Autoconhecimento Comportamento

O autoconhecimento pode mudar uma vida

Raisa Covre
Escrito por Raisa Covre
Essa pequena história começou há pouco mais de dois anos. Em um dia comum, passei por uma situação que muitas pessoas já passaram: ao olhar no espelho, não entendi muito bem o que (ou quem) estava vendo ali. Foram longos minutos de questionamento – afinal, o que eu estava fazendo com a minha vida?

Deixe-me esclarecer o contexto. Nada de diferente havia acontecido naquela semana. Apenas alguns altos e baixos emocionais que, bom, são naturais na vida de todos nós. Ainda assim, existia um grande desconforto dentro de mim e ele parecia ficar cada vez mais insuportável.

Alguns meses se passaram até eu começar a entender alguns pontos. Quando vemos postagens bonitas nas redes sociais sobre como o Universo corresponde aos estímulos que jogamos para ele, muitas vezes, dependendo do nosso contexto, esse conceito parece algo terrivelmente distante. No modo como eu vivia até então, parecia muito, muito distante. No entanto, foi o próprio Universo que me fez enxergar a sua verdade. Porque, desde aquele primeiro momento de inquietação profunda, inúmeras perguntas foram aparecendo. Não tinha ninguém me cobrando, apenas a minha própria consciência.

A questão era que, como muitos de nós, eu vivia buscando algo. Algo que eu não sabia o que era, mas que o fato de não conseguir encontrar trazia muita angústia. Em uma vida jovem, nós acabamos satisfazendo as dores de muitas formas – festas, andanças pela noite, bares, enfim, os diversos abusos que, de alguma forma, funcionam como um escape. Cada um vive o seu momento e tem o direito de se divertir como quiser (eu realmente defendo essa ideia), o que eu estava fazendo, porém, era fugir. Anestesiar, de alguma forma, aquele crescente incômodo que eu não entendia.

Eu estava vivendo no automático. Poucas vezes parava para analisar minhas atitudes e as impulsividades do dia a dia, que tanto me intoxicavam. Eu era cética – realmente acreditava muito pouco em quase nada e, mesmo assim, duvidava do pouco que tentavam me ensinar. Sofria de falta de humildade perante ao mundo, talvez. Tinha dificuldades (e até medo) de ficar sozinha, afinal, quando se está perdido, é realmente difícil se enxergar sozinho em um cômodo tendo que lidar com os próprios pensamentos.

Eu entrava facilmente em baixas energéticas, me conectava rapidamente com as neuras e angústias de outras pessoas (mesmo que nada tivessem a ver com a minha realidade). E, acima de tudo, eu achava que precisava de algo ou alguém para ser feliz. Precisava de mais. O que eu tinha nunca era o bastante.

Foi em um momento em que tudo transbordou ao mesmo tempo dentro de mim que eu percebi que precisava mudar. Com uma ansiedade latente e um quadro de depressão bem complicado batendo em minha porta, a solução médica foi direta – eu poderia tomar remédios ou buscar formas alternativas para ter uma vida mais saudável, como a terapia e a espiritualidade. Aquilo me intrigou. Em que momento eu deixei que meus passos me levassem até ali?

Então, eu abracei a mudança.

O Universo, aquele mesmo em que eu não acreditava, quase que instantaneamente me mostrou a ajuda. Tive muitos anjos da guarda nesse caminho, confesso. Um convite para conhecer uma vivência aqui, outro ombro amigo para uma conversa mais profunda ali, e assim fui encontrando o conhecimento necessário para entender ele: o autoconhecimento.

Todos nós somos um mundo inteiro de vivências, emoções, memórias e questionamentos. Olhar para dentro, para esse quadro em constante processo de criação, é um exercício diário e até exaustivo em alguns momentos. Nem sempre é fácil – até porque exige aceitação, paciência e amor – muito amor.

No início eu me sentia flertando com uma pessoa desconhecida, quase que tentando seduzir a mim mesma – quem eu era? Eu queria saber. E eu sabia. Se há algo que a busca pelo autoconhecimento me mostrou é que eu sabia, sim, quem eu era, quem eu sou, porém, eu me negligenciava – como muitos de nós fazemos (muitas vezes sem querer), seja pela imposição de inúmeros padrões sociais, por diversos estímulos externos ou até pela negação do nosso próprio eu, por uma busca incessante para ser quem não somos.

Eu percebi como, muitas vezes, fui dura comigo mesma desnecessariamente. Enxerguei como a autosabotagem é real e como seu poder de nos fazer acreditar nas ideias mais efêmeras e radicais possíveis é forte. Percebi como a busca pela felicidade é ilusória – porque ser feliz não depende de lugares ou pessoas, depende de você, você é a sua própria felicidade.

Eu percebi como, muitas vezes, fui dura comigo mesma desnecessariamente.

Em palavras, assim, parece até simples de entender. E talvez até seja (só que nós complicamos demais o que é simples). Na minha caminhada em busca de saúde física e mental, porém, o autoconhecimento fez toda a diferença. Eu abracei quem eu sou e permiti que algumas verdades entrassem em minha vida. Por exemplo: a falta que a espiritualidade fazia em minha rotina. Aquela pessoa cética, questionadora e angustiada precisava – e muito – de um entendimento espiritual para finalmente se encontrar.

Aprendi a exercitar todos os dias a gratidão – pela vida, pela saúde, pelo amor, pelo teto, pela comida. E aprendi, enfim, que é o amor a maior ferramenta para a mudança na vida de quem deseja fugir todos os dias da realidade. O amor por si próprio, pelas suas próprias escolhas, buscas, dúvidas, medos, angústias. E eu devo tudo isso a ele, esse amigo tão bondoso e sábio – o autoconhecimento. Ele me ensinou o que muitas pessoas tentaram me dizer de alguma forma e eu não ouvi: se permita. Tenha um tempo apenas para você. Respire fundo. Tudo bem ficar triste um pouquinho, mas não deixe isso ganhar poder dentro de você. Amanhã é um novo dia.

Sobre o autor

Raisa Covre

Raisa Covre

Jornalista, pós-graduanda em Psicanálise, eterna curiosa sobre as questões da vida, apaixonada pela espiritualidade, filha de Umbanda.

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