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Sistema Límbico, Inteligência Emocional e Autoestima

Muito se tem falado sobre a importância da inteligência emocional e, de fato, na atualidade, já não basta conhecimento cognitivo, alta capacidade de trabalho e organização se não houver a habilidade em lidar com situações e pessoas, em equilíbrio.

Autoestima está ligada ao autoamor, que é a nossa capacidade de gostar da gente mesmo e é coisa muito preciosa, pois evita as incessantes buscas por segurança e pelo reconhecimento do que é externo, o que só causa sofrimento, já que ninguém, nem nada, é obrigado a atender às nossas necessidades.

Pessoas lidando com pessoas pode ser um grande desafio.
Nosso cérebro é uma máquina muito potente capaz de coisas incríveis, onde mais de 85 bilhões de neurônios interligados formam sinapses responsáveis pelas nossas habilidades. Ele é a base de nossa inteligência, que é o que nos diferencia dos animais. Somos racionais.

De forma básica e bem simplificada, nosso cérebro possui uma camada externa muito importante, chamada de Córtex Cerebral, dividida em algumas partes: Lóbulo Temporal, responsável pela emoção e memória; Lobo Frontal, responsável por nosso julgamento e raciocínio; Lobo Parietal, responsável pela nossa orientação corporal e interpretação das sensações; Lobo Occipital, responsável pela visão; abaixo vem o Cerebelo, que é a estrutura ligada ao nosso equilíbrio e, finalmente, o Hipocampo, que é a área de nossas memórias.

Dentro do hipocampo ficam as amígdalas, duas pequenas estruturas muito importantes que, juntamente com hormônios, formam nosso sistema límbico e são responsáveis por nossas respostas emocionais rápidas, aquelas que tomamos sem pensar, no impulso, diante de situações de risco ou de desagrado, muitas vezes, num efetivo sequestro emocional.

inteligência emocional

No sistema límbico, mais especificamente nas amígdalas, que não são as da garganta, ficam registradas as memórias emocionais, aquelas que nos dão a sensação de gostar ou não gostar de alguma coisa ou de alguém, sem nem saber o porquê… são os registros emocionais gravados que vem à tona, como um trauma, um abuso, uma surra, uma perda… fica tudo guardado lá.

Num processo terapêutico analítico, trabalhamos a compreensão dos fatos passados, o perdão ao outro e a si mesmo, novas formas de agir, tudo pelo uso da razão, mas também precisamos resgatar essas memórias associadas à emoção para que possam ser ressignificadas, ab-reagidas e liberadas, caso contrário o paciente sempre reagirá da mesma forma diante de algo que atualize estes conteúdos bem guardados. Resolver o conflito na superfície seria como enxugar gelo, e é por isso que eu amo a psicanálise. Vamos direto para a limpeza do porão! Rsrs. Dói sim, mas é eficaz e libertador!

Voltando ao sistema límbico… no hipocampo ficam as memórias de fato. Nas amígdalas ficam as memórias emocionais. E elas trabalham juntas. Pessoas que tiveram tumores nas amígdalas podem perder os registros emocionais e ter dificuldades para relacionar-se e conectar-se com outras pessoas.

Agora falando da infância, que é onde tudo começa, é o sistema límbico a estrutura ligada à formação da autoestima, do aprender a gostar dela mesma.

Por volta dos 18 meses a dois anos de idade, começa o funcionamento acentuado desse sistema, na época do desenvolvimento infantil que chamamos de Fase Anal.

O sistema límbico é nosso sistema de proteção, que como já vimos, é formado pelas amígdala cerebrais, hipocampo, hormônios, lá no Córtex Cerebral. É um sistema de defesa ativado quando perdemos o prazer ou saímos de nossa homeostase, do nosso equilíbrio emocional. Nesta idade é comum os pais reclamarem da fase terrível que os filhos vivem e trazerem queixa da criança estar mal educada, desobediente, indócil… o que é tudo verdade, e o responsável é o tal Sistema Límbico! Rsrs.

Mas calma, porque isso é uma coisa muito boa, pois é nessa fase que a criança está formando sua identidade e, portanto, ela

começa a dizer “não”, porque começa a acontecer o reconhecimento de si mesma e também do outro. É a fase dos “porquês”, a fase do “é meu”, do egocentrismo, tão necessária à formação de sua identidade.

É cansativo, mas é normal!

Quando o sistema límbico da criança é ativado, quando ela é contrariada em algo prazeroso, ela torna-se uma criança “difícil” e ainda assim precisa perceber que é aceita e amada. É dessa forma que ela aprende a gostar de si mesma e é o que fará dela uma pessoa segura, com autoestima estável e independente emocionalmente do reconhecimento alheio.

Mas isso não significa deixá-la fazer tudo que quiser, muito pelo contrário. Nessa fase é muito importante a criança perceber que é cuidada por um adulto, e que esse tem autoridade de comando sobre ela, e que apesar de seus “chiliques” continua a cuidá-la e a amá-la.

O ideal seria que os pais, que também têm sistema límbico tivessem saúde mental, minimamente suficiente para suportar esses acontecimentos, não se abalassem com as birras a ponto de equiparar-se à idade mental das crianças num bate boca homérico de igual para igual… rsrs.

Dada uma ordem à criança que a contrarie, é importante ser firme, mas permitir que o sistema límbico da criança funcione e complete seu ciclo. Nada de mandar calar a boca ou engolir o choro… deixem que o ciclo complete-se e que passe. Dali a pouco a criança que recebeu limites com firmeza e com amor dos pais, perceberá que apesar dela ter se comportado mal, a vida segue e tudo está normal, e esses pais colherão os frutos de um filho saudável e feliz em todos os sentidos!

Sim, é uma responsabilidade desafiadora, mas entendendo que trata-se de um mecanismo natural de maturação neurológica e emocional, fica mais tranquilo!

Superada essa fase, teremos alguns anos de folga para os pais até que o sistema límbico volte a funcionar a toda carga na adolescência! Cada fase, uma fase!

Está a caminho uma série sobre o desenvolvimento infantil, para auxiliar aos papais nesse desafio lindo de cuidar e educar!

Até breve!


Você também pode gostar de outros artigos da autora. Acesse: Manual Básico da Criança – Conceitos Básicos (Texto 1/6)

Sobre o autor

Monica Marchese Damini

Monica Marchese Damini

Psicanalista Clínica e Editora do Eu Sem Fronteiras

Em certa altura da vida, senti o chamado para descobrir o que havia além da rotina, da vida material, do físico. Foram muitos os caminhos trilhados, muito estudo, muitas vivências e descobertas, muitos desafios, vários mestres. Gratidão a cada um deles.

Autoconhecimento, espiritualidade, física quântica, o universo, yoga, budismo, doutrinas, meditação, retiros, silêncio, corpo, mente, alma, o Ser, o Amor Maior.

Ser livre do mundo externo, do sofrimento de Maya, a ilusão.

Torna-se co-criador da própria realidade.

Colocar em prática o Dharma, o dom e recursos recebidos em prol da sociedade, privilegiar o Todo, trabalhar, estudar, compartilhar, amar, evoluir, sem apego ou aversão.

Despertar para o Divino em cada um de nós. Aprender a enxergar o Ego e deixar que ele apenas trabalhe a favor dos propósitos do Todo, aprender a praticar o desapego e a aceitação… tem que buscar, tem que querer, e eu quero!

Assim como eu, muitos estão nessa jornada, e com este propósito de nos juntar, criamos o Eu Sem Fronteiras, projeto amoroso de compartilhamento e ponte entre quem quer dar e quem busca receber todo tipo de informação e conhecimento, livre de dogmas, julgamentos e crenças, para que cada leitor aproveite o que desejar em cada momento de sua vida.

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