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A Prece é o refúgio d´alma

Imagem das mãos de uma pessoa orando, trazendo o conceito de fé, espiritualidade e liberdade.
Marsel Hasanllari / Pexels / Canva
Escrito por Luiz Guimaraes

A prece fortalece a alma, renova a esperança e aproxima o ser humano de Deus. Mais do que pedir ajuda nos momentos difíceis, orar é cultivar fé, gratidão e paciência diante da vida, compreendendo que o tempo divino sempre sabe o que precisamos e quando merecemos receber.

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. (Marcos 14:38). Sempre recorremos à prece nos momentos mais cruciais pelos quais passamos. As dores e sofrimentos levam-nos a buscar a ajuda que necessitamos.

Diante das vicissitudes, podemos sentir dificuldade para o devido enfrentamento e, não raro, o desânimo nos impede de prosseguir nas veredas da vida.
Jesus procurava recolher-se para orar.

Esse momento sublime de elevada conexão com o Criador exige uma sintonia pura, para que nessa intimidade maior possamos fazer nossas rogativas e sermos aliviados pela misericórdia de Deus.

Contudo, só buscamos esse ambiente de luz quando a infelicidade nos bate à porta. Esperamos que os desafios se acumulem ao ponto de exaurir as nossas forças, para pedirmos ajuda e mitigarmos nossos sofrimentos.

A falta de reflexão permanece na mente humana, menosprezando a grandeza da prece. Ela representa o alimento da alma e, como Espíritos, necessitamos desse bálsamo que minimiza nossas ansiedades e reforça as nossas esperanças.  

Com humildade e sentimento elevado, a prece chega ao seu destino, devendo sempre andar de mãos dadas com a fé. A verdadeira fé é aquela em que depositamos as nossas melhores energias, para alcançarmos aquilo que buscamos. Sem desespero, sem alarde e sim, com sinceridade, nosso pleito terá no Criador o ancoradouro que desejamos.

Por outro lado, é imperioso que atentemos para o nosso “imediatismo”. Ao rogarmos a clemência de Deus, é preciso sabermos que o nosso tempo difere e muito do tempo Dele. Nem sempre merecemos receber as graças que pedimos, já que existe no caminho o nosso grau de merecimento. E, ainda, muitas vezes, o tempo não é chegado para sermos contemplados com o que pedimos.

Saber esperar é o requisito da paciência. Deus é quem sabe o que precisamos e quando merecemos. Nesse contexto, o bom senso deve nortear nossos pensamentos e, não raro, quando menos esperamos, chega-nos aquilo que tanto queremos.

Vejamos o que nos diz a Revista Espírita de maio de 1866: “Nas aflições, a prece não só é uma prova de confiança e de submissão à vontade de Deus, que a escuta, se for pura e desinteressada, mas ainda tem por efeito, como sabeis, estabelecer uma corrente fluídica que leva longe, no espaço, o pensamento do aflito, como o ar leva os acentos de sua voz”.

A energia positiva que deve nos envolver durante a prece é um vasto campo que se expande e se mescla com o mesmo nível vibratório que encontra. Isso decorre da intensidade da nossa fé, que não deve ser vacilante e, sim, amparada pela razão.  

Imagem de uma mulher encostada em uma parede com foco de luz. Ela está em silêncio fazendo a sua prece.
ArtMari / Canva

Consideremos também o fanatismo emoldurado com a sombra que escurece o bom senso. Todo o valor da prece se dilui com os excessos que prejudicam as boas intenções. A sensatez leva-nos aos bons propósitos ao pedirmos, através da prece, a ajuda para os nossos anseios.

No livro A Luz da Oração, psicografia de Francisco Cândido Xavier, por diversos Espíritos, temos na pág. 13: “A oração não será um processo de fuga do caminho escuro que nos cabe percorrer, mas constituirá uma abençoada luz em nosso coração, clareando-nos a marcha”.

Trata-se de um auxílio fundamental que precisamos considerar, para termos fortalecidos os nossos laços com o Pai Celestial. Essa conexão eleva a nossa condição espiritual e teremos, sem dúvida, a companhia de Espíritos que nos guiam para atingirmos os propósitos da nossa evolução.

Na prece, devemos louvar, pedir e agradecer. Essa tríade constitui a essência que devemos cultivar. Louvar a grandeza do Criador, pedir o que precisamos e agradecer por tudo que conquistamos. O sentimento de gratidão nem sempre está presente em nossas preces. Precisamos cultivá-la, considerando a assertiva de Antístenes (445 a.C. – 365 a.C.): “a gratidão é a memória do coração”.
Em (Lc 17:11-19), temos a narrativa em que dos dez leprosos curados por Jesus, somente um retornou para agradecer.

Fica evidente que o interesse pela cura esmaeceu o sentimento de gratidão pela maioria deles. Isso retrata o perfil da humanidade, insensível para a nobreza das virtudes. (A prece é um feixe de luz que ilumina os nossos corações).

Sobre o autor

Luiz Guimaraes

Sou médico diplomado no ano de 1972, pela Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco. Já era funcionário do Banco do Brasil e em 1977 assumi o cargo de médico no serviço da Instituição. Em 1988, assumi a chefia daquele serviço e em 1996 aposentei-me. Escrevo para o Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco (ambos em Recife) sobre a Doutrina Espírita e também sobre nossa conjuntura política. Sou membro efetivo da Academia Pernambucana de Música desde 1998.

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