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O que é necrofilia? Características e tratamento

Homem deitado no chão de olhos fechados ao lado de flores
Fernando Cabral/Pexels
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Quando uma pessoa falece, os familiares ou pessoas próximas devem decidir o que será feito com aquele corpo que um dia viveu. Alguns optam pelo enterro, outros pela cremação. Esse é o ciclo natural da vida, porque um corpo sem vida deixa de fazer parte da sociedade.

Porém, ele ainda pode ser preservado em um caixão para que os entes queridos o visitem, ou pode ser transformado em cinzas para ser guardado ou espalhado em um local simbólico.

O que não pode acontecer com o corpo de alguém que já faleceu é uma relação sexual. Além de ser incapaz de reagir a qualquer estímulo, o estado de decomposição da matéria orgânica pode trazer consequências negativas para quem almeja esse tipo de contato.

Também, uma relação desse tipo só pode acontecer quando há o consentimento das pessoas envolvidas, o que é impossível se uma delas já tiver falecido. Apesar disso, há pessoas que praticam a necrofilia, desrespeitando corpos que um dia viveram e provocando riscos para si e para quem convive com elas.

Necrofilia: Parafilia sexual desconhecida e perturbadora

A Necrofilia, do grego nekrós (cadáver) e philia (amor), é a excitação e prática sexual com cadáveres. A simples ideia desse contato sexual causa imenso prazer aos portadores deste distúrbio. A patologia está dividida em três categorias:

  • Necrofilia comum: prática do ato sexual com pessoas mortas;
  • Necrofilia homicida: quando o doente mata para fazer sexo com suas vítimas;
  • Necrofilia fantasiada: a relação não é consumada, mas as fantasias são constantes e excitantes.

Para o psiquiatra forense Rui Sampaio, que trabalhou no Instituto de Criminalística de Curitiba, as causas da Necrofilia são traumas de infância relacionados ao sexo. A teoria ganha força com o perfil de um necrófilo interno no Hospital De Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Franco da Rocha (São Paulo), publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria. O homem de 49 anos brincava com caixões na infância e foi violentado na juventude. O paciente abriu uma sepultura para colocar um cabo de vassoura em um cadáver feminino de 82 anos.

Um outro caso, mundialmente famoso, é de Carl Tanzler. O técnico em radiologia alemão radicado nos Estados Unidos se apaixonou por uma paciente no hospital da Marinha onde trabalhava. A moça morreu de tuberculose e teve o funeral pago por Tanzler, que ainda construiu um mausoléu. O homem retirou o corpo e levou para casa e mantinha relações sexuais com ela. O caso foi descoberto por Florinda, irmã de Maria, que foi até a residência de Tanzler após ouvir boatos. Florinda denunciou à polícia, que prendeu o necrófilo.

O que diz a lei sobre a necrofilia?

Mulher em pano transparente segurando flores em frente ao rosto
Foto de Lorraine Steriopol no Unsplash

Necrofilia não é estupro, pois a vítima não está viva. O distúrbio é enquadrado no artigo 210 do Código Penal que compreende a violação ou profanação de sepultura ou urna funerária. Mas, se o cadáver ainda for mutilado, a necrofilia está enquadrada como vilipêndio de cadáver, crime previsto no artigo 12 do Código Penal. Mesmo se houver mutilação, o autor é punido com reclusão de um a três anos ou multa.

Outra medida que pode ser tomada é a internação psiquiátrica, algo não aprovado por Rui Sampaio. Segundo o psiquiatra, os necrófilos têm total consciência dos seus atos. Rui defende a internação somente se o autor tiver outros distúrbios psicológicos associados.

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Como tratar?

O tratamento para Necrofilia envolve terapia e medicação. A terapia cognitivo-comportamental, onde o paciente é treinado para mudar padrões comportamentais, é a mais indicada para esses casos. A castração química também pode ser aplicada a esses pacientes.

A Necrofilia é uma patologia pouco conhecida. Entretanto, até as doenças mentais conhecidas não recebem a devida atenção. Saiba mais sobre distúrbios da mente.

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