Autoconhecimento

3 coisas pelas quais valem a pena lutar

Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos
Na sociedade atual, caracterizada pelo desrespeito a toda forma de direito, cada vez mais valores como ética, honestidade e justiça social são deixados de lado. Um mundo sombrio e bárbaro, aquilo que preconizou o filósofo inglês Thomas Hobbes em seu livro “Leviatã”, uma “guerra de todos contra todos”, parece aproximar-se. No mundo corporativo, o que vale é o lucro pelo lucro. Empresas que não conseguem lucrar 100% não sobrevivem em um mundo altamente competitivo e capitalista selvagem. Nesse campo, a ética e a moral, muitas vezes, são deixadas de lado. Como reagir diante de tal cenário? Como comportar-se diante de um mundo cada vez mais excludente e guiado pelo cartão de crédito?

Analistas de todas as áreas, principalmente da área econômica, política e social, afirmam que falta no mundo grandes causas pelas quais valem a pena lutar. Mas que projeto, que ideia, que causa, em escala local, nacional ou mundial, conseguiria envolver as pessoas em um objetivo comum? Parece que o problema não é global, mas local. Ou seja, as resoluções para os problemas globais, como por exemplo, a fome, o preconceito, o terrorismo, etc., começam por pequenas ações em escala local. No entanto, é preciso saber que existe a lei do retorno: tudo o que você faz contra o outro, volta em dobro contra você. Contra a falta de perspectiva da juventude brasileira, listamos a seguir três valores que julgamos valer a pena lutar.

Família

A família é o primeiro grupo social do qual participamos e a sua participação acaba determinando o nosso jeito humano de ser. Ou seja, se uma pessoa é bem acolhida, educada, recebe todos os bens necessários a uma vida saudável e feliz, ela provavelmente terá mais chance de se realizar como pessoa do que aquela que não recebeu tal instrução e carinho no início de sua vida. Dessa forma, a família é a principal instituição responsável por promover a educação dos filhos e influenciar o comportamento dos mesmos no meio social. Mais uma vez aqui se aplica a lei do eterno retorno: um indivíduo que só apanhou a vida inteira, não saberia reagir de outra forma, senão com violência. E com que direito teremos nós, os burgueses, de esperar outra coisa dos que nunca experimentaram o amor, senão o desprezo?

Independentemente se a família é tradicional, nuclear, matriarcal ou patriarcal, moderna ou não, unida por matrimônio ou união homoafetiva, e que tenha ou não filhos, o papel da família no desenvolvimento de cada indivíduo é de fundamental importância. É no seio familiar, como foi evidenciado acima, não importando o tipo de família, que são transmitidos os valores morais e sociais que servirão de base para o processo de socialização da criança, bem como as tradições e os costumes perpetuados através de gerações. Dessa forma, a família é a causa número um pela qual vale a pena lutar nessa vida. Se a família está destruída, tudo o resto se desmorona. Ao contrário, se a família está segura, bem estruturada, todo o resto torna-se saudável e feliz, um campo propício para as realizações pessoais e coletivas dos indivíduos.

Os amigos

A amizade é talvez a forma mais perfeita do amor. Diferentemente das relações com a família, a amizade é um vínculo que se escolhe, e não que se herda. Diferentemente do amor de um casal, na amizade não há compromissos, nem pactos de exclusividade. Além disso, toda forma de amor exige que haja amizade, mas a amizade não exige que estejam envolvidas outras formas de amor.

Entretanto, nem todas as pessoas com as quais convivemos são nossas amigas. Nem todos os que se dizem nossos amigos o são de verdade. As amizades profundas e sinceras são escassas e, por isso mesmo, devemos aprender a valorizá-las. E como é um amigo de verdade?

Dizem que quem tem um amigo, tem um tesouro. E é verdade! Os bons amigos são um bálsamo para a vida e um antídoto contra as doenças físicas e emocionais. Por isso, a Bíblia chega a dizer que: “Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro”. Seja e tenha muitos amigos!

A felicidade

A última meta de cada pessoa é ser feliz. Tudo o que fazemos e somos é para sermos felizes. Não existe nada na vida de uma pessoa que não seja voltado para atingir a felicidade. Logo, a felicidade não é uma conquista, como disse o escritor brasileiro Paulo Coelho. A felicidade humana é uma visão de mundo, um projeto de vida, uma meta inatingível. É como a metáfora do horizonte, você olha e vê que está bem próximo, mas quando você começa a caminha, mais distante fica. A felicidade é autônoma, tem vida própria. Na busca para atingi-la, o ser humano deve considerar algumas ações práticas: primeiro, não descuide da saúde, pratique esporte, faça caminhada; segundo, preencha o tempo livre com atos significantes, visite amigos, vá ao cinema, saia com a família; terceiro, cuide de si mesmo, isto é, aproveite a própria companhia, faça o que gosta, leia bons livros, viaje sozinho, enfim, pratique meditação e faça exercício mentais. Basicamente isso é o que todos queremos: felicidade e não sofrimento. Então, por que não trabalhar por isso? Mas o objetivo não é beneficiar apenas a si próprio, isso já fazemos, e não está dando muito certo. O desafio aqui é a felicidade coletiva, geral. O que você acha, será possível? Em que você pode colaborar com esse projeto?

Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).