Saúde Integral

O uso de psicotrópicos no tratamento paliativo de câncer

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

O que você faria se tivesse câncer terminal? Essa pergunta pode parecer horrível, mas devemos lembrar que muitas pessoas passam por essa situação. Você seria capaz de tudo para aliviar a sua dor? E essa pergunta não se dirige apenas à dor física, mas também à dor emocional. A dor da alma, do coração e da mente.

Ser diagnosticado com uma doença terminal, ou seja, aquela que a medicina em seu mais alto e requintado nível tecnológico não consegue barrar, deve ser devastador e deve, muito provavelmente, causar danos maldosos aos pacientes.

Porém, se existisse algo que diminuísse essa dor, mesmo que fosse algo ainda em teste, você estaria disposto a correr o risco? E se a substância fosse, literalmente, uma droga?

Diversas drogas consideradas ilegais em muitos países do mundo (e o Brasil está incluído nesta listagem) são usadas como tratamento de doenças terminais ou que possuam poucas possibilidades e/ou oportunidades de cura.

O ácido lisérgico, mais conhecido como LSD, é uma dessas drogas que, apesar de proibida em muitos locais, tem sido usada durante anos como parte do tratamento de pacientes com ansiedade e outros problemas psíquicos.

Tudo começou quando o químico Albert Hoffman sintetizou o LSD em 1938. E, desde 1971, o norte-estadunidense Timothy Leary batalha pelo uso desse alucinógeno como tratamento paliativo para doenças. Ele foi um dos principais nomes para o assunto.

Pois é, mesmo fora da lei, Leary acreditava em sua pesquisa e em sua teoria, e batalhou para fazer ser ouvido. Conseguiu. Em pouco tempo, a história de sua vida se fundiu com a história do uso do LSD.

Mas, além dele, diversos outros pesquisadores trabalharam para entender essa substância e, até o começo da década de 1970, já haviam sido feitas mais de 700 pesquisas sobre o uso do LSD, entre outros alucinógenos, para tratamentos.

De acordo com esses estudos, doenças como esquizofrenia, depressão, ansiedade, entre outras que também estão na lista, podem ter seus sintomas amenizados com o uso do ácido lisérgico.

O LSD foi ficando cada vez mais famoso e, a partir do momento que foi liberado em farmácias americanas e, é claro, começou a ser usado para muitos outros fins, além do medicinal.

Afinal, não é segredo que a droga também aumenta diretamente os níveis de criatividade e atividade cerebral como um todo.

Com isso, o LSD influenciou a vida (e as carreiras) de jovens promissores à época e que, depois, se tornariam grandes influenciadores mundiais, como John Lennon, famoso cantor dos The Beatles, e Steve Jobs, fundador da Apple, por exemplo, entre muitos outros. Porém, o uso desmedido da droga fez com que pessoas tivessem danos neurológicos tremendos, chegando a cometer suicídios ou crimes horríveis, sem nem mesmo perceberem que estavam fazendo tais ações, tudo por causa do efeito do alucinógeno.

Tão logo, o LSD e outros alucinógenos foram considerados proibidos por lei nos Estados Unidos e, pouco tempo depois, a ONU (Organização Mundial da Saúde) tomou os EUA como exemplo e proibiu o comércio e o uso da droga no restante do mundo.

Tratamento de doenças crônicas e terminais

Tudo isso aconteceu até a década de 1970. E foi somente no final de 1990 e começo do segundo milênio que os estudos com alguns alucinógenos conseguiram voltar a existir. Em 2011, o psiquiatra Peter Gasser divulgou sua pesquisa que abordava o uso de LSD no tratamento de depressão. E, depois de tantos anos (mais de quatro décadas), o alucinógeno começou a ser repensado como tratamento alternativo.

Hoje, há diversas pesquisas que mostram esse alucinógeno para outros fins, inclusive para o tratamento de alcoolismo severo e para doenças do cérebro e do sistema nervoso. Há, também, pesquisas e estudos que mostram o uso desse psicotrópico para o tratamento paliativo de câncer terminal. Doenças terminais afetam o ser humano de formas inimagináveis e diferentes, que variam de caso a caso. Mas, mesmo assim, é comum confirmar quadros de ansiedade, nervosismo, raiva, frustração, melancolia e depressão em pacientes com esse tipo de doença. E o LSD pode ser de grande valia, uma vez que a terapia convencional de nada adianta para essas doenças que, nesses casos, são secundárias.  

Um trabalho feito na Suíça foi publicado no The Journal of Nervous and Disease Mental. Nele, o ácido lisérgico foi usado em 12 voluntários que viviam com câncer terminal e transtornos de ansiedade comprovados e diagnosticados. Um psicólogo ficou disponível durante as aplicações das doses nos pacientes, além de pesquisadores, professores, cientistas e uma equipe médica e multidisciplinar.

Os resultados comprovam que oito, dos 12 pacientes voluntários, apresentaram níveis de ansiedade mais baixos após duas sessões, ou seja, após duas aplicações do LSD. Os efeitos benéficos das aplicações perduraram por um ano, comprovados quando os testes psicológicos e psiquiátricos foram refeitos nos pacientes.

Uma nova pesquisa vem surgindo, com cientistas alemães e norte-americanos, sobre o uso desse ácido no tratamento de câncer terminal. Porém, assim como a pesquisa realizada na Suíça, o número de voluntários é pequeno, por causa da limitação do Estado em permitir tais estudos.

E é justamente por isso que, por enquanto, os testes só foram aplicados em um número reduzido de pessoas. Portanto, os resultados não podem e não devem ser generalizados. Contudo, uma grande gama de cientistas e pesquisadores concordam com a necessidade imediata de aumentar os estudos e pesquisas a respeito do uso do LSD, concordam também com o uso imediato do ácido em tratamentos terminais.


Texto escrito por Giovanna Frugis da Equipe Eu Sem Fronteiras

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