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O que eu aprendi com o BLW, Baby-led Weaning

Mariana Monteiro
Escrito por Mariana Monteiro

Essa abordagem de introdução alimentar, que se tornou a queridinha das mães descoladas, ficou famosa por causa do livro de mesmo nome, das autoras Gill Rapley e Tracey Murkett (ainda sem tradução no Brasil).

De forma bem simples e resumida, o BLW consiste em permitir que o bebê tenha participação ativa na introdução de alimentos em sua dieta. Os pais são quase que meros expectadores, responsáveis por oferecer comidas saudáveis e estar prontos para intervir em caso de engasgos.

Feeding. Adorable baby child eating with a spoon in high chair. Baby's first solid food

Uma das bases do Baby-led Weaning é a relação entre o desenvolvimento do bebê e sua capacidade de se alimentar. O próprio início da introdução alimentar coincide com o momento em que a criança consegue ficar sentada, segurar os alimentos maiores e levá-los até a boca, geralmente por volta dos seis meses. À medida que vai desenvolvendo habilidades novas – como o movimento de pinça – ou vão nascendo os primeiros dentes, o bebê passa a comer pedaços menores e com texturas diferentes.

No BLW, é o bebê quem regula as quantidades. Decide se mama, quanto mama, quando mama. Decide se come e quanto come. Por isso, a definição de desmame guiado pelo bebê, pois, aos poucos, ele substitui a amamentação pelos alimentos, tudo a seu tempo.

Outro ponto fundamental dessa abordagem é que as refeições são feitas em família. Todos comem ao mesmo tempo. Nada de ficar correndo atrás do filho com uma colher de comida pronta para entrar na boca num voo rasante do famoso “aviãozinho”. A convivência é importante para que o bebê aprenda através do exemplo. Se todos comerem a mesma coisa, melhor ainda. Ficam saudáveis também os pais, que muitas vezes acabam fazendo adaptações na sua alimentação, passando a ingerir menos sal e menos industrializados.

Mais do que um método, o BLW é uma maneira de enxergar o bebê como ser individual e único. Muita gente pensa que o Baby-led Weaning é simplesmente oferecer comida em pedaços ao invés da tradicional papinha. Também há quem diga que bebês introduzidos aos alimentos através do BLW se tornam voluntariosos e com muitas preferências, já que podem escolher o que querem comer.

Nada disso. BLW é liberdade. É respeitar o outro.

Baby Boy Eating Fruit In High ChairSim, o bebê é um ser pensante e em desenvolvimento, assim como nós. É fantástico poder observar as descobertas de sabores, texturas, temperaturas. Perceber as dificuldades e superações.

É comer com a mão. Fazer bagunça. É ter preferências, sim. Mas quem disse que ter vontades é ruim? É um dia querer comer couve e no outro não. É querer comer feijão hoje e amanhã também. É fazer careta quando provar limão, se recuperar da sensação do azedo e pedir mais. Ou não. É ter a oportunidade de experimentar.

Dizem que BLW não é para todos os bebês e nem para todos os pais. É verdade, pois vai além da alimentação. Reflete uma maneira de enxergar o filho. Significa abrir mão do controle, não somente da quantidade de comida. Permitir que o outro seja único, autônomo, e se transforme num ser capaz de fazer escolhas, mas com a segurança de que seus pais estarão logo ali, ao lado, prontos para socorrer.

Sobre o autor

Mariana Monteiro

Mariana Monteiro

Idealizadora do instablog Poderosas Mães (@poderosasmaes), Mariana Monteiro é bacharel em Direito e em breve também em Jornalismo. Ama pesquisar e falar sobre roteiros de viagem, culinária, comportamento.

Esposa do Victor, músico, e mãe da Maria Alice, de 1 ano e 8 meses.

A maternidade despertou e uniu suas duas paixões: escrever e viajar. Afinal, viajar com filhos é possível, sem muitas mudanças ou adaptações na rotina, e o mundo precisa saber disso.

Utiliza a escrita para compartilhar suas experiências em busca de uma maternidade mais leve, não deixando de tratar e desmistificar temas importantes como amamentação em público, participação dos pais na criação dos filhos, baby blues,,alimentação.

Acredita que pode, com isso, ajudar outras mulheres (e homens, por que não?) a se empoderarem e aproveitarem plenamente esse momento tão maravilhoso.

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