Convivendo

Regozijo da insanidade

Thiane Avila
Escrito por Thiane Avila

Por vezes, deparamo-nos com a sanidade em demasia a entrar pelos ouvidos, fazendo crer na esfera prodigiosa de fazer pela compreensão. De nascer pela presunção de cumprir tarefas e expectativas. Ao contrário do que se premedita em berço, a necessidade de ser alguém transpassa pela capacidade de formar-se como ninguém. De habituar-se à realidade de simplesmente pertencer a uma indiferença inerente ao mundo, que se presta a iludir a alma cedente por destaque. O egoísmo esfola e faz vomitar somente o que se pensa.

A maior tristeza talvez seja a da segurança extrema sobre as próprias verdades. A calamidade de precisar anunciar privilégios e bonificações para crer em quem se diz que é. Colocando, pois, o outro em patamar inferior, infere-se sobre o próprio peito a robustez de um valor nulo. De uma existência ofensiva e de despropósito. A proliferação de falsas verdades para o engrandecimento da aura hipócrita. Amando e endeusando sua sinceridade como se dela pudesse tirar todas as justificativas para agir com estupidez e desdém.

Todas as vezes que o amor nasce, seja ele em forma de carinho e atenção, ou então em comprometimento e disponibilidade, algo de subliminar surge na rotina, transbordando o vazio em singelezas. A cada grito que ouço, com o único intuito de prestigiar a própria existência, gera em mim a repugna de quem, na verdade, sabe ser muito pouco.

A ausência de eloquência nas notas que guiam os dias.
Colocar o outro em posição de culpa solitária, de estremecimento vil de estruturas construídas a dois, isso apenas prova a falta de maturidade frente à vida. De idade o mundo está cheio; no entanto, vê-se que ela pouco condiz com as atitudes que carrega em detrimento das próprias prioridades e valores.

Ao abastecer-se de único amor, e não amor-próprio, o ser egoísta alimenta-se tão somente das suas certezas. Enobrece-se pelo prazer de vomitar rancores. Deseja, pois, o mal alheio assim como acredita que sua prepotência é sinal de razão. Que sua agressividade empodera e reafirma qualquer coisa semelhante à personalidade. A personalidade, pois, perpassa antes a atmosfera da empatia e do desvelo ao regozijo compartilhado. Feliz aquele que preenche o coração de boas intenções, limpando a sujeira acumulada por quem inferiu de forma completamente destoante à realidade. Nossos amores não devem nunca assumir a culpa das decepções passadas. Não se envolver por medo do sofrido é como antecipar a causa da morte ainda em vida.

Regrets

Inauguro, pois, em meu regozijo de insanidade, a destreza frente ao desconhecido. Não poupo esforços ao acariciar o estranho, colocando à prova minha capacidade de não olhar as feridas ainda não cicatrizadas. Sendo, assim, a tentativa desenfreada de fazer também pelo outro, permaneço em latência com aqueles que de mim sugam apenas o benefício. Ao reconhecer defeitos, provamos o quanto vale a pena a caminhada. Quando apenas o agrado convém, presumo a distância como o melhor antídoto.

De dúvidas e cobranças, bastam as minhas.
 Ao pontar minhas desvalias, a outra existência apenas confirma a cegueira frente às suas. De gente que não consegue enxergar o entorno do próprio umbigo, já estou satisfeita.

Sobre o autor

Thiane Avila

Thiane Avila

Com experiência na área da educação, Thiane já ministrou aulas particulares de Língua Inglesa e Portuguesa, bem como atuou em escolas de idiomas. Estudante de relações públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, também cursa teatro e é colunista de uma Revista em sua cidade natal, Gravataí, além de colaborar com outras plataformas virtuais literárias.

A escrita já rendeu algumas premiações nacionais e participações em coletâneas. Os prêmios recebidos contemplam o 3º lugar no Concurso Literário Icozeiro (julho de 2014), o certificado de Qualidade Literária pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores (maio de 2015) e o reconhecimento pelo Conselho Editorial da Câmara Brasileira de Jovens Escritores do Rio de Janeira pela qualidade literária da obra selecionada para publicação nas edições de maio de 2015.

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Site: Jundiaí Online

Participação nas seguintes coletâneas: “Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos” Volume 124 e “Poemas descalços na noite serena” – ambos pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores.