Reorganização Neurofuncional Saúde Integral

Você sabe o que é dislexia?

Neusa Botana
Escrito por Neusa Botana

Crianças com dificuldade de aprendizagem na escola podem ser vistas por pais e professores como desinteressadas e desleixadas. Mas as notas vermelhas talvez sejam sinal de dislexia, distúrbio que afeta a capacidade de ler e escrever. A condição afeta cerca de 5% da população brasileira, segundo o instituto ABCD, organização social voltada à jovens com dislexia e outros problemas de aprendizagem.

Não há cura para a dislexia, que se manifesta por herança genética e não se relaciona com distúrbios psicológicos. O tratamento, feito com fonoaudiólogos, psicólogos e psicopedagogos, costuma garantir uma vida normal aos portadores do transtorno. A leitura e a escrita vão exigir esforço constante, mas a criança pode seguir sua vida escolar sem problemas.   

O diagnóstico de uma criança disléxica pode ser feito apenas a partir da alfabetização, quando um professor percebe que a evolução do aluno está aquém da esperada. Mesmo assim, é necessário que a criança seja submetida à análise de professores, psicólogos e fonoaudiólogos para diferenciar se ela tem dificuldades pontuais ou é disléxica.

Algumas características que podem levar ao diagnóstico  de dislexia:

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Leitura lenta e pouco fluente

Crianças com dislexia costumam demorar mais para ler do que aquelas sem o distúrbio, isso porque elas têm dificuldade em identificar palavras e associá-las a seus sentidos. Sua leitura em voz alta costuma ser menos fluente do que a das outras crianças da mesma idade.

Erros ortográficos

A dislexia prejudica a consciência fonográfica, isto é, a habilidade de discriminar sons parecidos. Por isso, letras com pronúncia semelhantes, como V e F. P e B, T e D, costumam ser trocadas na escrita, ocasionando erros ortográficos. Crianças disléxicas também têm dificuldade de memorizar regras de ortografia e até de juntar duas letras para formar uma sílaba simples.   

Demora na construção de frase

Pela dificuldade de formar palavras e atribuir significados a elas, os portadores do distúrbio costumam apresentar lentidão para construir frases. Muitas vezes, as sentenças têm sentido, mas são gramaticalmente incorretas, como “eu era com sono”.

Dificuldade em seguir frases longas

A memória operacional é conhecida popularmente como memória de curto prazo. É ela que acessamos ao anotar um número de telefone antes de esquecê-lo ou ao realizar operações matemáticas. A dislexia afeta esta memória. Por isso, ordens longas – como abrir um determinado livro em uma determinada página e fazer um determinado exercício – são um desafio para os  disléxicos.

Escrita espelhada

Escrever palavras de trás para a frente, como se o texto tivesse sido colocado diante de um espelho, pode ser um sinal do distúrbio.  A escrita espelhada decorre da dificuldade na formação de palavras e no aprendizado do alfabeto, presente nos disléxicos em idade escolar.

Falta de concentração

Disléxicos podem ter problemas de se concentrar em atividades que exijam atenção, como quebra-cabeças e jogos dos sete erros. Esta dificuldade também ocorre durante as aulas.

Dificuldade com noções de tempo e espaço

Crianças disléxicas demoram mais do que as outras para adquirir noções temporais e espaciais, assim como a dominância de lados e os conceitos de direita e esquerda. Elas podem confundir  “ontem e hoje” ou “acima e abaixo”

Torna-se importante ressaltar que estes sinais analisados individualmente não podem ser considerados como dislexia, sendo assim, é necessário consultar um profissional especializado para a realização de avaliação com protocolo pertinente,  e a  partir desta ser dado com segurança o diagnóstico  correto.

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Sobre o autor

Neusa Botana

Neusa Botana

- Formada em Fonoaudiologia e Psicopedagogia pela PUC - SP.
- Especialista em motricidade oral, leitura e escrita, método reorganização neurofuncional – Padovan.
- Pós graduada em Distúrbio de Aprendizado pela PUC-SP.
- Pós graduanda no setor de pediatria do Instituto da criança do HC- FMUSP.
- Professora convidada para cursos de pós graduação na área de Distúrbio do Aprendizado em indivíduos portadores de dislexia, autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade.
- Fonoaudióloga em equipe multidisciplinar no Ambulatório do Distúrbio do Aprendizado – Instituto da Criança do ICR – FMUSP.

Fonoaudióloga – CRF2: 3296

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