Autoconhecimento

Identidade e sua inteligência emocional

Blocos de madeira com as letras I, E, Q.
dmitrydemidovich / 123rf
Escrito por Vitor Vieira

Dentro de uma sessão psicanalítica tratamos muito sobre a questão de lidar com sentimentos, como expor esses sentimentos e emoções tanto para o analista como para a vida, mas quando se trata sobre exportar, devemos lembrar que para isso é necessário importar, que nada mais é do que portar para dentro, agora como exportar algo antes de importar? Ainda mais em se tratando de feridas, curas, lições, raivas, amores, dentre outros tantos sentimentos e emoções que vivemos mais preocupados em afirmar exportação do que absorver para importação, e aí, sim, de fato, saber como manifestar tal ação.

Hoje em dia é muito comum, e às vezes até maçante, vermos a ideia do que seria a inteligência emocional, a maioria das pessoas responde que é o “controle das emoções”, e eu reflito que para controlar uma emoção devemos entender o que é uma emoção, e mais uma vez uma grande parte da humanidade responde “Emoção é tudo que sinto”, está errado, pois quando nos machucamos fisicamente sentimos uma dor, essa dor é emoção? Não, então para entendermos exatamente como é quando estamos emocionados, vou dar um exemplo prático, vamos supor que você acorda bem, em um dia ensolarado, aparentemente tranquilo, e decide ir a um zoológico; chegando lá você está feliz, relaxando, e então depara com um leão fora do recinto, seu corpo sofrerá algumas mudanças no momento em que seu cérebro registrar a informação de um leão estar à sua frente, por conta da emoção que você sentiu naquele momento ele libera uma série de programações corporais, dentre elas, seu estômago para de produzir enzima, sua boca fica seca, você começa a suar, dilata a pupila, sua mente vai liberar uma adrenalina para que você fique focado naquele problema em questão, e tudo isso simplesmente pelo mero registro da informação que podia ser simplesmente uma imagem em 3D, poderia ser um holograma, mas como todas essas mudanças acontecem em menos de 1 segundo, não tem como você controlar suas emoções de fato, isso serve para situações tanto de medo, como de tristeza, de felicidade, o choro é manifestado por uma série de motivos, e ele é uma manifestação dessa emoção que é causada no nosso corpo, ou seja, as emoções são esses mecanismos que a natureza criou para que possamos nos comportar de maneira eficiente em determinado momento, sem perdermos tempo, é automático.

Podemos, então, controlar as emoções? Não, o que podemos é controlar comportamentos, e esses comportamentos gerarem uma mudança emocional, existem diversas formas de você buscar esse controle emocional, como a meditação, ela pode te auxiliar na respiração e esse controle na respiração alterar de forma positiva suas emoções, porém, antes de querer controlar as emoções ou seus comportamentos, é necessário entender e identificar seus processos emocionais, se você é mais extrovertido, introvertido, prefere receber ordens ou dar ordens; tudo isso resulta numa combinação de identidade que você pode e deve domar de acordo com a busca desse controle emocional, como, por exemplo, se você está diante de uma possível situação de discussão, algo que te incomoda e te faz perder a cabeça, o que você faz sabendo que tudo pode sair do controle em instantes? Você evita uma conversa naquele momento e depois de mais calmo retoma as rédeas e controla seu comportamento para que a emoção de descontrole não venha, obviamente tudo tem uma consequência e é necessário buscar essas adaptações diante de determinadas situações, nem sempre você poderá adiar uma conversa ou pedir 5 minutos para que se acalme, mas reconhecer e identificar suas emoções é o primeiro passo para a inteligência emocional.

Parte do rosto de pessoa branca deitada.
Zulmaury Saavedra / Unsplash

É necessário refletirmos sobre esse autocontrole que é tão exigido pelo outro e por nós mesmos, nesse autocontrole existe um paradoxo onde quanto mais temos mais ele se esgota, existem pessoas que têm um controle maior no começo do dia, estão mais focadas, mais produtivas, emocionalmente e racionalmente concentradas para qualquer decisão, porém, ao longo do dia, isso vai se desgastando e no final todas aquelas promessas feitas no início do dia são deixadas de lado, pois a luta entre o autocontrole, a ansiedade e o stress de certa forma fez com que elas fossem embora, e isso tudo faz parte dessa busca pela inteligência emocional, onde identificamos como e quando tomar as melhores decisões naquele momento de forma prática, é uma estrada que durante toda a vida você percorrerá.

Identidade, é o que todos nós em algum grau buscamos para nos reconhecermos, e Jaques Lacan traz uma teoria interessante sobre essa questão em o “Estágio do Espelho”, que seria quando a criança passa a reconhecer o próprio reflexo, porém, se olharmos apenas o reflexo, não sabemos o que se passa dentro de nós, apenas o exterior, por dentro estamos em um turbilhão de sentimentos, imagens, sons, dentre tantos outros, e por fora essa imagem relativamente organizada e estável.

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Tanto nossa imagem quanto nossas palavras não sabem, de fato, transmitir o que se passa no nosso interior, e isso não seria considerado uma falha, e sim uma realidade dessa geração da humanidade desde a sua existência, será que realmente queremos ser compreendidos? Porque estamos de certa forma sozinhos dentro das nossas próprias condições e convicções perante o mundo externo, para muitos isso pode ser um problema, para outros a graça da vida, pois o que teria de novo se todos nós compreendermos uns aos outros? A grande questão é por que compreender, e o que fazer depois disso, os meios nem sempre justificam os fins, não é porque tudo tem um preço que devemos estar dispostos a pagar, essa compreensão deve partir do respeito às vulnerabilidades de cada ser, pois todos devemos ser vulneráveis para que haja um comprometimento mínimo consigo mesmo e com o próximo.

Sobre o autor

Vitor Vieira

Vitor Vieira, 24 anos, psicanalista, cantor, compositor, escritor e apaixonado por filosofia.

Sou colunista nos sites Eu Sem Fronteiras e Ajudaria.

Escrevi o livro “Voz da Luz – Viagens astrais, missões terrenas”, no qual descrevo e conto um pouco da minha trajetória até agora na espiritualidade, entre desdobramentos e despertar de consciência.

Acredito que somos todos um só, dentro de cada particularidade. Somos irmãos, aprendendo e evoluindo dia após dia, sempre em busca de somar e multiplicar conhecimento e sabedoria.

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