Autoconhecimento

Relacionamentos abusivos

relacionamento abusivo
Juliana Meyer Luzio
Escrito por Juliana Meyer Luzio
O que caracteriza um relacionamento abusivo? Ou o que é um relacionamento abusivo?

Será possível ter UMA resposta? Ou será que se escrevermos aqui alguns comportamentos como agressão física, verbal, emocional, humilhação, entre outros, e houver a identificação de 3 ou mais, pode-se afirmar com certeza que há um relacionamento abusivo?

Quem é o responsável por um relacionamento assim? Será uma questão de gênero? 

Talvez este artigo seja escrito apenas por questões, não sei ao certo qual será o fim dele, mas penso que este tema é particular demais para me arriscar em respostas certas, rápidas, simples ou generalistas. Porque o que é abusivo para mim, pode não ser para você. O que é violência para mim, pode não ser para a minha vizinha.

Sim, eu sei que tapas, socos, gritos e muitas outras atitudes não são legais! No entanto são coisas comuns para muitas pessoas e são como elas sabem se relacionar. Ok! Eu também acho que é preciso rever esse saber, mas não acredito que seja por meio de CERTO e ERRADO que será possível a desconstrução de padrões vividos, muitas vezes, por gerações.

Há que se acolher quem se permite ser abusado, para só então propiciar a construção de questões legítimas e norteadoras de outro saber viver. O que quero dizer com isso, é que não basta criticar quem apanha ou quem bate, é preciso ver e ouvir o que está por trás desse ato ou dessa submissão. É preciso criar um espaço para que os autores desses atos se percebam nesse papel, porque enquanto a implicação não for interna e só vier de zum-zum-zum de amigos, parentes ou conhecidos, pode-se até trocar de parceiros, mas “curiosamente” os abusos retornarão.

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Talvez um percurso interessante seja levantar questões para despertar a percepção de como cada um de nós nos tratamos. Como você se olha no espelho? Com gentileza no olhar e buscando suas belezas? Ou apenas enxergando imperfeições?

Como você se toca? Seja no banho, enquanto se troca e/ou durante o dia. Você conhece a textura da sua pele? Há carinho neste momento ou apenas movimentos automáticos e mecânicos cumprindo uma função higiênica e social?

Como você reage frente aos seus erros e limitações? É autocrítica demais ou benevolente demais? Analisa os seus atos ou age impulsivamente? É bem-humorada no dia a dia ou sempre leva tudo muito a sério?

Enfim, como você se trata?

O primeiro relacionamento abusivo que precisamos perceber e querer mudar, é o que temos com nós mesmos, diante de maus-tratos próprios será difícil não permitir os abusos que vêm de fora.

Um outro possível caminho, mas que está entrelaçado com o saber como você se trata, é revisitar sua história e buscar por memórias de abusos entre familiares, como tios, tias, avós, avôs, entre seus pais, entre você e seus pais. É permitir-se relembrar momentos que talvez não tenham sido agradáveis, mas marcaram a forma como você se relaciona com você mesmo e com o outro.

Voltemos então para as primeiras perguntas deste texto: O que caracteriza um relacionamento abusivo? Ou o que é um relacionamento abusivo?

De alguma maneira, acredito que todos saibamos respondê-las, seja através de respostas prontas e carregadas de pré-conceitos ou de respostas sinceras, doloridas e incômodas. Talvez, essas duas perguntas sejam as menos importantes, porém as mais feitas, porque saber o que caracteriza ou o que é um relacionamento abusivo pode vir carregado apenas de teorias vazias e de senso comum.

Eu prefiro inverter e reduzi-las em apenas uma: O relacionamento que você tem com você mesmo é abusivo? 

Sobre o autor

Juliana Meyer Luzio

Juliana Meyer Luzio

É uma terapeuta que constrói sua clínica diariamente com base no corpo e na fala, proporcionando um reencontro entre essas duas esferas tão distanciadas nos dias de hoje.

Formada em Psicologia, Psicanálise, Terapia Integração Craniossacral, Reike, Shiatsu, entre outros, está sempre em busca de conhecimentos que agreguem em seu dia-a-dia maneiras diferentes de olhar a vida.
Atualmente além de sua clínica procura se engajar em trabalhos ligados a Direitos Humanos - Projeto Social - Empreendedorismo Social - Responsabilidade Social - Terceiro Setor e Setor Público. Possui um blog sobre adoção, tema que a interessa particularmente, pois foi através dessa experiência que tornou-se mãe.

Tem em seu percurso 22 anos de trabalho no mundo corporativo em projetos envolvendo concepção, planejamento e implementação de estratégias empresariais. Diagnóstico operacional e identificação de oportunidades de redução de custos, apoio operacional na implementação de ações estratégicas e mudança na cultura corporativa. Além de experiências como Coaching de empresários e empreendedores; revisão editorial de dois livros - “Finanças Corporativas: Teoria e prática. Estudos de casos sobre geração e destruição de valor em empresas” e “Fusões e Aquisições em Ato”; apoio na concepção e implementação de ações de divulgação e marketing e de cursos oferecidos por ela. Bem com desenvolvimento de materiais de apoio, organização, divulgação e acompanhamento de eventos como

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