Autoconhecimento

Perdoar é preciso, inclusive a si mesmo

Zil Camargo
Escrito por Zil Camargo
Um amigo me contou sobre seu dia no trabalho, disse que ele tinha sido marcado por muitas realizações e finalizou o expediente orgulhoso de si mesmo.

Essa satisfação tão contagiante me fez pensar nas minhas próprias realizações, nos meus momentos de júbilo e também nos meus erros. Pensei em quantas conquistas tive e marcaram meus dias e nos dias em que perdi a excelente oportunidade de, ao menos, ficar calada.

Perguntei-me se eu faria algo diferente caso pudesse voltar atrás nesses dias ruins, e evidente que sim, mas essa conclusão somente foi possível com base na experiência atual.

Abrir o coração para si mesmo, ouvir os próprios medos, curar certas feridas.

No momento em que tais coisas foram vivenciadas eu não era a pessoa que sou hoje. Entendo que sempre fazemos aquilo que é o melhor a fazer sob nosso julgamento, com base na experiência que temos até aquele momento.

Isso acontece no trabalho, origem da minha reflexão, mas também em todos os outros campos da vida e relacionamentos interpessoais. Ocorre que muita gente carrega essa etapa, cujo resultado se mostrou um engano, com pesar e arrependimento, muita vezes se punindo ou se boicotando por conta disso.

Mas será necessária tanta expiação?

Vamos pensar que perdoar não é concordar com determinado fato. É absolvição, doação de compaixão e entendimento. Absolvição porque ao nos perdoar iremos beneficiar outros, nos tornando pessoas mais leves e seguras.

Compaixão sobre o momento de uma determinada escolha, no qual provavelmente os recursos que tínhamos eram escassos para uma melhor análise ou atitude. Entendimento de que é permitido errar, mas que nossos atos têm consequências e devemos nos responsabilizar por elas, ainda que isso implique um enorme esforço de nossa parte.

Além disso, exige imensa honestidade, um exame de consciência profundo. Abrir o coração para si mesmo, ouvir os próprios medos, curar certas feridas. Por fim, aprender com a experiência para que nossa alma conviva corretamente com essas sensações e para que saibamos conduzi-las como um guia para viver.

O poder curativo do perdão e do amor talvez seja o remédio mais poderoso que temos à nossa disposição. A vida vai se encarregar de nos trazer novas situações ou situações parecidas com as já vividas anteriormente. Quando isso acontecer, saberemos como reagir de modo saudável e natural, refletindo positivamente em nosso estado emocional.

Sobre o autor

Zil Camargo

Zil Camargo

Na diversidade de cada ser, é injusto com a vida, neste mar de experiência que ela concede, tentar nos definir assim, com meras palavras.

Mas dentro de mim mora alguém inspirada, sensível, às vezes curta ou grossa, ora dramática, ora objetiva.

Mãe, artesã, escritora amadora; consultora para ganhar a vida e interessada no comportamento humano.

Estudiosa de assuntos relacionados à psicanálise, filosofia e espiritualidade; uma aprendiz procurando desenvolver oportunidades em busca do bem viver.

Contato: [email protected]