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O que é afeto e quantos tipos existem?

Imagem da palavra amor ecrita em inglês - LOVE - sobre um tronco de madeira e ao lado a imagem de um coração.
Ylanite Koppens / Pixabay
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Segundo o dicionário, afeto é um “sentimento terno de afeição por algo ou alguém”. Apesar de não ser uma palavra tão comum quanto amor e carinho, por exemplo, você já deve ter ouvido falar sobre afeto por aí, não é mesmo? Apesar de ter esse significado mais genérico, você sabia que afeto é um conceito muito importante para o estudo da psicologia humana? Preparamos um artigo para que você entenda os detalhes do estudo do afeto e desmistifique esse conceito. Confira!

O que é o afeto para a psicologia?

O afeto (também chamado de dimensão afetiva no estudo da psicologia) é um conjunto de percepções subjetivas que envolvem, principalmente, sentimentos e emoções e que nos ajudam a entender o mundo, dar significado a ela e à vida e a estabelecer vínculos com outras pessoas. Usando uma metáfora bastante poética, a vida afetiva é o que dá brilho, calor e cor à convivência humana, que seria fria, sem brilho e sem sabor caso não houvesse afeto.

Veja um exemplo: um casamento é só um casamento, mas deixa de sê-lo quando quem está se casando é você e a pessoa que você ama, certo? O luto é outro bom exemplo: quando lamentamos a partida de alguém que morreu e que já não estará entre nós estamos expressando o afeto que sentimos por aquela pessoa que acaba de partir.

O afeto, segundo as definições mais bem aceitas, é uma dimensão psicológica que abrange de modo complexo, individual e único um conjunto que envolve emoção e sentimento. Antes de seguirmos em frente, será preciso conceituar emoção e sentimento, palavras muitas vezes usadas como sinônimas, mas que têm significados diferentes para a psicologia.

Imagem de um casal em um parque arborizado. O rapaz esconde um lindo buquê de flores para entregar para a sua amada. É uma demonstração de amor e afeto.
Zachtleven fotografie / Pixabay

A emoção é uma reação complexa a episódica (ou seja, que não é permanente) e que envolve uma modificação biofísica, isto é, uma alteração física em nosso corpo. Alguns exemplos: quando um filme nos toca e choramos, estamos manifestando a emoção de maneira biofísica; quando olhamos nos olhos de quem amamos e nossa pupila se dilata ou nossos batimentos cardíacos ficam acelerados, estamos manifestando uma emoção; quando pensando em algo que nos causa nervosismo ou ansiedade e suamos frio ou sentimos um desconforto na boca do estômago, estamos sendo afetados pela emoção.

O sentimento, por sua vez, é um estado psicológico de longa duração, não episódico e que é sempre acompanhado de uma dimensão subjetiva (psicológica/mental). A emoção, como já explicado, tem como consequência uma reação biofísica; o sentimento, não, então não podemos saber o que uma pessoa está sentindo (já que é uma condição psicológica) a não ser que ela tente expressar em palavras os seus sentimentos, porque o sentimento não prescinde de reação física. É possível, por exemplo, olharmos fixamente nos olhos de alguém que amamos muito e não expressar absolutamente nenhuma reação física. É possível sentirmos muito ódio por algo ou alguém, mas nada em nosso corpo denunciar esse sentimento negativo.

O afeto é, portanto, a relação que se estabelece entre pessoas a partir de suas emoções, de seus sentimentos e de um sentido muito subjetivo e inestimável, que é o valor que damos às experiências emocionais pelas quais passamos (exemplos: quando sentimos que estamos amando alguém numa intensidade nunca antes sentida, quando uma morte causa em nós uma tristeza bastante profunda, quando uma frustração se apossa de nós como nunca antes etc.).

A afetividade, em resumo, afeta de maneira bastante sensível os nossos pensamentos e dão a eles valores, forma, matiz e conteúdo. Diz-se que cognição (pensamento, o modo como articulamos o que pensamos e dizemos) e afetividade (conjunto de emoções, sentimentos e valor) são um todo indivisível, porque pensamos a partir do que sentimos e sentimos a partir do que pensamos; ambos são independentes, mas extremamente inter-relacionados e, de certa forma, dependentes, sim.

Quais os tipos de afeto que existem?

Há três análises possíveis quando falamos sobre tipos de afeto, até porque o estudo da psicologia não segue uma linha única e diferentes autores pensam de diversas maneiras. A análise mais simples separa os afetos em positivos (amor, carinho, fraternidade, compaixão, generosidade etc.) e negativos (ódio, desgosto, desprazer, frustração, decepção).

Uma segunda análise “disseca” o afeto em quatro tipos básicos de vivências afetivas, que incluem as emoções e os sentimentos, já citados, mas vamos retomá-los para expandir o entendimento:

• Emoção: tem origem num objeto ou num acontecimento, tem reações corporais observáveis, são episódicas e de curta duração, são automáticas/inconscientes e são voltadas ao exterior, já que podem ser observadas;

• Sentimento: não são observáveis, já que acontecem internamente, prolongam-se e têm longa duração, não são de grande intensidade, como as emoções, não se associam a um estímulo imediato e surgem, normalmente, quando refletimos sobre nossas emoções;

• Humor (estado de ânimo): estado emocional em que a pessoa se encontra em determinado momento; é profundamente dependente das emoções que sentiu recentemente e dos sentimentos que estão passando por seu íntimo no momento;

• Paixões: estado afetivo muito intenso, que dirige a atenção e a disposição do indivíduo em uma única direção, seja uma pessoa, um objeto ou uma atividade, inibindo outros interesses.

Imagem de um casal sentados em uma cafeteria. O homem segura uma das mãos da mulher. É uma demonstração de carinho e afeto.
Carloshanksantos / Pixabay

Uma terceira metodologia separa os afetos em quatro categorias, baseadas nas pessoas com quem estamos nos relacionando e a quem direcionamos esse afeto, que é gerado com base nas emoções que essas pessoas nos causam e nos sentimentos que desenvolvemos por elas:

• Afeto familiar: como o próprio nome diz, é aquele afeto relacionado aos membros da nossa família, que poder ser o afeto materno, o afeto paterno ou qualquer outro tipo de afeto que esteja vinculado a alguém que é nosso parente e com quem convivemos não por afinidades, mas porque fazem parte do nosso núcleo familiar;

• Afeto fraterno: esse é o afeto que sentimos pelos amigos e pelas pessoas de quem gostamos e que fazem parte da nossa vida porque escolhemos, ou seja, são as pessoas de quem nos aproximamos por causa de afinidades, por causa do modo como nos sentimos quando estamos perto delas, por causa da atenção que nos dão etc.;

• Afeto romântico: tipo de afeto que está relacionado a uma relação amorosa, em que há sentimentos românticos e/ou sexuais. Está relacionado ao afeto fraterno, mas com essas pessoas mantemos relações sexuais, físicas e de envolvimento sentimental que não mantemos com todas as outras pessoas que fazem parte de nossas vidas;

Amor-próprio: esse é o afeto que você sente por si mesmo, ou seja, o carinho que sente por si e o modo como cuida e gosta da sua própria pessoa.

O que a falta de afeto pode causar?

Vínculos afetivos abalados e falta de afeto podem causar consequências graves na vida de uma pessoa. A quebra dos vínculos afetivos maternos e paternos, por exemplo, causados quando há abandono parental, pode afetar profundamente o desenvolvimento de uma pessoa desde os seus primeiros anos de vida.

Imagem de duas mulheres abraçadas e uma está dando um beijo no rosto da outra. Elas estão na praia e ambas usam óculos escuros e possuem tatuagem.
Ben Kerckx / Pixabay

A ausência de afetos fraternos, ou seja, de amigos, pode afetar bastante a autoestima de uma pessoa, que pode acabar se vendo como alguém desinteressante, solitário e abandonado. O mesmo pode ocorrer caso a pessoa não consiga estabelecer afetos românticos, o que pode causar baixa autoestima e abalo na percepção que tem de si mesmo como alguém interessante e/ou fisicamente atraente.

Muitas vezes, os abalos nos vínculos afetivos mexem conosco de maneira que nem mesmo conseguimos mensurar, por isso é importante explorar todas as suas relações em uma terapia, falando sobre o desenvolvimento de cada um dos seus afetos e entendendo onde as relações foram abaladas, por que há falta de afeto e como os vínculos afetivos podem ser reestabelecidos ou definitivamente descartados da sua vida.

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Afeto, enfim, é algo que todos nós temos e que desenvolvemos com as pessoas de quem gostamos e também com as pessoas de quem não gostamos, no caso do afeto negativo. Se você se mantiver atento aos vínculos afetivos que fazem parte da sua vida, conseguirá mensurar o impacto deles em sua personalidade e poderá cuidar da falta de afeto que eventualmente pode atrapalhar a sua caminhada.

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