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O que é esoterismo?

Imagem de vários elementos e itens para a prática do esoterismo. São vários tipos de bowls, incensos, pedras, velas, dispostos sobre uma mesa forrada com uma toalha branca.
Manfred Antranias Zimmer / Pixabay
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Se você já está trilhando o caminho dos estudos voltados ao autoconhecimento há algum tempo, certamente já leu ou ouviu a palavra “esoterismo”, mas mesmo que não esteja nessa jornada já pode ter ouvido o adjetivo “esotérico” ser aplicado para classificar ou rotular alguma coisa. Afinal de contas, o que é esoterismo?

Segundo o dicionário “Houaiss”, um dos mais prestigiados da Língua Portuguesa, esoterismo é “atitude doutrinária, pedagógica ou sectária segundo a qual certos conhecimentos (relacionados com a ciência, filosofia e religião) não podem ou não devem ser vulgarizados, mas comunicados a um pequeno número de iniciados”. Complicado, né?

Em outras palavras, de maneira mais simples, o esoterismo é um conjunto de crenças e práticas relacionadas à ciência, à filosofia e à religião ao qual somente um número de pequenas pessoas iniciadas ou envolvidas em algum grupo tem acesso. O conceito de esoterismo está, portanto, intimamente ligado à ideia de mestre e de ensinamento.

Etimologia

“Esoterismo” é um termo recente e diretamente ligado ao adjetivo “eksôterikos”, do idioma grego clássico, que significa “exterior”, “popular”, “destinado a leigos”. Anos depois, um novo adjetivo surgiu, bem mais próximo ao significado que a palavra tem na Língua Portuguesa: “esôterikos”, que se refere a “interior” e “intimidade”.

O que pode ser considerado esotérico?

Se partirmos do pressuposto de que, como explicado, o esoterismo é um conjunto de crenças e práticas relacionadas à ciência, à filosofia e à religião ao qual somente um número de pequenas pessoas iniciadas ou envolvidas em algum grupo tem acesso, qualquer religião, por exemplo, pode ser considerada um fenômeno esotérico.

Imagem de um lindo e antigo sino tibetano suspenso por uma corda.
Jeanette Atherton / Pixabay

O problema é que muita gente relaciona o esoterismo unicamente à religião, o que é um erro, visto que estamos falando de práticas (note que não há “sobrenatural” na descrição já citada duas vezes) que não têm necessariamente objetivo espiritual, apesar de muitas terem. A meditação, por exemplo, pode ser considerada uma prática esotérica, já que é praticada por um número reduzido de pessoas que se beneficiam das vantagens dessa prática.

Benefício espiritual?

É mais comum que práticas relacionadas à espiritualidade, à religiosidade e ao sobrenatural sejam consideradas “mais” esotéricas do que, por exemplo, a reflexão filosófica acerca do sentido da vida ou a prática da Yoga, mas todas podem ser classificadas como esotéricas, por causa de suas características de ensinamentos “ocultos” da população geral.

Ainda que não seja consenso, outra maneira de definir esoterismo é usar a palavra para referenciar práticas, atividades e conhecimento que nos ajudem a evoluir como pessoas, seja num sentido mais prático, de amadurecimento e autoconhecimento, por exemplo, seja num sentido mais espiritual, como de proximidade aos deuses nos quais você crê e práticas para agradá-los. Enfim, segundo essa linha de pensamento, todo o conhecimento e todas as práticas que nos fazem crescer, que nos tiram de nosso lugar e que têm características mais ligadas ao nosso desenvolvimento individual são consideradas esotéricas, seja um Mapa Astral, que informa traços da personalidade àqueles que creem no Zodíaco, seja uma terapia alternativa e nada relacionada com espiritualidade, como a acupuntura.

Enfim, o mais aceito entre as pessoas que estão em seu caminho de crescimento e autoconhecimento é justamente este significado: esotérico é todo meio de inspiração, evolução e crescimento – seja qual for o tipo de crescimento – proporcionado por práticas um tanto quanto ocultas, no sentido de que não estão disponíveis para todos os públicos, mas somente para aqueles “iniciados” na realização dessa atividade.

Termo “maldito”

Há certo preconceito com o termo “esotérico”, porque muitas vezes as pessoas pensam em algo esquisito, sobrenatural demais ou que não faz sentido quando pensam nele. Cristãos não admitirão, por exemplo, que o ritual da Ceia é esotérico, porque dirão que esoterismo é tudo aquilo que não está ligado a Deus, já que Deus é a verdade. Enfim, há muito preconceito em relação a essa palavra, especialmente entre os seguidores de religiões mais estruturadas, nas quais é comum usar o termo como sinônimo de “pagão”, por exemplo, ou seja, tudo aquilo que seguimos em nossa religião é verdade, e o restante é esoterismo, ficção e mentira.

Imagem de várias cartas de tarot dispostas sobre uma mesa.
Daniel Albany / Pixabay

E isso não é verdade, porque, como explicado acima, se uma prática beneficia alguém (e esse conceito é individual e subjetivo, porque algo que pode parecer nocivo para quem vê de fora pode ser extremamente benéfico para quem pratica), e ela só está disponível para aqueles que foram “iniciados” nela, então exorcismo, oração, batismo e louvores a um Deus certamente podem ser considerados esoterismo.

Ocultismo

Outro fruto do preconceito, sobretudo cristão, é a associação entre as palavras “ocultismo” e “esoterismo”. Apesar de significar “estudo de conhecimentos ocultos”, a palavra “ocultismo” ficou marcada desde a Idade Média como um indicativo do estudo de artes maléficas, diabólicas e satânicas (vê-se que são conceitos cristãos), resultado do jogo maniqueísta de bem versus mal, promovido pela Igreja: se está relacionado a Deus (mesmo que seja tortura e queima em fogueira), é bom; se não está relacionado a Deus (como uso de poções e elixires para curar doenças, em vez de confiar na cura do Senhor), então é ocultismo e esoterismo.

A verdade é que, por causa de seu uso corrente, as duas palavras viraram quase sinônimas, e tudo bem, porque seus significados se aproximam bastante. Se esoterismo é um conjunto de práticas que não estão disponíveis para boa parte da população, então essas práticas estão ocultas; se estão ocultas, tudo bem serem chamadas de ocultismo.

Misticismo

Outra palavra bastante associada a “esoterismo” e “ocultismo” é “misticismo”. Misticismo é o estudo, a crença ou a prática de tudo aquilo que é místico. Místico, por sua vez, é, segundo o dicionário, “referente aos mistérios, às cerimônias religiosas secretas” ou “que não se dá segundo as leis naturais ou físicas; sobrenatural, espiritual”. Ou seja, o misticismo é a crença de que algo espiritual e sobrenatural existe; não é crer que algo espiritual possa existir, mas que existe, de fato, e ter certeza disso. Misticismo, portanto, é qualquer estudo, prática ou crença de que existem forças sobrenaturais e espirituais que agem no mundo.

Imagem com fundo roxo trazendo as pedras das runas dispostas sobre um tecido aveludado também na cor roxa.
Geraldine Dukes / Pixabay
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Independentemente do significado exato da palavra “esotérico” (que não existe, porque é um termo interpretativo), você deve buscar aquilo que lhe faz bem, envolvendo-se com práticas sobrenaturais e espirituais (ou não!), que faça com que você se sinta uma pessoa melhor, mais evoluída, seguindo seu caminho de autoconhecimento e crescimento na vida. Deixe os rótulos de lado e tente não sentir dor por causa do julgamento e do preconceito alheio. O que importa é o seu caminho!

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