Meti a chave na fechadura apenas cinco minutos antes da hora combinada com minha mulher. Ela pediu que eu não me atrasasse para o jantar, pois estaria recebendo uma grande amiga que passava pela cidade.
Tranquei a porta e já me dirigia para o corredor quando ouvi vozes partindo da sala de jantar, onde deveriam estar me aguardando, quando um rapazote de seus 15 anos alcançou o corredor antes de mim e me estendeu a mão de forma resoluta:
– Eu sou o Bruno! – falou.
– Olá, Bruno, e eu sou…
– O marido da Lê. Eu sei! – cortou ele!
A “Lê”, de quem ele falava, era como eu chamava minha mulher, e que só os amigos mais íntimos sabiam! Isso já me falava dos laços que ligavam a mãe daquele garoto à minha Lê, que certamente estariam ambas aguardando por mim. E, antes que eu pedisse licença para cruzar o corredor, ele esticou o braço exibindo o celular:
– Estou lendo L.R.Bodstein! Conhece?
E eu, meio surpreso:
– Sim… Acho que sim!
E ele correu os dedos pela tela, permanecendo no lugar que bloqueava meu acesso à sala de jantar, e continuou:
– Olha só isto: “Não nos deve bastar lançarmos nossas sementes ao vento. Mas ter certeza de que algumas delas encontrarão solo fértil pra fincar suas raízes e germinar!”
– Profundo isso! – falei, pedindo passagem com um leve sorriso. – “Acho que a Lê e sua mãe estão esperando a gente pro jantar! Vamos?”
Ele se encostou na parede para eu passar e me seguiu para encontrarmos as duas amigas, que já se perguntavam o que tanto a gente conversava na sala!
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