Vi essa frase recentemente no 7° Congresso de Psicologia que participei em Brasília, uma palestrante “Psicóloga Sem Fronteiras” apresentava seus cases e essa mensagem ficou ecoando em mim… O Coletivo, as comunidades, a Comum Unidade… O Pertencimento.
O sentimento de fazer parte.
A percepção interna de que eu:
Sou aceita.
Sou reconhecida.
Tenho um lugar.
Posso existir sem precisar me anular.
Não é só estar junto fisicamente. É sentir-se incluída emocionalmente.
Por muito tempo, aprendemos a olhar para a saúde mental como algo individual. Um problema interno, íntimo, quase privado. Algo a ser resolvido dentro do consultório, com medicação, terapia ou força de vontade. Tudo isso é importante, mas insuficiente.
A vontade de pertencer não é carência, nem fraqueza. É biologia, é psicologia, é história. A gente nasce dependendo do outro para sobreviver e cresce precisando do outro para se organizar emocionalmente. O problema é que, em algum momento, nos ensinaram que precisar demais é errado.
Na clínica, nas conversas e na vida, eu vejo o mesmo movimento se repetir: pessoas que querem se conectar, mas têm medo de incomodar. Que querem pertencer, mas sentem que precisam se moldar para caber. E aí, para não perder o vínculo, vão se afastando de si.
O ser humano é, desde a origem, um ser relacional. Nosso sistema nervoso se desenvolve no contato, no olhar, no vínculo. O cérebro aprende a se regular emocionalmente a partir de relações seguras.
Quando essas relações falham ou quando a vida moderna as substitui por interações superficiais algo se desorganiza por dentro. Quando a emoção não encontra palavra, ela vira sintoma. O corpo fala. A ansiedade aparece. O afastamento cresce. Pertencimento é uma necessidade psicológica básica.
Na psicologia humanista (Maslow), pertencer vem antes da autoestima. Na psicologia do desenvolvimento, o vínculo é essencial para a regulação emocional. Na psicologia social, a exclusão ativa as mesmas áreas do cérebro ligadas à dor física. Ou seja: não é “frescura”, nem carência. É funcionamento humano. Mas pertencer não é depender. Não é perder autonomia. É ter vínculos seguros que permitem ser quem se é.
Pertencer não é estar em todos os lugares. É estar em algum lugar onde eu não precise me explicar o tempo todo. Onde posso falar do que sinto sem medo de ser excessiva. Onde o silêncio não vira abandono e a diferença não vira ameaça.
A psicologia mostra que relações seguras são aquelas em que existe escuta e respeito. Não perfeição, mas sim relações reais. Com conflito, ajuste, conversa e cuidado. É isso que regula o nosso sistema emocional e nos permite crescer sem nos perder. É poder existir sem precisar performar. É ter com quem dividir a vida, sem que isso vire competição ou comparação.
A saúde mental não vive isolada dentro da cabeça de alguém. Ela se constrói, se fragiliza e se fortalece nas relações.
Saúde mental é coletiva. Cuidar da saúde mental não é apenas um trabalho individual. É também uma responsabilidade coletiva. Isso passa por:
Criar espaços de escuta.
Fortalecer vínculos reais.
Reduzir o isolamento.
Normalizar a vulnerabilidade.
Lembrar que pedir ajuda é humano.
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Talvez o caminho não seja se tornar cada vez mais independente, mas mais interdependente.
Porque no fim, a pergunta não é apenas “como eu estou?”, mas:
com quem eu posso estar do jeito que sou?
E essa resposta, muitas vezes, é o começo da cura.
