Espiritualidade

Os vícios na visão espiritual

Silhueta de mulher pensativa num lugal escuro e fechado
KieferPix / Shutterstock
Escrito por Eu Sem Fronteiras

“Vício” é uma palavra originária do latim, “vitium”, que significa “falha” ou “defeito”. É um desejo incessante que o corpo sente por determinada atitude ou substância, fazendo com que a pessoa busque exageradamente o que deseja. Para a OMS (Organização Mundial da Saúde), o vício é uma doença física e psicoemocional; já para a psicologia, é um mecanismo de fuga emocional, ou seja, um meio de bloqueio da dor.

Antigamente, o vício era definido apenas como uso de algumas substâncias, já hoje em dia, isso se entende também a comportamentos. Alguns exemplos são: álcool, cigarro, celular/internet, sexo, jogos digitais, apostas, medicamentos, compras, compulsão alimentar, trabalho e outros, como o vício em se cortar, em sentir dor e em atividades físicas, por exemplo.

O vício afeta o cérebro em muitos níveis diferentes, tanto em funcionamento químico como nas sinapses de aprendizado; já que seu corpo libera muito mais substâncias neurotransmissoras ligadas ao prazer e ao bem-estar do que o normal, o que faz com que a pessoa sinta cada vez mais necessidade daquilo, em doses muito maiores. No campo emocional, o vício leva à abstinência, que pode causar sintomas semelhantes à depressão ou até mesmo a própria depressão em si. No campo espiritual, os vícios dão ao corpo espiritual uma espécie de corrente, deixando-o condenado no nosso mundo.

O que o espiritismo fala sobre vícios?

Segundo o espiritismo, os espíritos que são menos evoluídos ou perturbadores não aceitam a evolução espiritual e procuram pessoas de acordo com os vícios anteriores, virando então espíritos obsessores que se grudam na aura da pessoa. Esses espíritos são geralmente viciados de uma vida passada que tendem a procurar pessoas que tinham vícios próximos aos seus quando ainda eram vivas, como forma de sentir as mesmas sensações, fazendo com que a pessoa que afetada por esse espírito fique cada vez mais viciada.

Obsessão espiritual

Os obsessores são espíritos com cargas negativas, que trazem desarmonia e sugam nossa energia, ou seja, intencionalmente ou não, trazem problemas a quem está em volta. A obsessão espiritual é uma ação de vingança que os espíritos inferiores usam como forma de dominar alguém. Eles encontram vícios compatíveis por meio de pensamentos ou emoções, instalam-se em nós, influenciando-nos a sanar os próprios desejos, levando a uma compulsão ou a um vício em algo. Por isso o cuidado com obsessores é tão importante: eles podem influenciar nossos pensamentos, decisões e nossa saúde.

Sintomas dos espíritos obsessores

Alguns sintomas são clássicos para identificar a presença de um obsessor, como ondas de pensamentos negativos; baixa autoestima e falta de vontade para curtir a vida ou aproveitar os relacionamentos; lesões espirituais; maior sensibilidade e vontade frequente de chorar; muita compulsão por comida; álcool, drogas ou algum outro vício; agressividade e maior irritabilidade: brigas tanto em casa, como no trabalho ou com amigos; enxaquecas, náuseas e dores de estômago são frequentes e há também indícios de vitimismo, como sentir que todas as pessoas te julgam e ninguém te entende.

O que é obsessão, segundo Allan Kardec

Allan Kardec definiu a obsessão como o domínio de alguns espíritos inferiores sobre certas pessoas; esses espíritos desejam se impor, dar ordens e serem obedecidos. Assim como um mal patológico, os males espirituais encontram uma forma de se apossar do corpo de um indivíduo se aproveitando de falhas no seu sistema de defesa. Com isso, Kardec os definiu em três graus diferentes, cujos sintomas variam:

Silhueta de homem pensativo na janela à noite
aslysun / Shutterstock

Obsessão simples: é caracterizada por um momento desagradável, no qual o espírito se agarra à pessoa, causando mal-estar; tem influência sentimental, como crises de irritação sem motivos, crises de choro que não passam, desânimo frequente e muitos altos e baixos durante o dia.

Fascinação: é uma ilusão produzida pela ação direta de um obsessor, que, simulando falsas virtudes, altera o julgamento e inspira uma confiança cega, sem discernir certo e errado, fazendo com que a pessoa aceite tudo por achar que pode ser um anjo da guarda a protegendo. O obsessor a faz pensar que a está protegendo, que a compreende e que o melhor pra ela é se afastar de todos, inclusive de amigos e da família.

Subjugação: é o domínio extremo do obsediado pelo obsessor, também chamada de possessão; o espírito toma conta de sua moral e de suas ações. É como se o espírito assumisse o corpo da pessoa, dominando-a e agindo de acordo com suas vontades.

Como saber se você tem um vício

Embora o diagnóstico deva ser realizado por algum especialista, alguns importantes pontos devem ser levados em conta se houver suspeita de um vício, especialmente atitudes ou reações. É claro que os sintomas variam de acordo com cada vício e de pessoa para pessoa, porém alguns sintomas em comum são:

• Dificuldade para controlar os impulsos;
• Sentimento de impotência em relação ao vício;
• Não admitir ou aceitar o vício – não achar que é de fato um problema;
• Dependência em qualquer situação: usado como uma fuga;
• Aumento de necessidade significativo com o passar do tempo: doses cada vez maiores;
• Não passar ou conseguir passar muito tempo longe do ato em questão;
• Sensação de abstinência;
• Autoengano: acha que está tudo sob controle;
• Falta de atenção e perda de controle sobre as próprias atitudes e impulsos.

Ressaltando que o uso de medicamentos por contra própria ou autodiagnóstico pode levar a alguma consequência grave. O ideal é buscar ajuda com pessoas especializadas e terapeutas, por exemplo.

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E aí? Gostou do artigo? Notamos que vícios vão muito mais além do que só o alcoolismo e o tabagismo, pois até mesmo pequenas atitudes são consideradas vícios, dependendo do grau em que deixamos acontecer em nossa vida. Evitar costumes repetitivos e maléficos, sair da rotina e se policiar acerca do que está acontecendo em sua vida podem ajudá-lo a se manter longe de vícios no futuro. Gostou? Que tal compartilhar com um amigo e explicar a questão dos obsessores também?

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