Convivendo

Pai

Homem segurando uma bíblia e foleando
Rod Long/Unsplash
David Hugo Peczenik
Escrito por David Hugo Peczenik

A narrativa do “Gênese” apresenta Adão como o primeiro homem, criado à imagem e semelhança do Criador. Adão, o primeiro pai sobre a Terra, e o primeiro filho de Deus, o Pai Celestial.

Sob a perspectiva cabalística, Adão e Eva surgiram antes mesmo da criação do mundo físico. O Criador compartilhava de sua luz espiritual com seu filho, que por sua vez recebia todas essas emanações de forma plena e ininterrupta.

A esse fluxo contínuo de bênçãos os cabalistas se referem como “Mundo Infinito”. A Cabalá ensina que o “Antigo Testamento” é rico em códigos. Sendo assim, Adão é um código para um receptáculo perfeito para receber as ondas de amor incondicional, sabedoria, paz, saúde, harmonia e muitas mais energias que desejaríamos ter em nossa vida, levava em DNA espiritual a herança do Pai, que por sua vez se traduzia no compartilhar.

Dessa forma, Adão nunca sentia nenhum tipo de carência, sede ou fome, já que era constantemente nutrido e satisfeito pelas emanações divinas. Afinal, não seria esse o significado real do paraíso?

Bebê segurando dedo de uma pessoa
Joshua Reddekopp/Unsplash

Mas o gene do compartilhar se fez notar em Adão, que percebeu que recebia todas as bênçãos ininterruptamente, infinitamente, mas sem se sentir merecedor de tanto.

Como se um pai não deixasse que nada faltasse ao filho, e este percebesse que estava sendo mimado. Em algum momento, o filho se sentirá incomodado por não ter algo que só ele pode criar; merecimento.

E conscientemente pede ao seu pai que lhe dê a oportunidade de passar a merecer as suas bênçãos, para enfim poder voltar a receber sem constrangimentos e sem limitações.

O episódio de Adão nos textos bíblicos se encerra com a sua saída do Éden, por sua desobediência ao ter provado do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. A Cabalá ensina que o Homem é o único ser que, no momento da Criação, foi dotado de livre-arbítrio. Sendo assim, o Pai sabia que Adão poderia fazer uso de seu poder de escolha e, de fato, o fez.

Quando os textos bíblicos narram a “vergonha pela nudez” de Adão e Eva, trata-se, na verdade, da tomada de consciência de Adão de que ele, até então, vinha sendo espiritualmente nutrido incondicionalmente, sem mérito algum, e resolveu escolher pelo trabalho espiritual, para construir mérito. Portanto, se o Criador deu o livre-arbítrio a Adão e à sua descendência, não faz sentido algum considerar penalidade por uma escolha.

Pai segurando seu filho em seu quarto
Helena Lopes/Unsplash

Pais e filhos emulam essa mesma relação de amor e respeito.

Cabe aos pais prover segurança, valores morais e éticos, compartilhar suas histórias e experiências para que estes estejam presentes como referenciais em cada momento de escolha de seus filhos.

O pai precisa ser carinhoso mas firme; confidente mas, se preciso for, enérgico.

E quando os filhos crescem e se emancipam o pai torce incondicionalmente pelo sucesso deles, entendendo que a busca dos seus filhos é por reconhecimento, por mérito.

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Filhos conscientes, responsáveis e felizes, quando encontram seus pais, experimentam além do amor incondicional o reconhecimento que souberam construir.

Adão veio do paraíso ao mundo físico para criar mérito por meio do trabalho espiritual, e quando a humanidade tiver finalmente aprendido a compartilhar com amor incondicional todos voltaremos ao Éden.

Sobre o autor

David Hugo Peczenik

David Hugo Peczenik

Judeu, tive meu primeiro contato com a cabala aos 8 anos, por meio do meu avô materno.

Em 1998 me afiliei à Ordem Rosacruz, onde comecei a dar palestras e cursos sobre o tema, no estado do Rio de Janeiro.

Escrevo em minhas páginas do Facebook e Instagram intituladas “O Pomar dos Aprendizes”.

Assinei uma coluna sobre cabala em um jornal online de uma cidade no Rio de Janeiro e fui convidado a escrever um artigo para uma revista de bairro de grande tiragem.

Atualmente realizo lives e dou cursos à distância.

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