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11 coisas que Gilmore Girls me ensinou sobre a vida

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras
Não há nada de errado em ser próxima da sua mãe

Minha mãe é a minha melhor amiga e posso gritar isso de qualquer sacada. Embora eu tenha passado muito tempo assistindo a esta série, tinha alguma coisa incrível na relação de mãe e filha que influenciou todas as mães e filhas que as assistiam.

O relacionamento delas era tão invejável e desejável que fez uma geração de meninas do ensino médio parar de fingir que odiava as suas mães (coisa de adolescente) e reconhecê-las não apenas como as super-heroínas que são, mas também como pessoas reais capazes de ser suas amigas.

Relacionamentos são complicados

Por mais louco que isso pareça, eu realmente sentia que Rory, Lorelai e todo o universo de Stars Hollow eram reais. E, mesmo não fazendo parte dele, sentia que tudo era de verdade e que todas as coisas que estavam acontecendo representavam a vida real. Assistir às experiências e ao sofrimento dos personagens foi a primeira vez em que fui exposta ao fato de que nem todas as coisas são tão definitivas assim. Os relacionamentos românticos, a relação de Rory e Lorelai e, é claro, a relação sempre tumultuada de Lorelai com Emily e Richard são todas representações de como são os relacionamentos na vida real.

Desde a contínua discussão sobre o namorado preferido de Rory (nenhum era perfeito) até o “romance ioiô” de Lorelai com Christopher (que é impossível de se odiar completamente, apesar dos seus inúmeros defeitos) e também a separação e reunião de Rory e Lorelai durante sua época de faculdade, Gilmore Girls me mostrou que as relações da vida real são muito complexas, muito além do que consideramos certo ou errado.

Ninguém é perfeito, mas isso não quer dizer que as pessoas sejam ruins

Amy Sherman-Palladino fez com que eu me apaixonasse por essas personagens belas, interessantes e engraçadas e, então, fez com que elas fizessem coisas que não eram boas, mas eram reais, muitas vezes implicando em maldades. Assim, tive que reavaliar se você pode ditar para alguém simplesmente o que é o bem e o que é o mal. Para uma criança, essa é uma lição muito importante a se aprender, porque, por muito tempo, você é ensinado que ou alguém é bom ou mau e, como qualquer um que já passou dessa fase sabe, isso simplesmente não é verdade. Ainda me lembro do meu debate interno depois que a Rory perdeu a virgindade com o Dean enquanto ele ainda era casado com a Lindsey. Eu AMAVA a Rory, me identificava com ela e assisti a ela flertando com um homem casado foi algo que realmente me pressionou e coloriu meu cérebro, antes preto e branco, em tons de cinza.

Se ama alguém de verdade, você pode vencer qualquer batalha

Assistir Lorelai e Rory brigando sobre o roubo do iate me matou. Minha mãe e eu sentamos e choramos, tanto nos momentos tristes em que elas estavam claramente perdidas, até no belíssimo momento em que se reuniram e se dirigiram para a garagem. Por muito tempo, achei que as brigas significavam o fim de alguma coisa.

Não toda briga, mas uma da magnitude que elas tiveram. Pensava que, se você fizesse algo ruim, não teria como voltar atrás. As conversas que tive com a minha mãe durante esse período provavelmente foram as conversas mais importantes que tive com ela sobre a nossa relação e o que significa amar alguém incondicionalmente.

O verdadeiro amor usa um boné virado para trás e roupas de flanela

Luke Danes foi o primeiro cara por quem me apaixonei no sentido de até querer planejar um casamento. Todas as celebridades por quem eu tinha uma quedinha eram apenas por causa de brilho, glamour e músculos. Embora o Luke não fosse nada feio, era grosseiro, mal-humorado e desajeitado. Seu ponto forte é que ele era realmente uma pessoa boa. Ele se importava com pequenas coisas, como o café da manhã de Rory ou com o pedido da chupá para a Lorelai. De fala mansa e rouca, ele tinha uma alma gentil e um coração romântico (podemos, por favor, nos lembrar de quando ele salvou o horóscopo?). Luke me ensinou que o amor está nos pequenos gestos e muitas vezes não pode ser encontrado no excesso de confiança ou em joguinhos, mas talvez num copo de café.

Nem todo mundo tem a mesma definição do que é engraçado ou legal; e ler é sexy

Se houvesse uma personagem para quebrar o estereótipo de garota popular do ensino médio, essa seria Rory Gilmore. Embora Alexis Bledel seja deslumbrante, Rory nunca se importou em ostentar — era conservadora e gostava de ler e conseguiu fazer isso parecer mais legal do que todo o resto. Ensinou a uma geração inteira de leitores vorazes que não há nada de errado nisso e que está tudo bem em ser você mesmo (e que vários homens lindos se apaixonarão por você por causa disso). E, ainda por cima, Rory raramente foi vítima das “pessoas legais”. Mesmo na universidade, mal bebia e fazia aquelas coisas “típicas dos universitários” para aparecer na mídia e, mesmo assim, parecia estar vivendo um momento incrível. O melhor exemplo disso é quando ela e Paris decidem ir para Spring Break só para passarem seu tempo no quarto assistindo Power of Myth. Embora nem todo mundo estivesse interessado nas mesmas coisas que ela, o interesse de Rory pelos livros e pela universidade mostrou algo muito difícil de ser encontrado na TV: uma garota normal e legal.

Comer é fácil

Numa era dominada pela mania das dietas, onde a raiva e a magreza era sinônimo de ser sexy, a série jogou um grande foda-se para a mídia que estava tentando fazê-los morrer de fome ao comer de verdade no programa. E não somente comendo, mas comendo porcaria. Nunca falavam sobre se sentirem gordos ou como não deveriam ter comido aquilo ou o que fariam depois do trabalho para compensar as calorias, mas falavam sobre o que comeriam depois. Embora todo mundo possa dizer que Lauren Graham e Alexis Bledel sejam as típicas magras atrizes de Hollywood que provavelmente não comem desse jeito, não estou falando sobre o que elas me ensinaram, mas o que Gilmore Girls me ensinou. E tudo bem comer. Assistir a esse seriado durante minha adolescência me trouxe uma atitude muito saudável quanto aos alimentos — não que eu deva comer twizzlers ou comida chinesa todos os dias, mas que os alimentos não devem ser inimigos e que comer significa felicidade.

Um cara legal nem sempre é o cara certo

Marty, “Naked Guy”, era ótimo. Ele era humilde, um amigo leal, trabalhador, e completamente fofo. No papel, a definição do cara “certo” para namorar. Rory, no entanto, preferiu Logan, controverso que só ele — por vezes um babaca total e, por vezes, um cara incrivelmente doce — na verdade, até faz mais o tipo da Rory do que Marty. Esses estranhos relacionamentos me fizeram pensar que a situação é mais difícil do que imaginamos. Existe um tipo de conexão intangível que nem sempre faz sentido logicamente, mas que, quando vivemos na vida real, faz muito sentido. Outro exemplo é o dilema de Dean e Jess.

Se você liderar, eu vou seguir

O hino do amor verdadeiro. Não de uma forma romântica, mas de uma forma de melhores amigos, uma forma de mãe e filha. Eu não podia evitar pensar na minha mãe e nos meus amigos toda vez que ouvia a voz de Carole King e como gostaria de segui-los a qualquer lugar e como sentia a mesma verdade da parte deles.

Às vezes, você só precisa da sua mãe

Essa é uma lição mostrada vez ou outra no seriado, mas o melhor episódio que mostra isso é aquele em que Rory deixa Yale. Assim que eu e minha mãe assistimos Rory chamar Lorelai de volta e vê-las passando a primeira noite juntas no dormitório da Rory, avaliando todos os garotos do delivery, nós duas, pela primeira vez, começamos a contemplar a ideia de estarmos separadas quando eu fosse para a faculdade. A série mostrou que, às vezes, você simplesmente precisa da sua mãe, assim como ela também pode precisar de você. Eu tento, mas não posso deixar de pensar na Rory ligando para a mãe, enquanto o ficante inútil estava no banheiro perguntando sobre como movê-lo para o outro lado da mesa. O que Gilmore Girls fez de melhor foi mostrar, com precisão, o nuance e o tumultuado amor que existe entre mães e filhas, coisa pela qual eu sou tão agradecida.

A série abordou temas muito importantes de uma forma incrível: amigos, família, vida escolar, alimentação, conflitos existenciais sobre o que é certo e o que é errado. Talvez essa seja uma das melhores coisas nas séries: nos fazer pensar e viver coisas que ainda não experimentados, mas mesmo assim conseguir tirar uma lição disso. Com a volta de Gilmore Girls na Netflix, tenho a esperança de que muitos jovens e principalmente as meninas esquisitas da escola possam aprender muito com essa série que já me ensinou tanto.


Escrito por Magliaro Prieto da Equipe Eu Sem Fronteiras

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