Convivendo

Quem é você para o mundo?

A filosofia vem com a clássica pergunta: “Quem é Você?”. Não sobre sua idade, ou nome, nem sua profissão… mas quem é você?

É uma reflexão sobre existência, porque Eu sou Eu, e só Eu posso ser capaz de fazer aquilo que me propus a fazer ou que a vida me pôs em tal circunstância.
Não podemos comparar problemas, dores, conquistas ou méritos.

Não se trata de superioridade, mas se você vai dar uma aula, naquele momento, você tem que ser o melhor professor, afinal, é ali que você, no quesito consciência, está e deve estar, ou fazer de tudo para que isso seja realidade.

Um professor posposto a uma lousa na qual se pode ver operações matemáticas escritas.
Stefano Oppens de corelens / Canva

Uma reflexão do filósofo e professor Mário Sérgio Cortella diz algo incrível sobre isso: “Faça o teu melhor, na tua melhor condição, enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda”.

A filosofia, no início dos tempos, como o próprio termo dado por Pitágoras, significa amar (Filo) a sabedoria (Sofia), ser íntimo da sabedoria, logo, tinha uma ideia mais ligada ao externo: o que é a vida? O que é o universo? Quem é o outro?

A partir do século quinto, com a chegada dos grandes pensadores gregos, Sócrates vem com a famosa e sólida ideia de “Conheça-te a ti mesmo”, que é uma busca contínua durante a vida para aqueles que estão dispostos a sair de uma condição rasa e superficial.

A Psicanálise traz essa ideia bem forte para o além do óbvio, o olhar Hermenêutico de si mesmo, esse mergulho no inconsistente é um movimento filosófico no sentido como busca, extra místico, com uma diferença. A filosofia vai dizer, “Quem é você para com o mundo?”, conivência e coletividade, como Platão dizia, “eu só tenho noção do outro quando me conheço como indivíduo”.

Um homem de braços abertos sendo iluminado pelo sol.
Zura Modebadze / Pexels

A Psicanálise vai propor, “Quem é você, para com você?”. O que faz ou não sentido dentro da sua régua? E, então, o conceito de dentro para fora. Agora, qual o seu papel? Em seguida, qual o papel da filosofia?

Colocar um ponto de interrogação em toda exclamação, esse é o motor, que move tudo aquilo que é possível de se perceber à medida que nos movimentamos perante a vida.
Não se trata de não ter convicção, mas sim, questionar o que deve ser questionado, afinal, a vida é mutável.

Como diria Descartes: “Nossa maior convicção é saber qual nossas dúvidas.”
A filosofia não responde nada, ela te faz gerar mais perguntas, pois a vida é assim. Às vezes, nos preocupamos com as respostas, mas nem sabemos quais perguntas fazer, e nesse caso, aconselho estudo e terapia.

Pode parecer frustrante, mas não tem a ver com o certo ou errado, e sim, o que faz bem e o que faz mal.

Dois grupos de nuvens distribuídos em lados diferentes do céu. À esquerda, vê-se um grupo de nuvens escuras e carregadas; à direita, um grupo de nuvens claras e menos espessas.
John Ashmore de Getty Images / Canva

Pensamos na pirâmide que liga a humanidade, como a política, a arte, a ciência e a religião, e fazemos essa relação entre o que acreditamos fazer bem, ainda que diante do caos.

Política busca a justiça; a arte busca o belo; a ciência, a verdade; e a religião, o bem.
Hoje, nos vemos longe disso, mas, quem sabe, um dia. É difícil isso tudo seguir uma ordem a partir de tantos seres em constante movimento e pontos de vistas entre justamente o que se deve ou não.

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Há muitos cobrando seus direitos, mas poucos sabem seus deveres, ou ignoram por egoísmo.

Não seja assim. Faça o teu melhor, para com você e para com o mundo.

Sobre o autor

Vitor Vieira

Vitor Vieira, 26 anos, psicanalista, cantor, compositor, escritor e apaixonado por filosofia.

Sou colunista nos sites Eu Sem Fronteiras e Ajudaria, e professor no Instituto Paulista de Psicanálise.

Acredito que somos todos um só, dentro de cada particularidade. Somos irmãos, aprendendo e evoluindo, dia após dia, sempre em busca de somar e multiplicar conhecimento e sabedoria.

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