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Qual a importância da comemoração do Dia da Árvore (21 de setembro) nos tempos atuais?

Imagem de uma criança ao lado de uma árvore ainda pequena.
Caroline Gonçalves Chaves / Canva

As árvores nos oferecem sombra, alimento, abrigo e vida sem pedir nada em troca. Cuidá-las é reconhecer essa generosidade e assumir nossa responsabilidade com o planeta. Afinal, plantar hoje é oferecer futuro a quem ainda nem chegou.

Árvore, esse ser incrível e magnífico, ofertado pela Mãe Natureza.
Árvore, um “instrumento” de refrescar, fornecer oxigênio essencial, ser casa e alimento de diversas criaturas.
Árvore, vida materializada.
Árvore – folha, fruto, casca, tronco, galho, raiz.

Temos inúmeras maneiras de iniciar este texto que referencia e reverencia a árvore como uma instituição vital à existência do próprio Planeta Terra. Quem conseguiria imaginar um mundo sem elas? Incompatível com a vida, certamente, um mundo sem nossas belas, frondosas e verdes companheiras.

A lembrança mais antiga que tenho da interação com uma árvore é a de uma das árvores que fica localizada no Parque da Redenção, em Porto Alegre-RS, minha cidade natal. Quando pequena, no contraturno da escola, meu pai me despertava com massagens nas costas, dizendo: “Acorda! Levanta! Tá na hora!”, e daí eu já sabia que iríamos para um agradável passeio pelo parque: meu pai a tomar chimarrão e conversar com seus amigos, eu, a pegar minha bicicleta e pedalar pelo local tão conhecido de todos os gaúchos.

Lá, próximo ao chafariz central, existe uma “senhora árvore” perfeita para escaladas: proporciona os apoios seguros para que os pés das crianças encontrem “degraus de escada”, até a chegada de um ponto específico, um tronco forte, “resistente a crianças”, modelado na horizontal, proporcionando um assento feliz e com vista privilegiada para o restante do parque.

Muito brinquei naquela hospitaleira árvore. Esses tempos, já crescida, com esposo e filho pequeno, e lá se vão mais de 30 anos desde a minha descoberta da perfeita árvore, volto ao parque e tenho a agradável surpresa de que minha amiga continua por lá, com a mesma missão de ser entretenimento e desenvolvimento motor para as crianças: elas seguem escalando os troncos da pequena, grande árvore. Sinto que essa árvore deva, dentro das suas limitações de ser vivo não senciente, se imaginar importante, útil e necessária.

Recordei-me agora da história A Árvore Generosa, do estadunidense Shel Silverstein, publicada em livro em 1964. A história, um pouco melancólica, conta sobre uma árvore que amava um menino. Todos os dias, o menino ia brincar perto dela, apanhava as folhas dela, comia suas maçãs, sentava-se sob sua sombra, balançava-se em seus troncos. A árvore ficava feliz pelo menino estar feliz.

O menino foi crescendo, e a árvore disse a ele que aproveitasse sua sombra, suas folhas, seus frutos. O menino, já homem, comentou que não podia mais brincar com ela e que precisava de dinheiro. A árvore, então, oferece suas maçãs para que ele as venda. Assim ele fez, e a árvore ficou feliz.

Passa um tempo, o homem volta. A árvore o convida para usufruir do que ela oferece, mas ele diz que está muito ocupado, que necessita de uma casa para morar, com sua esposa e seus filhos. A árvore responde que não possui uma casa para ofertar, mas tem sua madeira, seus galhos, para que ele construa uma casa. E assim foi feito.

O homem levou a madeira e ficou afastado por um tempo. Após um período, voltou bem mais velho, e a árvore ficou feliz de novo. O homem disse que queria um barco para ir para bem longe. Pediu à árvore; ela disse que não o possuía, mas que seu tronco forte poderia servir para fazer um barco e ele poder navegar. Assim foi feito. O velho partiu, e a árvore, quase sem existir, ficou feliz.

Após muito tempo, o idoso retornou, a árvore voltou a sorrir, e ele comentou que estava muito velho, sem dentes para comer maçãs, sozinho, muito cansado, só precisava descansar. A árvore, ou o que restou dela, ofereceu a ele seu toco de tronco, quase mais nada de si, para que o velho se sentasse e descansasse. E assim ele fez, e assim a árvore ficou feliz.

Imaginar que uma árvore se alegre com nossa alegria, com nossa satisfação, nos dando tudo o que ela tem de melhor, não é difícil, e eu diria que é “bem cara de árvore fazer isso”, bem o tipo de coisa que a Mãe Natureza faria e faz: se doar, mesmo após tanta ingratidão da humanidade.

Então escrevo que a importância em comemorar o Dia da Árvore está nisso: não esquecer da doação gratuita. Louvar a presença de um ser que nos dá tudo o que pode, sem pedir nada em troca, ou pior, aceitando (meio como Jesus?) ser dizimada, cortada, podada, extraída, removida, derrubada, indefesa, como se ainda estivesse incólume.

Este desenho frequentemente compartilhado na internet, infelizmente não consigo decifrar o nome do autor cartunista para promover os devidos créditos, me destrói o coração, por saber que é verdadeiro (como somos capazes de tamanha crueldade?):

Imagem de uma árvore e um homem segurando um machado por trás e ela querendo ofertar frutos para ele. A foto simboliza o cuidado e o respeito pela natureza. A arvore oferta flores e frutos e homem entrega a devastação.
EuSemFronteIrAs / Canva

As árvores estão morrendo, sim, e nem todas por ação de derrubada, mas também em razão das mudanças ambientais e da degradação de seus habitats. A Califórnia, por exemplo, é o lar de algumas das maiores e mais antigas árvores do mundo. As sequoias gigantes californianas podem viver mais de 3 mil anos, com seus troncos gigantescos e galhos que se estendem em direção às nuvens.

As árvores nas florestas estão morrendo em taxas cada vez mais altas, especialmente as árvores maiores e mais antigas. Um estudo publicado na revista científica Science mostra que a taxa de mortalidade está tornando as florestas mais jovens, ameaçando a biodiversidade, eliminando importantes habitats de plantas e animais e reduzindo a capacidade das florestas de armazenar o excesso de dióxido de carbono gerado pelo nosso consumo de combustíveis fósseis (Referências: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2026/01/as-maiores-e-mais-antigas-arvores-do-planeta-estao-morrendo-na-amazonia-e-no-mundo-quem-e-o-vilao-desse-desastre).

Mais uma vez, a ação do ser (des)humano provoca a morte de outros seres, mesmo que indiretamente. E, sem árvores, a vida no planeta seria profundamente afetada. A expressão “A Amazônia é o pulmão do mundo” já foi corrigida, visto que os pulmões captam oxigênio e eliminam gás carbônico. As árvores da Amazônia estariam mais para “rins do Planeta”, em uma analogia comparando com os órgãos do corpo humano, auxiliando a filtrar, armazenar e regular a água disponível.

Indico alguns endereços eletrônicos (alguns não são brasileiros, mas podem ter seu conteúdo facilmente traduzido para o português pelas ferramentas digitais) para quem se interesse em conhecer mais sobre as árvores e até mesmo sobre a possibilidade de ceder sua terra para o plantio e multiplicação dessas maravilhosas e essenciais amigas:

https://super.abril.com.br/ideias/arvores-da-vida/#google_vignette
https://www.ibflorestas.org.br/
https://www.arborday.org/perspectives/tree-planting-how-choose-right-planting-site
https://www.ecosia.org/

As árvores, dependendo da espécie, podem levar de dez a cem anos para crescerem por completo, daí a parábola árabe que explica “Quem plantar tâmaras, não colherá tâmaras”, ou seja, um homem planta tamareiras sabendo que provavelmente não viverá o suficiente para colher seus frutos. Quando alguém pergunta por que ele continua plantando, ele responde, em essência:

“Sei que não colherei. Mas alguém plantou para que eu pudesse colher. Então, planto para que outros possam colher.”
Se ainda faltam motivos para saudar o Dia da Árvore, lembremos das milhares de vidas que se originam ou se abrigam em um simples tronco: lagartas, pássaros, os quirópteros (morcegos), esquilos, macacos, formigas, vespas, abelhas, castores, incontáveis espécies de insetos… não é exagero dizer que uma árvore é um pequeno ecossistema.

Se “dia das mães é todos os dias”, dia (de cuidar) da árvore é todo dia também. Se você é cuidador de uma criança, não a prive de escalar uma árvore; se você é cuidador de um idoso, proporcione a ele sentar sob a sombra de uma árvore. Se você tem quintal com pomar, privilegiado você é! Usufrua daquilo que cada árvore generosa nos dá, mas não se esqueça de retribuir: dê à sua árvore água, adubo, amor, oportunidade de crescer.

Eu queria versar aqui sobre outras árvores importantes, como o baobá de O Pequeno Príncipe, mas esse texto ficaria demasiado extenso… Assim, deixo a mensagem:

“Plante quantas árvores puder, porque talvez o mais importante não seja ter um filho ou escrever um livro, mas fazer brotar aquela que proporciona a manutenção da vida.”

Respeitar a grandeza das árvores começa na escola, com as propostas pedagógicas alusivas à data, mas também em casa, na família, como um valor que os responsáveis passam a seus filhos. Mais do que comemorar o dia 21 de setembro, lembremos de preservá-las e cuidá-las em todos os dias do calendário. Afinal, uma árvore que cuidamos hoje pode oferecer sombra, frutos e abrigo a alguém que ainda nem chegou.

  • Caroline Gonçalves Chaves

    Caroline Gonçalves Chaves

    Educação
    [email protected]@literatura_carolautografia.com.br/produto/dorminhoca@carolgchaves

    Caroline G. Chaves é licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e possui especialização em Psicopedagogia e Tecnologias da Informação e Comunicação - TICs (UFRGS) e em Educação Infantil: Perspectivas Contemporâneas (Unioeste-PR). Ademais, é graduanda em Licenciatura em Letras-Língua Inglesa (UFRGS) e professora municipal da Educação Infantil de Porto Alegre-RS.
    Caroline também é escritora de livros infantis e infantojuvenis, tendo lançado "Dorminhoca" (2019) e "Inverno, Verão e Livros - A História de Martina e Miguel" (2023).