Falar em prosperidade virou algo comum, pensar positivo, confiar, visualizar crescimento, tudo isso aparece com facilidade no discurso, o problema começa quando a prática não acompanha, é aí que muitos negócios emperram, não por falta de desejo, mas por falta de estrutura.
Coerência é o ponto onde intenção e ação se encontram, sem isso o negócio fica frágil, pode até faturar em alguns momentos, mas não avança de forma consistente, crescimento pede base, base pede responsabilidade.
No empreendedorismo, especialmente entre terapeutas e profissionais do cuidado, existe um padrão recorrente: o trabalho é tratado como vocação, mas não como empresa. Há entrega, estudo e dedicação, mas falta organização, falta assumir o negócio como negócio.
Pensamento positivo não compensa informalidade, consciência não substitui gestão, energia não resolve desorganização.
Atuar sem CNPJ é um dos principais entraves, muitas empreendedoras vendem serviços, recebem valores, movimentam dinheiro, mas seguem sem formalização, não emitem nota, não separam pessoa física de pessoa jurídica, depois não entendem por que nada se firma.
Além disso, existe confusão em relação ao alvará. O alvará citado aqui não é o alvará do CNPJ. Trata-se do alvará da pessoa física profissional. Em muitas cidades, o profissional liberal precisa comparecer à prefeitura com seu certificado de formação para obter autorização de atuação. Isso vale para psicanalistas, consteladoras, terapeutas integrativas, entre outras profissões. Esse alvará autoriza o exercício da atividade como pessoa física e é independente do CNPJ.
Negócio informal comunica insegurança, mesmo quando o cliente não verbaliza, ele percebe, parcerias sérias evitam, empresas não contratam, projetos maiores não chegam, o crescimento trava antes de começar.
O CNPJ não é apenas obrigação legal, é posicionamento, é dizer de forma prática que esse trabalho existe, gera valor e assume responsabilidades, isso vale para todas as áreas, inclusive terapias e serviços de desenvolvimento humano, regularizar fortalece a base do negócio.
O mesmo vale para contratos e emissão de nota fiscal, esses elementos organizam a relação com clientes e parceiros e permitem crescer com previsibilidade e segurança.
Outro ponto crítico está na relação com dinheiro, muitas empreendedoras querem ser valorizadas, mas não valorizam quem presta serviço para elas, atrasam pagamentos, pagam sempre no limite, pedem desconto em tudo, questionam preço o tempo inteiro, isso cria um ciclo de desvalorização difícil de romper.
Se uma empreendedora não atrasa o pagamento da conta de energia ou sequer a negocia, por que fazer isso nas demais contas e obrigações?
Quem pede desconto o tempo todo ensina ao mercado como tratar o próprio trabalho, quem atrasa pagamento comunica desorganização, quem paga mal afasta bons fornecedores, depois sobra frustração.
Dinheiro responde a comportamento, não a discurso bonito.
Em algum momento, a pergunta precisa mudar, em vez de “por que não vai para frente?”, a pergunta passa a ser “o que ainda não está sendo feito?”.
E a resposta costuma estar no básico: abrir CNPJ, regularizar a atuação como pessoa física na prefeitura, emitir nota fiscal, separar contas pessoais das contas do negócio, registrar entradas e saídas, acompanhar números com clareza.
Organizar pagamentos, definir prazos, cumprir datas, tratar fornecedores como parceiros, pagar em dia, negociar com respeito.
Definir preços com critério, manter o valor cobrado, parar de pedir desconto em tudo, escolher onde investir, entender que crescimento exige custo.
Criar contratos simples, estabelecer regras claras, definir escopo, proteger o próprio trabalho, evitar acordos vagos, clareza reduz conflitos.
Assumir postura profissional, mesmo em áreas terapêuticas. Estrutura não elimina cuidado, organização não apaga propósito.
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Prosperar não é só estado mental e emocional, é construção prática, começa no modo como o negócio é tratado no dia a dia, no respeito aos acordos, no compromisso com regras, na disposição de sair do improviso.
Coerência aparece nas escolhas pequenas…
Quando isso acontece, o negócio ganha forma, o mercado responde, as oportunidades surgem, não por promessa, mas por consequência.
Prosperar exige maturidade, e maturidade começa quando a prática acompanha o discurso.
