhos. Na adolescência, os temas são sair com os amigos e as primeiras paixões. Com o passar dos anos, as conversas entre avós e netos esbarrarão no famoso “choque de gerações”, ainda assim, este diálogo é importante para estreitar os laços.

Atenção: durante as conversa, jamais  faça comentários negativos sobre os pais. Quando a criança disser “minha mãe é chata”, não responda “e bota chata nisso”, o comentário parece inofensivo, porém, é extremamente nocivo.

Feliz de quem pode conviver com os avós. As brincadeiras, o bolo de fubá, as histórias e a cumplicidade dão um gostinho especial à vida. Estas criaturas singulares são importantes para toda a família. Em momentos difíceis a sabedoria deles traz racionalidade e acalmam os ânimos.  Tarefa quase impossível é encontrar quem nunca pediu colinho da vovó ou do vovô.

Pais que trabalham fora entregam os filhos aos cuidados dos avós. Em meio a tantas notícias ruins sobre agressões de babás é reconfortante saber que as crianças estão com membros da família. Mas, em toda relação existem problemas. Alguns avós acreditam que os conhecimentos deles são superiores aos pais e desmerecem a criação mais pautada no diálogo.

Os avós passam lições para toda a vida. A primeira e talvez mais importante delas é o respeito às limitações inerentes à idade. Dentre os ensinamentos tangíveis, os netos podem adquirir o prazer da leitura, aprender a contemplar a natureza e fazer um bolo.

São coisas simples, mas, que farão toda a diferença na vida da criança.

A relação entre avós e netos é uma troca inesgotável. Os mais velhos repassam seus valores, enquanto os mais novos transmitem vitalidade, ensinam as maravilhas da tecnologia entre outras modernidades. Os mais velhos sentem-se úteis e capazes de enfrentar novos desafios, tanto que o espírito rejuvenesce, enquanto os mais jovens absorvem maturidade para lidar com seus conflitos. Pode-se dizer que o autoconhecimento é a palavra-chave dessa gostosa relação. Cada um descobre mais sobre si mesmo e vai além para presentear o outro com positividade e energia.

Em um mundo tão acelerado, a participação dos avós é super importante. A paciência deles é um bálsamo nesse mar de imediatismo que nos consome. Os pais não devem privar os filhos deste convívio porque não concordam com as opiniões. Divergências são comuns e bem-vindas, entretanto, elas precisam ser superadas para o desenvolvimento emocional das crianças. Pais e avós podem recorrer à terapia familiar para aprenderem a lidar com os conflitos e a extraírem o melhor da relação entre netos e avós. Você verá que o esforço valeu a pena quando seu filho voltar sorrindo da casa deles e quando sentir que os avós são aliados nesta difícil missão que é criar um ser humano.


Texto escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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