Autoconhecimento Comportamento Convivendo Cultura Filosofia Psicologia Saúde Mental

E não vos conformeis com este mundo: uma responsabilidade da mente encarnada

Uma mulher jovem está meditando à beira do mar.
Ave Calvar Martinez / Pexels / Canva
Escrito por Giselli Duarte

Conformar-se é mais fácil do que parece. Quantas ideias você repete sem perceber? E se a renovação da mente fosse uma responsabilidade diária, concreta e ética, não um discurso abstrato? Até onde vai sua coerência no mundo real? Continue a leitura.

A frase bíblica “e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” atravessa o tempo porque não aponta para fuga, nem para negação da vida concreta. Ela fala de responsabilidade interna em um mundo que pressiona o tempo todo para a repetição automática de padrões, valores e comportamentos.

Conformar-se, nesse contexto, significa permitir que a mente seja moldada sem questionamento. Significa também viver reagindo, reproduzindo crenças herdadas, normalizando violências sutis, ajustando-se a sistemas que adoecem sem perceber. A advertência do texto é estrutural!

A mente é o campo onde tudo começa. É nela que se organizam escolhas, relações, prioridades e ações. Renovar a mente é rever o modo como se percebe o mundo, o outro e a si. É interromper padrões repetidos que já não servem, mesmo quando são socialmente aceitos.

Para terapeutas, educadores, cuidadores e pessoas que se colocam como agentes de mudança, essa frase carrega um peso ainda maior. Não basta oferecer escuta, técnica ou orientação se a própria mente segue conformada a modelos de poder, hierarquia, julgamento e exclusão. Não há coerência possível quando se fala de cuidado, reproduzindo estruturas que geram adoecimento.

Uma psicóloga e sua paciente estão em uma sessão de terapia. A psicóloga está falando e a paciente ouvindo.
Karola G / Pexels / Canva

Renovar a mente exige vigilância constante sobre o próprio funcionamento. Exige perceber quando se está apenas reagindo, defendendo identidade, protegendo a imagem ou buscando validação. Exige reconhecer que nenhuma função de ajuda isenta alguém de olhar para seus próprios condicionamentos.

Essa renovação se manifesta no modo como se lida com conflito, frustração, diferença e limite. No modo como se exerce autoridade, se escuta o outro. A mente renovada é mais responsável.

Quando se fala em dimensões, é comum que o assunto seja tratado de forma abstrata ou fantasiosa. Mas há uma leitura possível que dialoga diretamente com essa frase bíblica. A terceira dimensão, entendida aqui como o plano da matéria, do corpo e da ação concreta, é o lugar onde as escolhas têm consequência direta. Onde tempo, limite e responsabilidade existem.

A terceira dimensão pede presença encarnada. Pede ação consciente. Pede ética aplicada, não idealizada. Não há como falar de níveis mais sutis de consciência ignorando o que se faz com o próprio corpo, com o outro e com o mundo imediato. É nesse plano que se testa qualquer fala elevada.

A chamada quarta dimensão costuma ser associada ao campo emocional e mental. É onde pensamentos, crenças e narrativas ganham força. Onde o tempo psicológico se expande. Onde a mente cria histórias, identidades e justificativas. Sem renovação da mente, esse campo vira repetição dos mesmos padrões, apenas com linguagem diferente.

Uma mulher jovem está meditando. Ela está com a cabeça levantada e com os olhos fechados.
Mikhail Nilov / Pexels / Canva

A quinta dimensão, muitas vezes descrita como um campo de consciência ampliada, só faz sentido quando há coerência entre pensamento, emoção e ação. É um estado que se manifesta quando há alinhamento interno suficiente para reduzir conflito, projeção e violência. Sem responsabilidade na terceira dimensão, qualquer fala sobre a quinta se torna especulação.

Por isso, a urgência desse tema não é espiritual no sentido abstrato. Ela é prática. Vivemos um tempo em que a conformidade se disfarça de liberdade. Onde repetir falas vazias parece pensamento crítico. Onde a mente é constantemente capturada por estímulos, medos e polarizações.

Renovar a mente hoje quer dizer, desacelerar a reação. Questionar o que parece óbvio. Recusar a normalização do absurdo. Assumir que cada escolha, por menor que seja, contribui para o tipo de mundo que se constrói. Isso é cotidiano.

Para quem atua com cuidado humano, essa renovação passa por revisar o próprio lugar. Perguntar-se com sinceridade se está formando pessoas mais autônomas ou mais dependentes. Se está promovendo discernimento ou apenas conforto. Se está disposto a ser atravessado pelo que escuta ou apenas a conduzir.

Para as pessoas em geral, o caminho é o mesmo. Não terceirizar a própria consciência. Não esperar que sistemas, líderes ou instituições façam esse trabalho interno. A responsabilidade não é coletiva no sentido abstrato. Ela é individual em prática e coletiva em consequência.

A frase bíblica propõe outra forma de estar nele. Uma forma menos automática, menos conformada, menos submissa a padrões que já mostraram seu limite. Ela aponta para uma mente que se renova continuamente porque se observa em ação.

Talvez o maior equívoco seja imaginar que a renovação mental seja um evento pontual. Ela é um processo contínuo. Exige revisão constante, humildade para reconhecer falhas e disposição para ajustar a rota. Não é um lugar confortável, muitas vezes.

Neste tempo, essa frase cai como uma luva porque lembra algo essencial. Nenhuma mudança externa se perdura sem mudança interna. Nenhuma consciência ampliada se manifesta sem responsabilidade concreta. E nenhuma dimensão mais ampla faz sentido se a base continua negligenciada.

Renovar a mente é, no fim, assumir o próprio papel nesta dimensão, com a presença que muitos agentes de transformação costumam proferir. Além disso, é preciso agir com ética e atenção ao impacto que se causa. É aí que qualquer fala espiritual encontra sentido e assim, a urgência se revela.

Sobre o autor

Giselli Duarte

Sempre fui movida pela curiosidade e pela busca constante por aprendizado. Minha trajetória percorreu diferentes áreas, da carreira corporativa a experiências menos convencionais, como um curso de DJ. Esse caminho diverso ampliou meu repertório e me trouxe a compreensão de que cada fase contribui de forma concreta para o trabalho que realizo hoje.

Com espírito empreendedor desde cedo, iniciei minha vida profissional aos 14 anos como jovem aprendiz e, aos 21, legalizei meu primeiro negócio. Desde então, criei, conduzi e participei de projetos diversos, sempre unindo visão estratégica, organização e consistência na execução.

Atuo na interseção entre marketing, negócios e comportamento humano, apoiando profissionais e empresas na construção de estratégias claras, posicionamento consistente e processos de crescimento bem estruturados. Ao longo da minha trajetória, trabalhei como profissional PJ em projetos para empresas de diferentes segmentos, como engenharia, startups, agências de comunicação e administração de condomínios. Essa vivência trouxe uma visão prática sobre modelos de negócio, tomada de decisão, estrutura e posicionamento em contextos variados.

Sou formada em Marketing, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, pós-graduação em Design Gráfico e Inteligência Artificial aplicada a Growth Marketing. Em paralelo, aprofundei meus estudos em comportamento humano, autoconhecimento e processos de autorregulação, com formações e pós-graduações em Psicanálise Clínica, Constelação Familiar Sistêmica e Inteligência Emocional.

A experiência com o burnout foi um ponto de inflexão na forma como conduzo minha vida e minha atuação profissional. A partir desse momento, o Yoga e a Meditação passaram a fazer parte do meu caminho, levando à formação em Hatha Yoga, à Especialização em Atenção Plena e Educação Emocional, à Formação de Instrutores de Yoga para Crianças, Jovens e Yoga na Educação e Terapias Integrativas. Esse percurso ampliou minha compreensão sobre saúde emocional, atenção e desenvolvimento humano em diferentes fases da vida.

Compartilho esse conhecimento como colunista aqui no Eu Sem Fronteiras. Também atuo como instrutora de meditação nas plataformas Insight Timer e Aura Health, onde desenvolvo práticas e conteúdos em áudio e formato de podcast, voltados ao cultivo de presença, clareza e equilíbrio.

Como autora, publiquei os livros No Caminho do Autoconhecimento, Lado B e Histórias de Jardim e Café, reunindo reflexões e vivências ligadas ao comportamento humano e à forma como nos relacionamos com a vida e o trabalho.

Atualmente, estou à frente da Terapeutas Digitais, uma agência de marketing especializada em profissionais da área terapêutica. Desenvolvo planejamento de marketing, mentoria, estratégia digital, gestão de redes sociais premium e estruturação de posicionamento, comunicação e processos que conectam marca, público e objetivos de negócio.

Minha atuação como mentora de negócios integra marketing, estratégia e autoconhecimento. Parto do princípio de que empreender exige clareza interna, postura e decisões conscientes, e que, muitas vezes, os desafios do negócio estão diretamente ligados à forma como a profissional se posiciona, escolhe e se relaciona com o próprio trabalho.

Também realizo trabalho voluntário como mentora na RME, Rede Mulher Empreendedora, idealizada por Ana Fontes, participando de mentorias pontuais voltadas ao apoio estratégico de mulheres empreendedoras.

Acredito que negócios alinhados com quem somos ganham mais sentido, direção e impacto. É assim que escolho atuar e é esse caminho que sigo construindo.

Curso
Meditação para quem não sabe meditar

Contatos
Email: [email protected]
Site: giselliduarte.com
Site dos livros: No Caminho do Autoconhecimento e Lado B
Facebook:: @giselli.d
Instagram: @giselliduarte_
Twitter: @gisellidu
Linkedin: Giselli Duarte
Spotify: No Caminho do Autoconhecimento
YouTube: No Caminho do Autoconhecimento
Medium: @giselliduarte

Aura Health: www.aurahealth.io/coaches/giselli-duarte

Insight Timer: insighttimer.com/br/professores/giselli