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Navegar é preciso, viver é impreciso! Saia do controle e seja feliz!

Autora usando um casaco grande vermelho e óculos de sol enquanto veleja.
Foto cedida pela autora Erika T Ferreira
Erika T. Ferreira
Escrito por Erika T. Ferreira

“Navegar é preciso, viver não é preciso (…)” Fernando Pessoa foi tão genial nesse poema, que nos dá diversas possibilidades de leitura! Então, neste texto vou compartilhar a minha interpretação dessa frase tão singela e complexa!

NAVEGAR é PRECISO! Sim, para navegar é necessário ter Precisão! Exatidão no percurso. É preciso muitos cálculos para que a embarcação chegue ao seu destino planejado. Já a vida, por mais que pareça estar SOB CONTROLE, Ahh, a vida (…), “viver não é preciso”, me passa a ideia de ser IMPRECISA, de não haver precisão! Eu demorei bastante tempo para entender isso também. Não temos controle algum! Podemos e devemos sim, com sabedoria, experiência, consciência e maturidade espiritual, buscar a cada dia seguir da melhor forma a “NAVEGAÇÃO”, o rumo da nossa rota, pois quanto mais precisa for, maior a probabilidade de acertos na vida. Porém, controle sobre a VIDA (…) isso não temos! A Pandemia ocasionada pela Covid-19 é um ótimo exemplo, em escala mundial, sobre nossa pequenez e descontrole diante da VIDA!

Navegando na contra mão

Por muitos anos, acreditei ter o domínio (pelo menos algum) sobre minha vida. Afinal de contas, quase todos os planos e metas os quais me propunha, eu conseguia cumprir. Aos meus 13 anos de idade, comecei a trabalhar com meu pai em seu laboratório de prótese dentária, e eu sempre dizia com orgulho que aos 18 anos compraria meu carro com o dinheiro poupado por mim durante esses anos. E se cumpriu! Aos 18 anos tinha a quantidade para dar entrada no financiamento do meu primeiro carro!

Depois comecei planos de viagens. Fui para Bonito e Pantanal na minha primeira aventura estilo “mochileira” e depois para muitos outros destinos. Com 23 anos, resolvi que não queria mais trabalhar no ramo de prótese dentária e comecei a fazer cursinho pré-vestibular com muita dúvida sobre qual carreira escolher. Foi então que decidi pelo curso de gestão ambiental na USP de Piracicaba (ESALQ). Estudei muito e mais uma vez, Check! Passei no vestibular. Após a faculdade, planejei ingressar na área ambiental e fui morar em Poços de Caldas para trabalhar na fábrica da DANONE. Check! E, assim, seguimos acreditando que de certa forma “temos o controle da vida nas mãos” (…). Sei que você, leitor, já passou por esta fase de acreditar que está no controle, ou se você acredita que tem o controle, é porque ainda está passando (está mergulhado) nessa fase (risos!). Ledo engano! Não controlamos nada!

Agora me veio outra reflexão! Sim, existem situações que, às vezes, podemos ter certo controle aparente da vida. Sabe quando decidimos “bater de frente”?! Quando tudo indica outro caminho, mas a gente teima e cumpre o desejo do ego, porém manter a situação nos custa muito! A sensação é de esgotamento físico e mental. Querer “navegar na contra mão da vida” e tentar segurar as rédeas para estar sob controle, estar no domínio, e o pior, na maioria das vezes, nem é para buscar nosso caminho de felicidade! Controlamos, em grande parte, para seguir um padrão familiar, social, religioso e econômico. Eu fiz isso por muito tempo e, no meu caso, essa inflexibilidade de entender que a vida é imprecisa e precisamos apenas navegar (deixar fluir) se refletiu em muitas dores crônicas. Desenvolvi um padrão de dores no pescoço, costas e quadris por muitos anos. Atualmente, as dores diminuíram a intensidade e a frequência, mas sempre que tento controlar algo (esse foi meu padrão por muitos anos), as dores se intensificam como um lindo “convite de alerta” para me mostrar que preciso confiar mais no processo e me apegar menos aos resultados. E você, como a dor/sofrimento se manifesta em sua vida o convidando a deixar esse caminho rígido de controle e dor rumo a um caminho leve de gentilezas, amor e fé?

Saia do controle para se encontrar!

“Perder uma ilusão torna-nos mais sábios do que encontrar uma verdade.”

Ludwig Borne

Mulher branca dirigindo barco e com braço esquerdo apontando na diagonal
Andre Furtado / Pexels

— Parabéns, papais, são gêmeos! — disse meu médico, durante o exame de ultrassom, na primeira consulta após o resultado do exame de sangue que fiz por minha conta, devido aos enjoos! Como assim, gêmeos! Tenho apenas casos distantes na família! A descoberta da gravidez foi em janeiro de 2015, e eu tinha 33 anos. Creio que esse foi o primeiro momento impactante da minha existência que senti não ter controle algum mais. Nunca, mas nunca estaria em meus “planos” ter gêmeos! Meus amigos mais íntimos sabem que eu tinha até mudado o layout do apartamento de 3 dormitórios para 2 dormitórios, pois já estava planejado, decretado que eu teria apenas um filho e pronto!!! Quanta inocência! (risos)

Que desespero para alguém que imaginava ter certo controle! E agora? Gêmeos! Digo “imaginava”, porque todos nós passamos por situações que, em um belo dia, “cai a ficha” (cada um tem seu despertador), e, a partir daí, a gente entende que nunca estivemos no controle! A partir da gravidez gemelar, a vida foi me mostrando em inúmeras situações e detalhes a sua linda IMPRECISÃO!

Percebi que eu não controlava nada! E quanto mais eu tentava “segurar as rédeas”, mas tensão gerava! Após o nascimento dos seres mais preciosos da minha vida, Davi e Murilo, passamos por incontáveis dificuldades (UTI, alergias, operação com 2 meses da hérnia inguinal de um dos bebês, operação do meu pé quando eles tinham 6 meses, mais UTI etc.). Não gosto de compartilhar e citar momentos ruins, mas sinto necessário exemplificar esses momentos negativos para mostrar que estão intimamente ligados a tentativas de controle! Quanto mais tentamos controlar, mais MEDOS e TRAUMAS são gerados dentro de nós e, assim, manifestamos/atraímos mais do indesejável em nossas vidas! Perdemos o rumo da NAVEGAÇÃO e a vida tenta nos ensinar de que precisamos apenas CONFIAR e seguir em frente, pois segundo Carl Jung, o que você resiste, persiste!

Depois de atravessar o primeiro ano de maternidade, com muitos medos e sofrimentos, em que minha “sombra (inconsciente) gritava” por alívio, DECIDI começar a trilhar um NOVO caminho de autoconhecimento e espiritualidade (diferente de religião). E agradeço muito a Deus pela gravidez gemelar, a qual foi o meu despertar para uma nova vida!

Foram infinitas sessões de terapia com a psicóloga, e agora amiga, que trabalhou com técnicas cognitivas e balanceamento muscular. Fiz também sessões de Thetahealing, cura reconectiva, constelação familiar, par biomagnético, das quais sou grata por cada profissional que ministrou essas terapias alternativas, pois, acima de tudo, são pessoas lindas que me auxiliaram com tanta empatia e amor difícil hoje de encontrar. Li também dezenas de livros sobre espiritualidade, desenvolvimento da consciência, maternidade etc. Fiz curso de meditação e, atualmente, faço um curso de alta performance comportamental. Citei todas essas coisas para deixar claro que não existe mágica! Você quer mudança na sua vida? É preciso muita dedicação para mudar hábitos e crenças! É necessário uma ENTREGA verdadeira! Creio que o “fluxo natural” nos leva quase sempre para o falso controle da vida por meio do ego e medo. Seguir o caminho da fé e entrega de alma, requer vontade e disciplina, mas quer saber: quando você provar uma só vez dessa “luz”, assim como no Mito da Caverna de Platão e o encontro de Saulo (depois apóstolo Paulo) com a luz de Jesus, você não conseguirá mais viver na “caverna”!

Confie no Capitão do seu barco

“Não há absolutamente nada na experiência humana ordinária que possa ser comparado com a alegria da presença do Amor Divino. Nenhum sacrifício é grande demais ou exige esforço demais quando o objetivo é perceber essa Presença.”

David R. Hawkins

Sair do controle, principalmente nas primeiras vezes, pode ser assustador (para mim foi), mas depois de ter trilhado tantos anos com essas lentes que enxergavam o “meio copo vazio”, resolvi há alguns anos encarar a vida sob o ponto de vista do aprendizado, através das lentes da sabedoria e ver o “meio copo cheio”! Olhar com gratidão e sobretudo, FÉ! E como fazer isso?

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Entender que tudo passa; que existem ciclos infinitos; que a Lei da Impermanência, assim como a Lei da Gravidade, é real; e que podemos passar por qualquer situação, pois sempre haverá uma força maior, que rege tudo e que controla tudo, guiando nossas vidas! Ah, é tão lindo quando finalmente entendemos isso: que “navegamos” com certa precisão, mas o controle não está em nossas mãos! Eu nomeio essa força maior de Criador e me faz lembrar o versículo de Provérbios (16:9) em que o coração do homem considera seu caminho (navegar/planos), mas é Deus quem dirige os passos (poder sobre a vida).

Então, já que não temos CONTROLE, o convido (cada um dentro da sua fé e crença) a se entregar a essa PRESENÇA MAIOR! Entregue todos os seus medos, anseios e tristezas. Pare de controlar porque muitas vezes “segurar” dói muito mais do que DEIXAR IR!

Deixe ir tudo que o aprisiona! Todas as crenças limitantes que são heranças da sua família, não são suas! Chega! Deixe ir todos os traumas de infância que não faz sentindo nenhum o amedrontar até agora! Deixe ir todos os padrões de relacionamentos tóxicos que repetem o mesmo roteiro! Deixe ir toda falta de perdão, primeiramente autoperdão! Deixe ir toda raiva, orgulho e mágoa dentro de você! Cada pessoa tenta “navegar” do melhor modo possível, dentro da sua própria história e nível atual de consciência!

Barco velejando no mar
alain agapit / Pexels

SAIA do CONTROLE! Apenas navegue da melhor forma possível! E, a partir daí, entregue toda sua alma e coração! Confie e sinta a VIDA FLUIR NA SUA FORMA LINDAMENTE IMPRECISA DE SER!

E para terminar, um segredo dos 7 mares (como um sussurro) ao “pé do ouvido”: Excelente navegação, marujo! O restante, confie ao Capitão!

Erika T. Ferreira!

Sobre o autor

Erika T. Ferreira

Erika T. Ferreira

Se definir é um autodesafio e tanto! ;)

A Erika por essência ama liberdade e viajar ao estilo “mochileira”. Tem como itens mais importantes da vida filhos gêmeos (Davi e Murilo), família, amigos e acima de tudo Deus Criador!

Sou gestora ambiental formada pela Esalq/USP e mestre em ciência ambiental pela Faculdade de Saúde Pública/USP. Trabalhei na gestão de resíduos em indústria alimentícia e também em consultoria ambiental. Atualmente, sou colunista da plataforma Quero Evoluir e colaboradora em projetos socioambientais com o objetivo de unir profissão e propósito de vida, em que o alvo é sempre o amor, e desfrutar o caminho com respeito e generosidade.

Interesses: sustentabilidade, autoconhecimento, espiritualidade, maternidade, economia circular, permacultura etc.

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