Autoconhecimento Meditação

A melhor prática

Mulher se alongando.
Foto: 123rf
Juliana Ferraro
Escrito por Juliana Ferraro

A melhor prática de yoga não é aquela na qual você faz as posturas mais difíceis com facilidade. Assim como a melhor prática de meditação não é aquela na qual você sente apenas luz e alegria.

Quando a gente se propõe a cumprir um Sadhana diário, os altos e baixos são totalmente visíveis. Se você tiver uma prática regular por um longo período de tempo, perceberá que as coisas mudam dentro dessa rotina de forma incontrolável.

Eu quero sempre ter uma “boa” prática de Asanas. Isso significa estar concentrada, sentir o corpo flexível e sem dores. Me sentir forte também. Fazer todas as transições e saltos e respirar fundo.

Quatro pessoas meditando.
Foto: 123rf
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Também fico buscando fechar os olhos e meditar sem sentir nenhuma dor nas costas, a perna formigando nem quero ouvir barulhos externos que vão atrapalhar minha concentração.

Mas não tenho controle absoluto sobre nada disso. Posso fazer a mesma prática todos os dias, com esse mesmo corpo. No mesmo lugar. E horário. E cumprir uma rotina pós-pratica para manter o corpo saudável. Mesmo assim, posso pegar uma gripe, sentir uma dor inesperada, um desconforto, ter uma dor de barriga…

Se eu viver tentando controlar cada fator que pode gerar um “impedimento” para minha prática perfeita, melhor não sair de casa, quase nem viver ou socializar… E isso é yoga? Pode até ajudar na prática física, talvez, mas e no resto? E na hora de fazer valer o que aprendo no tapetinho nessa hora de auto-observação?

A mesma coisa meditando… Posso sentar todos os dias pelo mesmo período de tempo no mesmo local. E tem dias que as costas doem, tem dias que não. Tem dias que as pernas dormem, tem dias que não. Tem dias que me concentro com qualquer barulho em volta. Tem dias que me desconcentro com qualquer barulho menor.

E quanto mais tento controlar tudo em volta para ter os resultados esperados, menos funciona. O corpo está aí para mostrar isso. Os obstáculos que aparecem ensinam que tudo muda. E que nosso julgamento de bom ou ruim é tão mutável quanto.

Uma dor ou uma doença podem vir para ensinar muitas coisas para quem quer ver e quer crescer nesta vida. A real é que a gente vem pra Terra pra resolver um monte de coisas e, no final de tudo, aprender a amar. Mas isso pode ser visto como dar um passo pra trás, um obstáculo invencível, um motivo para se vitimizar.

É preciso prender a amar esse corpo no qual estamos, de alguma forma, presos. Ele dá liberdade, por um lado, mas nos ensina os limites de viver. De morrer. De sentir prazer e dor. De aprender a ler, escrever e falar. Ao mesmo tempo, não temos palavras para descrevermos tantos sentimentos e sensações.

Turma de pessoas fazendo Yoga.
Foto: 123rf

O yoga nos ensina a sentir plenamente o que surgir na tela mental. E amar tudo isso. É essa aventura que viemos ter aqui dentro de um corpo humano limitado e que tanto nos ensina por ser mesmo assim.

Ensina sobre ser muito rígido ou muito flexível. E ensina que a melhor prática não é sempre a que parece melhor, mas aquela de quando a gente consegue aprender. Consegue ter algum insight para ser uma pessoa melhor para si e para os outros.

Fazer posturas difíceis pode me ensinar isso, ou não. Apenas depende de mim querer aprender com elas sobre tudo o que tem de mais interno e desafiador de olhar e amar.

Nem sempre os praticantes que alcançam as séries mais avançadas são pessoas melhores. Pode ser que mexer o corpo seja tão fácil para eles que ali não encontraram desafios. Ou encontraram e passaram por cima. Nunca se sabe… Na verdade, todo mundo está passando por algum desafio na vida.

Seja físico, emocional, familiar…. Sempre tem algum.

Estamos aqui para aprender com eles. E, o mais importante, para aprender a seguir com a mente focada, sem fazer mal aos outros nem a si mesmo. A verdadeira boa prática é aquela que ensina a seguir uma vida equilibrada, apesar de…

Sobre o autor

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro é psicóloga por formação e viajante por amor às coisas novas da vida. Seu contato com diferentes línguas e culturas começou quando ela ainda trabalhava no Club Méditerranée. Depois fez um mochilão pelo mundo em busca de autoconhecimento. Em pouco mais de um ano conheceu diversos países asiáticos, em especial a Índia, onde fundou uma paixão profunda pela yoga e pela meditação. No Brasil: morou, deu aulas de yoga e se formou como massoterapeuta, em Paraty, RJ. Foi nessa época que concluiu quatro cursos de dez dias de meditação Vipassana e se aprofundou na prática de Ashtanga Yoga. Hoje, ela está estudando Ashtanga Yoga no KPJAYI, em Mysore, Índia. E dá aulas de Ashtanga Yoga online.

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