Convivendo

O ser fraterno: verdadeiro significado

Amigos rindo juntos durante uma viagem
Jacob Lund / Canva

Fraternidade: substantivo feminino

1. laço de parentesco entre irmãos; irmandade.

2. união, afeto de irmão para irmão.

3. o amor ao próximo; fraternização.

4. harmonia e união entre aqueles que vivem em proximidade ou que lutam pela mesma causa etc.; fraternização.

Origem

⊙ ETIM lat. fraternĭtās,ātis ‘parentesco entre irmãos, fraternidade’

Fraternidade, nos tempos atuais, ultrapassa os laços entre irmãos. Sinônimo de solidariedade, de caridade e de compaixão, “ser fraterno” representa ser aquele que se compadecerá com a dor do próximo, sendo esse próximo alguém bem quisto ou não. Enxergar um irmão, de sangue ou não, como alguém que precisa do nosso amor e da nossa compreensão é mais do que indispensável para conviver no “mundo cão” em que vivemos. Quem gostaria de ter suas chagas expostas e reviradas? Quem gostaria de transpor uma dificuldade com ainda mais dificuldade, sem o apoio dos seus queridos ou mesmo dos desconhecidos?

Todos temos provações nessa encarnação, pois são elas que nos proporcionam crescimento e evolução. Mas permear uma situação difícil sozinho, sem compreensão das nossas limitações, é ainda mais complicado. Quando dividimos as mazelas, quando ouvimos palavras de incentivo e estamos rodeados de amigos carinhosos fica bem menos penoso experienciar as provações.

A fraternidade, espera-se, está presente entre irmãos. Os irmãos aprenderam as mesmas lições dos pais, ganharam o mesmo amor, cresceram juntos. Toda regra, contudo, possui exceções: alguns irmãos “de sangue” se detestam. Muitos amigos sem laço consanguíneo se amam. E faz diferença ter nascido na mesma família? A prova de que a fraternidade não é exclusiva de parentesco é justamente a amizade: os amigos são os irmãos que a jornada nos proporcionou e que escolhemos para trilhar os caminhos da vida.

Amigos rindo juntos na sala de estar
Afta Putta Gunawan / Pexels / Canva

Irmãos eleitos, irmãos amorosos, irmãos solidários; aqueles que nos mostraram fidelidade nos momentos mais difíceis, aqueles com quem podemos contar sempre! Temos, pelo menos, um amigo-irmão, uma amiga-irmã que acaba sendo o padrinho ou a madrinha dos nossos filhos (o bom e velho “compadre”, a querida “comadre”). A eles, confiamos nossos segredos, nossas inseguranças e nossas fraquezas, pois sabemos que não vão nos julgar e que ficarão ao nosso lado.

Como demonstrar fraternidade nos dias de hoje? A verdadeira máxima do “faça ao outro o que quer que façam a você” é a mais verdadeira prova de que, respeitando o outro, seremos respeitados. E se fizermos o bem, mas, ainda assim, sofrermos injúrias? Não somos responsáveis pela maneira como o outro age, por isso não podemos controlar suas atitudes. Se nos fizerem sofrer, não “devolveremos na mesma moeda”, pois (lá vem mais um clichê) “o certo é certo, mesmo que ninguém o esteja fazendo, e o errado é errado, mesmo que todos o estejam fazendo”. A dor do outro me dói quando eu imagino que, se fosse comigo ou com alguém próximo a mim, doeria muito! O simples fato de ser um ser vivo sofrendo já deveria me bastar.

A solidariedade pode ser exercitada… A irmandade pode ser praticada dia a dia, em doses homeopáticas ou gigantescas! Um conselho, uma informação que ajuda ou uma gentileza são atitudes simples, mas que (re)significam muito. Ninguém está pedindo a doação de um órgão (e se for? Que gesto lindo, o do doador de órgãos ou de sangue!). Normalmente, os pequenos gestos já estão enraizados de fraternidade. Abundância de amor é a resposta, pois o amor cura.

“A harmonia e a união entre aqueles que vivem em proximidade ou que lutam pela mesma causa” – o verdadeiro sentido da fraternidade está no dicionário e em nossos corações.

Sobre o autor

Caroline Gonçalves Chaves

Sou pedagoga formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em psicopedagogia e TICs, também pela UFRGS. Como educadora, atuei na educação infantil e na educação de jovens e adultos (EJA). Sempre gostei de escrever, e nos últimos anos tenho me aventurado à escrita de contos infantis (meu primeiro livro, "Dorminhoca", foi lançado em 2019). Tenho afinidade, ainda, por temas como direitos dos animais, abolicionismo animal e veganismo, por acreditar que os animais não humanos são merecedores de respeito e possuem direitos como os animais humanos – eles são nossos irmãos nesta caminhada de evolução. Sou também estudante do espiritismo kardecista, trabalhando em uma sociedade espírita da minha região.

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Livro: autografia.com.br/?s=dorminhoca