Convivendo

Não há racismo sem o racista

Patricia Tolezano
Escrito por Patricia Tolezano

Não gosto de falar sobre coisas ruins, assim como não gosto de compartilhar o grotesco. Dar luz a algo que não acredito é como dar-lhe vida. Mas, aproveitando que mais uma vez, nesta primeira semana de setembro, somos obrigados a ver uma jovem senhora desdenhando da cor da pele de uma pessoa, possivelmente negra e que gravou a agressão sofrida em uma praia do Rio de Janeiro, é preciso falarmos sobre algo que fingimos não existir e não vermos em nosso Brasil. Está na hora de falarmos sobre os racistas. Não existe racismo se não houver o racista! E é isto que precisamos frisar.

Historicamente, já ficou provado que o racista é ignorante, tem algum distúrbio mental, podendo chegar a ser um sociopata e esta falsa superioridade esconde um medo e um complexo de inferioridade enormes. Mas, o seu crime não pode ser ignorado ou menosprezado, pois ele consegue arrebatar um bom número de seguidores se tiver alguma inteligência e pode até transformar o mundo num lugar cruel para se viver.

O que me intriga mesmo é imaginar que alguém pensar que cor da pele é sinônimo de etnia e uma característica que privilegia alguns em detrimento de outros. É tão estúpido quanto alguém acreditar que é 100% isto ou aquilo! Ninguém – a não ser os teimosos – é completamente isto ou aquilo! E, teimosia é um outro sinal de estupidez.

Aqui no Brasil, então, local no qual os índios já existentes “receberam a visita” dos europeus, que “deram uma passadinha na África”, cometeram muitos crimes e trouxeram à força os negros, isto chega a burrice histórica. Gente, menos! Nós não somos arianos, não somos 100% negros. Nós somos TODOS mestiços, misturados por estes três conjuntos de genes. E este é o nosso diferencial genético do resto do mundo. Não é melhor e nem pior, apenas diferente.

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Minha pela é branca, meus olhos e cabelos são claros e eu sou MESTIÇA! Não sou “branquela”, como cansei de ser chamada! Sou filha de uma mãe negra, um pai branco (de olhos azuis) e tenho uma tataravó “pega no laço”, que é como a minha avó materna falava da sua avó índia que foi laçada e levada para se casar com um europeu. Mais híbrida do que eu, não conheço. Mas, sou mais um brasileiro típico. Assim como são diversas negras e índias vistas por aí! Eu sou branca, eu sou mulata, eu sou blá-blá-blá… Isso tudo é uma besteira sem tamanho, é algo para usarem as pessoas que esqueceram do que realmente são ou deveriam: ser humano, da raça humana. Negro, branco, amarelo não são raças, são apenas uma característica resultante da mistura dos genes dos nossos ancestrais. Algo lindo, único, que usamos erroneamente como mais uma forma de gerar separatividade, de deixar de se ver no outro. E isto é o fator que mais gera guerra e ódio no mundo: não enxergar-se como extensão do outro e não ver o outro como extensão de si. E se não é humano, seu respeito a qualquer outro humano cai, inclusive a si mesmo. Ele não se ama… Então, como amará o seu semelhante?

Então, o racista é alguém que esqueceu que pertence a raça humana.

Por um Brasil iniciado com uma justa porcentagem 33,3% negra, 33,3% branca, 33,3% índia e que ao longo dos séculos recebeu boa dose do restante das cores e característica genéticas de todo o mundo! Por um Brasil 100% gente, independente dos ingredientes gerados pelo ato sexual.

Sobre o autor

Patricia Tolezano

Patricia Tolezano

Sou jornalista de formação, marketeira de opinião, analista esportiva de supetão e escritora de coração.

Se tivesse que me definir em uma única palavra, esta seria adaptação. Mas gosto mesmo é de escrever. Sou uma pessoa e escritora em construção. A partir de agora, vocês conhecerão um pouco do mundo à minha volta.

Viva sem culpa, ame sem medo. E, na dúvida, tente sempre! Para mim, isto é ser feliz.

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