Convivendo

Somos aquilo que lemos?

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Jéssica Sojo
Escrito por Jéssica Sojo

Recordo que, quando pequena, meus pais me incentivaram a ler de tudo, e muito,  mas eu não tinha o mínimo interesse pela leitura. O meu pai tinha o costume de ler livros para mim, mas eram pouquíssimas vezes. Já a minha mãe, adorava e inventava historinhas na hora em que eu ia dormir, era fascinante a criatividade dela. Porém, esse meu gosto pela leitura só veio se firmar por volta dos meus quinze anos, com o livro A Droga da Obediência e, novamente, eu sou exemplo de que o gosto pela leitura começa dentro de casa, e não na escola.

Embora a sala de aula reforce a leitura, posso afirmar que eu, quando criança, lá por volta dos meus doze anos, não compreendia nada do que Machado dizia, o que por si só, já causa um desestímulo a leitura vinda da escola. Acredito firmemente que algumas pessoas não gostem de ler por “trauma” de leituras obrigatórias e um tanto chatas ou, melhor dizendo, falta de interesse atribuído por essa obrigatoriedade.

image of a stack of hard back books on the end of the pages toned with a retro vintage warm instagram like filter app or action effect Digo isso, porque também relembro que, na época do ensino médio, houve uma aula em que a professora tinha obrigado todos a lerem determinado livro – o qual eu não me lembro o título. Na época, recordo que questionei se poderia ler outra obra e a resposta, obviamente, foi um “não”. Esse tipo de obrigatoriedade, por si só, teria desencadeado um desestímulo de leitura em mim, se eu não tivesse a influência vinda da minha família.  É bem compreensivo que o papel familiar é um passo primordial de incentivo a leitura.  Assim como é notório que algumas instituições de ensino não são bem preparadas para estimularem a leitura nos alunos – e digo isso por notar que há uma escassez de leitores, por parte dos professores.

É claro que há também outras questões que, no conjunto, interferem no interesse pela leitura, como cultura, política, o problema de alfabetização do país, o desinteresse ocasionado pela influência da tecnologia e outros “n” fatores, tais como a obrigatoriedade da leitura em determinadas faixas etárias. Existe um clichê relativo a sermos aquilo que nós lemos, mas será verdade? Quando foi a última vez que você leu um livro e qual foi o título? Calma, difícil responder, né? Se você for como a maioria dos tantos outros brasileiros, provavelmente, responderá que não lembra – o que é esperado. 

Mas a leitura é importante, é um dos estímulos que fazem com que passemos a compreender melhor o mundo ao nosso redor.
 E não estou aqui para julgar se lembram ou não. Muitas pessoas gostam de ler, mas ainda não conseguiram fazer disso um hábito – estamos longe dessa questão de sermos aquilo que lemos. É um passaporte para que tenhamos criatividade em colocarmo-nos no lugar do outro, criando experiências e agregando-as ao nosso dia a dia, tornando-nos mais empáticos com o próximo. É uma das portas de entrada a outros milhares de estímulos que nós temos, sejam eles quais forem.

Então, aqui vai um desafio: leia. Nem que sejam cinco minutos do seu dia a dia. Procure aquilo que lhe chame atenção, pode começar por uma placa, flyer, outdoor, jornal, revista, texto na internet ou até mesmo um livro.

Leia, e depois compartilhe aqui comigo a sua experiência. Vai ser um prazer poder viajar contigo nessa jornada.

Sobre o autor

Jéssica Sojo

Jéssica Sojo

É custoso descrever quem sou eu – já que constantemente lapido, modifico e me transformo em um pouco de tudo e muito de cada pouco. Inicialmente posso compartilhar dizendo que sou extremamente curiosa, apaixonada pela comunidade surda, pela língua de sinais e por tudo que envolve a linguística.

Foi na faculdade de medicina e como acadêmica há alguns anos (com a esperança de trabalhar com o ser humano e suas limitações) que eu adentrei para um universo de que eu não fazia ideia que fosse possível existir e que pudesse trazer a bagagem que tenho hoje. Minha busca incessante pelo autoconhecimento e entendimento para muitos dos questionamentos que já tive (e continuo tendo) me fez despertar para o meu atual desígnio.

Minhas tantas outras peregrinações e experiências também contribuíram e muito com o meu desígnio – a começar pelo de compartilhar junto a vocês, leitores do EuSemFronteiras, sobre a primordialidade de enxergarmos para além do que nos visibiliza os olhos e lembrarmo-nos sempre de sermos semelhantes ao sol, mesmo em meio às sombras escarpadas montanhosas da vida.

Com todo o meu carinho e gratidão imensa,

Mãos em prece e um saudoso e caloroso abraço em cada um.

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