Autoconhecimento Sagrado Feminino

Sexualidade e os sagrados feminino e masculino

Menina sorridente tocando um tambor.
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Escrito por Eu Sem Fronteiras

Se pararmos para olhar a sexualidade humana como um todo, veremos que ela não deveria ser tão diferenciada entre o masculino e o feminino. Desde sempre, o lado feminino foi visto com olhos de julgamento quando o assunto é sexualidade. As mulheres sempre precisaram se conter muito mais que os homens, seja na prática ou até mesmo na fala deste assunto que é tão comum entre os dois universos. Através desta realidade, isso acabou gerando diferenciação e separação entre os mundos masculino e feminino e, consequentemente, a “morte” da sexualidade sagrada que eles poderiam viver um ao lado do outro.

Vamos nos aprofundar melhor neste assunto? Há muitos pontos importantes para refletir quando o assunto é sexualidade sagrada. Se todos fossem capazes de se colocar em seu devido lugar (masculino ou feminino), ambos poderiam desfrutar do melhor que essa conexão comum tem a oferecer.

Afinal, o que é a sexualidade?

Essa pode parecer uma pergunta simples, mas nem todas as pessoas são capazes de respondê-la com convicção plena. Aliás, devido ao tabu e aos preconceitos por trás deste tema – que nos foram ensinados naturalmente de geração em geração – quando se fala em sexualidade, todos sempre pensam em relação sexual, esquecendo que o assunto vai muito além da troca íntima entre duas pessoas.

A sexualidade nada mais é do que uma energia que desperta a ação à prática sexual e ela está completamente ligada à nossa personalidade. Esse formato profundo de comunicação com nós mesmos e com o outro gera muito autoconhecimento e nos traz a possibilidade de conhecermos ainda mais a nós mesmos e outros indivíduos com os quais realizamos esta troca energética.

Portanto, a sexualidade é um considerado um caminho muito importante quando o assunto é conhecermos a nós mesmos e as pessoas com as quais nos relacionamos. Por isso não deveria ser vista como algo tão carnal e necessário apenas para extravasar nossos desejos mais íntimos.

Como a sexualidade é ensinada entre meninos e meninas

Atualmente temos visto um movimento positivo, mas ainda muito pequeno, quando se trata de ensinamentos relacionados à sexualidade entre meninos e meninas. Esse movimento gera esperança para as próximas gerações, porém, ainda há muito o que fazer para que este tema se torne algo comum e para que ambos os lados possam aprender sobre o assunto de forma natural e sem julgamentos.

As meninas, desde cedo, foram ensinadas a se preservarem, a se cuidarem mais e até mesmo esconder traços e atitudes naturais de si mesmas para não serem vistas como uma mulher autossuficiente, dona de si e de seus próprios corpos. Apesar de não parecer, as regras impostas pela sociedade – de como uma mulher deve agir e se comportar – tiram das meninas boa parte do seu poder pessoal, onde sua sexualidade possui um importante papel a ser desempenhado já que ela faz parte da personalidade de cada ser humano, seja homem ou mulher.

Desenho de uma mulher sendo apontada.
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Desde pequenas as meninas precisam saber se comportar com suas saias, precisam medir suas palavras e até mesmo ter um limite ao expressar suas ideias e tudo isso acaba influenciando na sexualidade delas. Acredite se quiser: limitações deste tipo podem inibir bastante o poder das mulheres, afetando diretamente a sua sexualidade tornando-as inseguras e recatadas – tudo que o sistema patriarcal deseja, na verdade.

Já os meninos, eles sempre foram ensinados a não se importar com sua sexualidade. Na verdade, eles precisam apenas se manterem como “machos alfa”, como predadores das mulheres. Os meninos não precisam se comportar, podem dizer tudo que pensam sem medo algum de serem julgados e, claro, precisam ser homens fortes e ter sempre o controle das mulheres.

Não é novidade que essas diferenças afetam muito mais as mulheres do que os homens, mas no fim das contas, ambos estão machucados e precisam cuidar melhor da sua sexualidade que é sagrada.

O mal que a sociedade causa às mulheres ao tentarem podar a sua sexualidade

Como já falamos anteriormente, as mulheres carregam cicatrizes muito mais profundas em relação à sua sexualidade quando comparadas aos homens. Mesmo com o movimento feminista caminhando devagar e trazendo boas mudanças, muitas delas continuam não compreendendo seu papel real nos relacionamentos que cultivam.

A sociedade não foi feita para as mulheres! As mulheres parecem ter sido “criadas” para os homens, para agradá-los e nada mais, pois se pararmos para observar bem, tudo que há na sociedade foi arquitetado para satisfazer as necessidades e desejos deles. As roupas precisam seguir um padrão, as falas, os comportamentos e até mesmo os ciclos de amizade da mulher precisam estar de acordo com o que os homens acreditam que seja o melhor para elas.

O comportamento feminino desejável para agradar os homens

A maior parte das mulheres acreditam que seu papel na sociedade é satisfazer seus parceiros, dar sempre o seu melhor para eles e que é normal não receber a troca pessoal e sexual que desejam. Um efeito disso é que existem muitas mulheres que nunca chegaram ao clímax sexual, ao orgasmo que também foi criado para que elas pudessem desfrutar, assim como os homens.

No fim das contas, elas acabam insatisfeitas com seus parceiros e com suas próprias vidas. Tendem a se sentirem feias, não desejadas e dependentes desses parceiros que não tem nada a lhes oferecer, além de um momento carnal ao invés de algo sagrado e profundamente conectado.

Aliás, não importa o quão perfeita e “santa” uma mulher tente ser para agradar um homem. Infelizmente, ela parece sempre estar errada de ser aquilo que se propõe. E não pense que isso muda quando você encontra uma mulher livre e autossuficiente, pois essas mulheres também sofrem com o sistema patriarcal; elas só transparecem um pouco mais de coragem do que aquelas que aprenderam a ser mais recatadas.

Não são só as mulheres que saem perdendo

Apesar de a balança ser muito mais pesada para as mulheres, os homens também acabam perdendo muito quando não se dão conta de que a sexualidade sagrada é real. Ensinados desde cedo que podem pagar mulheres para os satisfazer e que podem fazer o que quiserem com o corpo de uma mulher, eles acabam se desviando de um propósito incrível relacionado à sua própria sexualidade.

Outra coisa que afeta muito os homens e eles nem sempre se dão conta, são seus vícios em pornografia e na masturbação exagerada. Essas duas atividades estão quase sempre conectadas e acaba fazendo-os acreditar que sua sexualidade precisa estar apenas de acordo com isso e nada mais. No fim das contas, as relações íntimas acabam não satisfazendo a maioria dos homens – que associam o sexo com pornografia, pincipalmente – e isso pode gerar um mix de sentimentos negativos para eles.

Ou seja, quando eles não se dão conta de que a maneira que foram ensinados sobre sua sexualidade não foi uma das melhores, acabam se frustrando. E apesar deste sentimento negativo tomar conta deles, quem é que eles acabam culpando? Isso mesmo, as mulheres. Afinal, elas são quem precisam saber exatamente como satisfazê-los, não é mesmo?

O que muda quando a sexualidade é bem utilizada por todos?

Chegamos ao momento mais aguardado sobre este assunto – o bem que a sexualidade sagrada pode gerar aos homens e às mulheres.

A energia de troca sexual pode ser vista como uma cura para todos. Quando trocamos essa energia com um parceiro ou parceira de forma genuína e conectada, além de o ato sexual ser muito melhor aproveitado por ambos, ele pode nos ajudar a descobrir muito sobre nós mesmos.

Um exemplo disso é sobre as mulheres que nunca atingiram um orgasmo. Com a oportunidade de praticar o sexo de forma livre, descontraída e verdadeiramente conectada ao seu parceiro, ela pode descobrir o que a excita ao ponto de chegar em seu ápice máximo. E não só com a ajuda de um parceiro; afinal, a mulher quando se sente livre para se tocar e conhecer o próprio corpo ela aprende a dar e receber da maneira correta para o outro e para si mesma.

Recorte de uma mulher segurando a região do útero.
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Outro exemplo, agora relacionado aos homens, é sobre o significado que eles dão ao sexo – e vamos combinar que é um significado muito superficial. Por serem condicionados a sempre estarem “experimentando” mulheres, como se fossem um cardápio, eles acabam perdendo a oportunidade de enxergar essa troca como algo que vai muito além do prazer. E se pararmos para analisar, as coisas melhoram muito para eles quando escolhem realmente se conectar com uma mulher através da sexualidade, sendo possível perceber o quanto eles aprendem não só sobre eles mesmos, quanto sobre as mulheres.

Se trata de evolução, liberdade e cura para homens e mulheres. Por isso, é necessário conscientizar muito as novas gerações para que esse assunto se torne mais comum nos próximos anos. Quem sabe, desta forma, a sexualidade sagrada do feminino e do masculino possam se integrar de forma verdadeira e benéfica para todos.

A importância do equilíbrio entre sagrado feminino e sagrado masculino

A exclusão do feminino nos homens (energia Yin), tanto quanto a exclusão do masculino nas mulheres (energia Yang), diz muito sobre os comportamentos praticados por ambos os gêneros. Se tratando de energia, o ideal seria encontrar um equilíbrio em cada um de nós dessas duas forças enérgicas potentes – uma vez que todos nós possuímos o feminino e masculino em nossa essência, assim como diversas outras dualidades.

Lembra dos ensinamentos diferentes que são comumente abordados entre meninas e meninos? Se desde crianças eles fossem orientados a se conectarem com as duas polaridades (Yin Yang), talvez a sociedade como um todo já teria evoluído muito.

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É importante lembrar que, o equilíbrio entre o sagrado masculino e o sagrado feminino não necessariamente possui relação com a sexualidade. Se trata mais de uma questão relacionada à consciência. Porém, sabemos que através da consciência sobre esse assunto, consequentemente, poderíamos ter maiores possibilidades de praticar a sexualidade sagrada – uma vez que homens e mulheres se abram para encontrar o equilíbrio e a compreensão sobre ambos os lados. Neste caso, a cura da nossa sociedade se iniciaria com potência.

Finalmente, sabemos que há muitos movimentos a serem feitos até que a consciência sobre a sexualidade sagrada e sua importância sejam vistas com “bons olhos”. A verdade é que todos têm muito a ganhar – em conjunto e separadamente – através da busca pelo equilíbrio entre feminino e masculino. Além disso, essa troca consciente e respeitosa poderia ser um passo inicial para modificar positivamente a sociedade e ajudar na sua evolução, bem como a evolução de todos os seres humanos juntos.

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