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Você estaciona em vagas para deficientes?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Já não é nenhuma novidade que muitas pessoas simplesmente não respeitam os espaços públicos, como também as vagas para pessoas com deficiência em estacionamentos espalhados pelo Brasil.

Cansado dessa situação, o analista financeiro Rodrigo Bottini, criou panfletos e o projeto Multa Moral, que consiste em colocar um panfleto conscientizando o motorista a não estacionar nas vagas para deficientes.

Nós conversamos com Rodrigo Bottini, confira a entrevista:

Eu sem Fronteiras: Como foi a ideia de criar os panfletos?

Rodrigo Bottini: Eu sou paraplégico há 17 anos, e quando comecei a dirigir, que foi uns dois anos depois da minha lesão, ganhei uns panfletos parecidos com esse que eu criei e eu colocava nos carros que estavam parados indevidamente nas vagas para pessoas com deficiência. Depois que participei do programa da Fátima Bernardes e contei essa história muitos amigos me pediram os mesmos panfletos, a partir daí junto com a minha mulher resolvi criar panfletos que tivessem a minha cara e um logo só meu, com a ajuda de alguns amigos criamos duas versões e chamamos o projeto de Multa Moral.

ESF: Qual o seu objetivo com os panfletos?

IMG_4464 (1) (1)RB: Meu objetivo é conscientizar as pessoas que param indevidamente nas vagas a não fazerem mais isso, e o projeto Multa Moral faz isso de uma forma descontraída e educada, e a ideia é que qualquer pessoa possa fiscalizar essas vagas, eu falo sempre que é necessário observar se o carro que está parado possui o cartão de identificação e não somente o adesivo, porque a deficiência nem sempre está aparente, caso não possua quem tiver adquirido o bloco pode colocar um panfleto no para-brisa do carro e assim vamos criando uma grande corrente de cidadania.

ESF: Por que você acha que as pessoas ainda não respeitam as vagas para deficientes?

RB: Pela falta de conhecimento da real necessidade de quem usa essas vagas e pela falta de uma punição maior, hoje a multa é de R$53,00 e três pontos na carteira, é muito pouco, sendo que eu noto que a incidência maior de infratores é nas classes sociais mais altas e esse valor é praticamente simbólico.

ESF: Você acha que as autoridades deixam a desejar neste sentido, ou as pessoas são mal-educadas mesmo?

RB: Eu acho que não dá para afirmar que as pessoas são mal-educadas, talvez o melhor seria qualificá-las como mal-informadas. E com relação às autoridades, eu acho que nas vagas públicas até existe uma fiscalização, mas a punição como eu já citei é baixa, o problema é nos locais privados (shoppings, bancos, farmácias, etc…) aí o desrespeito é maior e a fiscalização inexiste.

ESF: Você tem mais pessoas trabalhando nessa causa?

RB: Existem vários projetos com a mesma ideia e que não trabalham para mim, são iniciativas parecidas, posso citar um recente que vi em Piracicaba, e a própria Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência em São Paulo, que distribui panfletos parecidos, eu acho que falta divulgação dessas iniciativas porque elas se somam e só assim conseguiremos abranger um maior número de pessoas.

ESF: Quais os planos para o futuro?

RB: A ideia é aumentar esse leque e criar um cartão parecido para os idosos e depois criar uma fanpage no Facebook para que as pessoas apliquem a multa tirando uma foto, e com a hashtag #multamoral possamos colocar essas fotos na fanpage, de preferência sem constranger as pessoas multadas, apenas para ver se o projeto realmente está dando certo.

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ESF: Qual a reação das pessoas ao receberam o panfleto?

RB: As pessoas estão empolgadas porque querem aplicar a multa moral, acho isso muito legal, porque isso foi uma demanda que surgiu de pessoas que convivem comigo e veem a dificuldade que passo no dia a dia, e ter mais pessoas fiscalizando, mesmo que não me conheçam, é muito bom, o que mostra que podemos acreditar que iniciativas como esta dão resultados, é um trabalho de formiguinha, mas que somado a tantos outros podem mudar nossa sociedade.  

Quero só pontuar que os blocos estão à disposição no site “O Pote” e por um período curto, talvez mais dez ou vinte dias, depois preciso pensar como vou disponibilizar, porque todo recurso arrecadado é revertido para produzir mais blocos e custear as postagens, eu não estou ganhando nada com esse projeto.


  • Entrevista realizada por Angélica Weise da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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