Religiões

A justiça divina

Mulher branca sentada em banco no topo de morro.
Tobi / Pexels
Escrito por Vander Luiz Rocha

Quando criança, me era dito que quem desobedecesse à Lei de Deus iria para o inferno, sendo queimado por toda a eternidade, quem lhe obedecesse iria para o céu; na minha adolescência, estudei em seminário católico, e lá diziam coisas semelhantes. O castigo era sempre terrível, e o prêmio era a ociosidade celeste ao som de harpas.

Procurei saber mais e fiquei emperrado na Teologia; por exemplo, o segmento calvinista prega a predestinação. Ora, se há predestinação, não há justiça, existem outros segmentos, outros veres.

Essas historietas adquiriram o auge quando aparece a afirmativa do pecado original, ou seja, já nascemos em pecado. Tal doutrina, desenvolvida por Santo Agostinho, é inerente ao catolicismo, não existindo no judaísmo nem no islamismo ou em qualquer outro segmento religioso.

Deixei isso para lá, porquanto concluí que esse caminho é inerente ao pressuposto não se aplicando ao espiritualismo.

Nos dicionários, tem-se que justiça é a particularidade daquilo que se encontra em correspondência, ou de acordo com o que é justo; modo de entender e/ou de julgar aquilo que é correto.

Mais dúvidas: o que é justo? O que é correto? Isso varia segundo a cultura de cada povo, logo, também não satisfaz.

Conforme entrevista concedida à TV Brasil, pelo abade do Templo Zen das Alterosas, Mokugen Roshi (budista), temos:

“A justiça é o senso de uma ética e moral que brota, naturalmente, no coração do ser humano. O senso de justiça é intrínseco à expressão natural da natureza, da qual o ser humano faz parte. Se estamos em harmonia com nossa natureza original, de forma natural emerge em nós o sentimento de justiça. É uma verdade budista que todos estamos sujeitos à lei de causa e efeito.”

“É uma verdade que todos estamos sujeitos à lei de causa e efeito.”

Homem branco de olhos fechados e mãos juntas.
Garon Piceli / Pexels

Nessa fala, já passamos a entender!

Sêneca – Lúcio Anneus Sêneca, advogado, dramaturgo e filósofo romano (4 a.C. – 65 d.C.): “A natureza nos produziu relacionados uns com os outros, já que ela nos criou da mesma fonte e para o mesmo fim. Ela engendrou em nós um afeto mútuo, e nos fez propensos a amizades. Ela estabeleceu equidade e justiça (é ativa e útil). Deixe-o ensinar-me que uma coisa sagrada é a Justiça que considera o bem de outro e não busca nada para si.”

“Deixe-o ensinar-me que uma coisa sagrada é a Justiça que considera o bem de outro e não busca nada para si.”

Eis um ensinamento a ser considerado!

Na Bíblia hebraica, salmo 40, o orante fala da justiça de Deus como expressão da sua bondade amorosa e permanente, da sua misericórdia, e como manifestação da sua fidelidade à ordem por Ele estabelecida para o bem da sua comunidade humana.

“Agrada-te, Senhor, em libertar-me; apressa-te, Senhor, a ajudar-me.” (Salmo 40, 13)

Anotemos isso!

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Nos Evangelhos:

“A cada um será dado segundo as suas obras” – Jesus (Mateus, cap. 17, v. 27)

“A Doutrina Espírita explica que tudo se encadeia no Universo. Nada acontece ao acaso. Há em tudo uma sequência natural de causas e efeitos, ação e reação. Cada criatura humana se define pela sua consciência que a separa dos irracionais e lhe confere a dignidade espiritual. Conscientes do que somos e do que fazemos, somos naturalmente responsáveis pelos nossos atos.” (União Espírita Mineira – www.uemmg.org.br)

“… somos naturalmente responsáveis pelos nossos atos.”

O corpo morre, o espírito (ou alma) não, continua e recebe na vida espiritual as consequências de todas as imperfeições não vencidas durante a vida corporal, assim também ao inverso se aplica essa autojustiça.

O estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao grau da purificação ou de imperfeições acumuladas na vida corpórea.

Concluímos, portanto, que Deus não é um ser que julga a sua obra, nós somos nossos juízes.

Obrigado por me ouvir.

Sobre o autor

Vander Luiz Rocha

Vander Luiz Rocha, nascido na cidade de Conselheiro Lafaiete, no estado de Minas Gerais, Brasil, em 1939.

Criado dentro dos princípios da tradicional família mineira, teve no catolicismo a sua primeira religião.

Na adolescência, dos 7 aos 14 anos, fez, como interno, o Seminário Menor da Ordem dos Redentoristas, na época em Congonhas do Campo, MG. Naqueles momentos o cenário de vida foi o barroco e o fundo musical o canto gregoriano.

Deixando o seminário, tornou-se não religioso e se dedicou aos estudos e ao trabalho em Belo Horizonte. Inicialmente se formou em contabilidade e, posteriormente, graduou-se em administração, com o título de bacharel. A sua vida privada foi alimentada por essas profissões.

Em 1973, mudou-se com a família, esposa e três filhas para São Paulo, indo residir no ABC Paulista, em São Caetano do Sul, trabalhando em empresas da região, tendo se interessado pelo espiritismo e adotando-o em 1976 como escola de vida.

Após preparar-se em cursos feitos sob supervisão da Federação Espírita de São Paulo, SP, tornou-se servidor, no segmento palestrante, e expositor de cursos em casas de socorro espiritual, e com os socorridos muito aprendeu.

Nos dias atuais, continua a se dedicar à filosofia espiritualista, adaptando as palestras para textos escritos.

Possui várias obras editadas e ganhou prêmios literários.

Vide seus livros em nossosliteratos.com.br/livros-vlr.html

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