Cidadania Comportamento Convivendo Pet - Animais de estimação

O silêncio diante da violência contra animais

Um cachorro cansado está deitado em uma calçada.
Vladislav Likhomanov / Pexels / Canva
Escrito por Giselli Duarte

Quando a crueldade contra animais vira notícia… e depois silêncio, o que isso diz sobre nós? Por que a violência é relativizada, minimizada ou esquecida? Até quando vidas sem voz seguirão sem consequência? Leia e continue essa reflexão necessária.

Há algo profundamente errado quando atos de crueldade contra animais se repetem e quase nada acontece depois. Torturas registradas, mortes deliberadas, sofrimento prolongado. O choque dura alguns dias. A indignação circula. E então tudo se dissolve. Os responsáveis seguem a vida. A violência fica sem consequência.

Quando quem comete esses atos é menor de idade, a reação costuma ser ainda mais frouxa. Diz-se que é cedo para responsabilizar. Que é só curiosidade. Que é falta de orientação. Mas a verdade é simples e incômoda: quem é capaz de infligir dor intencionalmente também é capaz de compreender limites. E responsabilidade é reconhecimento do que foi feito!

Nenhuma sociedade saudável trata crueldade como travessura. Nenhuma comunidade ética normaliza a violência só porque a vítima não fala. Quando um menor tortura um animal, algo já falhou antes. E ignorar isso não protege ninguém. Nem o animal, nem a criança, nem o futuro adulto que está sendo formado. Psicopatas não têm idade.

No caso de adultos, a permissividade é ainda mais grave. Não há desculpa possível. Maltratar, ferir ou matar um animal é um ato consciente. E quando isso não encontra resposta clara da lei e da sociedade, a mensagem transmitida é perigosa: a de que algumas vidas valem menos. A de que a brutalidade pode passar.

A pergunta que precisa ser feita não é apenas “quem fez”, mas “quem deixou”. Que tipo de legado estamos construindo quando fechamos os olhos para esses atos? O que estamos ensinando às próximas gerações quando a crueldade não encontra consequência?

É papel da sociedade inteira cobrar respostas. Das famílias, que precisam assumir responsabilidade pelos atos dos filhos. Das instituições, que não podem relativizar a violência. Do sistema jurídico, que precisa agir com firmeza. E também das pessoas comuns, que não podem tratar esses casos como mais uma notícia triste a ser esquecida.

Quem trabalha com cuidado, escuta, terapia, educação ou qualquer forma de desenvolvimento humano tem um papel ainda mais claro. Não basta falar de empatia em ambientes protegidos e ignorar o que acontece fora deles. É preciso nomear a violência. Recusar justificativas fáceis. Apoiar iniciativas de denúncia, acolhimento e educação ética desde cedo.

Um cachorro de rua está deitado em uma calçada descansando.
Optical Chemist / Pexels / Canva

Agentes de transformação não existem para confortar a consciência coletiva, mas para tensioná-la quando necessário. Para lembrar que compaixão não é conivência. Que cuidado não exclui limite. Que responsabilidade também é uma forma de proteção.

E as pessoas em geral? Precisam parar de se calar. Precisam denunciar. Precisam cobrar leis mais eficazes, fiscalização real, acompanhamento sério de casos envolvendo menores e punição adequada para adultos. Precisam entender que omissão também constrói cenário.

Até quando esses absurdos serão cometidos depende, em parte, do quanto seguimos tratando a crueldade como exceção isolada, e não como um sinal grave do que estamos permitindo crescer.

Uma sociedade é medida pelo modo como protege quem não pode se defender. Animais não têm voz institucional. Nós temos. E cada vez que escolhemos não usar essa voz, algo se perde.

Não é exagero dizer que a forma como lidamos com a violência contra animais diz muito sobre o tipo de mundo que estamos aceitando construir.

Sobre o autor

Giselli Duarte

Atuo na interseção entre negócios, comportamento humano e comunicação estratégica, apoiando profissionais e empresas na construção de posicionamentos consistentes, processos mais eficientes e decisões alinhadas aos seus objetivos de crescimento.

Sou fundadora da Terapeutas Digitais, empresa especializada em estratégia, gestão e posicionamento para terapeutas e empreendedoras. Minha atuação integra negócios, comunicação estratégica e desenvolvimento humano, partindo da compreensão de que muitos desafios empresariais estão diretamente ligados à forma como a pessoa conduz sua comunicação, toma decisões e ocupa seu papel dentro da própria empresa.

Embora meu trabalho tenha como foco negócios, gestão e posicionamento, frequentemente as questões que limitam o crescimento de uma empresa também passam pelo comportamento de quem a lidera. Por isso, minha atuação considera tanto os aspectos estratégicos quanto os padrões que influenciam decisões, comunicação e desenvolvimento empresarial.

Sou formada em Marketing, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, pós-graduação em Design Gráfico e pós-graduação em Inteligência Artificial aplicada a Growth Marketing. Também realizei estudos voltados ao comportamento humano, com pós-graduações em Psicanálise Clínica, Inteligência Emocional e Constelação Familiar Sistêmica, além de formações em meditação, atenção plena e yoga.

Ao longo da minha trajetória, atuei em projetos de diferentes segmentos, incluindo engenharia, startups e comunicação. Essa experiência ampliou minha visão sobre gestão, posicionamento, processos e crescimento empresarial em diferentes contextos de mercado.

Sou autora de três livros, colunista do portal Eu Sem Fronteiras e instrutora de meditação nas plataformas Insight Timer e Aura Health, onde compartilho conteúdos voltados à atenção, autorregulação e desenvolvimento humano.

Além da atuação em estratégia e negócios, também realizo atendimentos voltados a empreendedoras. Esse trabalho integra conhecimentos de comportamento humano, atenção plena e desenvolvimento emocional, ampliando a compreensão sobre fatores que frequentemente influenciam decisões, posicionamento e crescimento profissional.

Também atuo como mentora voluntária na Rede Mulher Empreendedora (RME), apoiando mulheres na análise de desafios relacionados à gestão, posicionamento e crescimento de seus negócios.

Meu trabalho é voltado a profissionais que desejam desenvolver negócios mais organizados, tomar decisões com mais clareza e construir estruturas capazes de acompanhar o crescimento que buscam alcançar.

Curso: Meditação para quem não sabe meditar

Livros: Conheça meus livros

Aplicativos: meditações guiadas disponíveis no Aura Health e Insight Timer