Autoconhecimento

Vale a pena (re)viver de novo

sad girl walking in dry grass in autumn nature looking back
Escrito por Patricia Carvalho

Já ouviu alguém dizer: “Se eu pudesse voltar atrás” ou “Gostaria de voltar ao passado, para fazer tudo diferente”. Hoje estava lendo um livro que mencionou esse tal voltar no tempo. Começar de novo, viver diferente, reviver emoções, momentos de sua vida. O livro até mencionava o filme ‘Benjamin Button’, onde o personagem principal, interpretado por Brad Pitt, nasce com o corpo de velho e vai ficando jovem ao longo do filme.

É uma belíssima história, de como deveríamos viver nossa vida. Estamos rodeados de filmes em que os personagens voltam no tempo, ao passado geralmente, alguns vão até o futuro, e lá também tentam modificar suas vidas. E fiquei pensando… “Se eu pudesse voltar, o que gostaria de (re)viver…”

Escolhi três momentos que seriam mágicos para reviver. Não para alterar, apenas para sentir de novo aquela mesma emoção.

Quando meu filho nasceu: sentir de novo a emoção de quando vi seu rostinho pela primeira vez, quando peguei no colo aquele corpinho frágil, que só me pedia amor; poder rever sua carinha de joelho. Seria mágico, realmente, poder rever a perfeição, a criação de Deus (e minha).

Minha colação de grau: me formar na faculdade foi um marco, fim de uma etapa, que valeria a pena sentir de novo. Sentir a emoção de ver meus pais, na minha colação de grau, me aplaudindo. Foi maravilhoso.

Voltar à infância no interior: quando era pequena passávamos as férias na cidade que meu pai nasceu. Lá éramos livres para correr pelas ruas, não havia tantos perigos e havia muito mais pessoas com um sorriso no rosto e um bom dia nos lábios. Indescritível.

Foram momentos inesquecíveis, sem dúvida. Mas foram momentos únicos.

“Sempre pensei que só voltaria no tempo para reviver minha vida se fosse com a memória de hoje.”

Young man standing on country road in a beautiful landscape looking back towards a setting evening sun.

Sempre pensei que só voltaria no tempo para reviver minha vida se fosse com a memória de hoje. Como nos filmes, voltar, mas com a memória intacta das experiências vividas, porque acredito que só assim daria para fazer diferente.

No entanto, sempre pensei que se voltasse e fizesse diferente, os resultados, os caminhos e as pessoas que encontraria, a partir do momento que mudasse um primeiro evento, mudariam também. E, assim, tudo daí por diante seria completamente diferente. Tudo mudaria. Os momentos únicos seriam outros, não seriam os “meus” momentos únicos de hoje, aqueles que me acompanharam até agora e que preenchem as linhas da minha história pessoal.

Hoje penso que só voltaria se fosse para ter as mesmas experiências: as mesmas corridas pelas ruas do interior, entrar na mesma igreja no centro da praça, tomar o mesmo sorvete delicioso e as coxinhas sem igual da vizinha da frente da casa da vovó, os mesmos coleguinhas de brincadeiras; a mesma felicidade de me formar, a mesma sensação ao pegar meu diploma e, principalmente, e o mais importante, ter o mesmo filho.

Sendo assim, voltar não teria sentido algum, não teria razão de ser. Afinal, para ter tudo igual, então deixo como está.

Muitas vezes, nos sentimos tristes por algo em nossa vida, nos arrependemos de ações ou palavras e vem essa vontade de fazer de novo, de fazer diferente. Se essa sensação vier, lembre-se que a vida tem momentos únicos (bárbaros, fantásticos) que merecem um lugar especial no nosso arquivo de memórias.

“Passado no passado (exatamente como foi) e presente no presente.”

Contudo, há os momentos de tristeza, os outros momentos não tão bons assim, e esses não precisam ser revividos, mas merecem um lugar de descanso, até porque, você chegou onde chegou, no aqui e agora, também graças a eles.

Não nutra tristeza, mas não se desfaça dela, respeite-a. Viva o presente, e crie novas e fabulosas memórias para o seu futuro. Guarde com carinho as memórias com momentos de plena felicidade.

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E, de vez em quando, rode esse filme. Por que se tem uma coisa que vale a pena ver de novo são esses momentos mágicos que guardamos com carinho na gavetinha da saudade.

Sobre o autor

Patricia Carvalho

Meu nome é Patricia Carvalho (Patty Carvalho) sou formada em psicologia e atuei em clínica durante alguns anos, atualmente não estou exercendo a profissão, porém o ser humano e seu poder de crescimento pessoal, emocional e espiritual ainda me fascinam; crescer e evoluir são coisas que me move.

Uma libriana, mãe de menino, que não vive sem massas (e doces) e que adora filmes e livros.

Ler é uma paixão, já escrever é um "hobbyterapia" que descobri recentemente e espero poder continuar praticando em meu benefício e de quem mais eu possa auxiliar com minhas palavras.

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