Autoconhecimento Comportamento

A simplicidade como caminho da felicidade humana

Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos
A ideia de que a felicidade humana está diretamente ligada à simplicidade é bem antiga na filosofia. Desde os primeiros filósofos, passando pelos teólogos do judaísmo e do cristianismo, pelos pensadores renascentistas, pelos revolucionários franceses ou pelos liberais americanos, todos eles, mesmo que divergissem quanto ao método, estavam convictos de que a felicidade humana passa necessariamente pela simplicidade.

Menina brincando com borboletas

O que seria, então, essa tal de simplicidade? A simplicidade é uma virtude cristã que afirma que o ser humano foi criado por Deus para trilhar o caminho do bem. Se pensarmos que temos o maravilhoso privilégio de estarmos vivos e que só depende de nossas escolhas tudo aquilo que somos, não há dúvidas: o caminho da felicidade humana é a simplicidade. Portanto, a simplicidade é a forma como o ser humano encara os problemas da vida, o jeito de ser, de viver.

A forma como o ser humano responde aos problemas da existência acaba determinando o seu modo de ser no mundo: se de forma positiva ou negativa. No entanto, cabe lembrar que o determinismo não explica totalmente a vida, ele explica apenas uma parte. A outra parte, que é espontânea, não linear, é construída pela ação subjetiva da pessoa. Assim, a ação exterior do ser humano é um reflexo daquilo que ele é internamente.

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Veja o exemplo de Sócrates, o grande filósofo grego, o pai da filosofia, da antropologia, da ética ocidental. Ao ficar sabendo que ele era o homem mais sábio da Grécia, empreendeu, por conta própria, uma pesquisa de opinião entre aqueles que se julgavam sábios e logo concluiu que sim, que ele era o homem mais sábio daquela região porque ele era humilde, simples, desprovido de arrogância. Dessa forma, Sócrates deixou para a filosofia a humildade como método principal do filosofar, do conhecimento, da ciência.

Também os primeiros filósofos, os chamados filósofos naturalistas, afirmavam que a sabedoria reside na forma como o homem vive a vida. Para eles, a natureza fornecia as explicações para todas as coisas. Dialogando com seus alunos, esses filósofos ensinavam que cada coisa que existe no Universo possui uma “essência”. Em filosofia, essência é aquilo que constitui o ser. Por exemplo: a essência de uma planta é ser um vegetal e não um animal, e vice-versa. Dessa forma, os primeiros filósofos ensinavam que quanto mais simples for uma resposta mais próxima da verdade ela estará.

E o que dizem os teólogos sobre a simplicidade? Para estes, a simplicidade é a forma como o cristão pratica os ensinamentos bíblicos, como se lê em Mateus 6:26: “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?” No discurso teológico, o ser humano simples é aquele que vive a vida conforme os mandamentos da Lei de Deus.

Para muitos filósofos, a simplicidade não é apenas uma virtude humana, e sim uma categoria filosófica. Enquanto filosofia, a simplicidade parte do seguinte argumento: uma resposta, seja ela qual for, sobre qual problema for, deve ser clara. A clareza deve ser tanta que qualquer pessoa entenda, não importando o grau de formação, ou seja, se ela é instruída ou analfabeta. Por isso, em filosofia, costuma-se dizer que quanto mais simples for uma explicação, de modo que todos possam entender o que está sendo explicado, mais próximo da verdade ela estará. Enfim, a simplicidade na filosofia é o consenso, a objetividade, a verdade!

Caminhando na simplicidade do interior

Evidentemente, as coisas nunca são assim tão simples. Existe uma complicação natural em todas as coisas. A natureza é misteriosa. Ela tem os seus encantos, mistérios, segredos. Para penetrá-los, é preciso muita dedicação, amor, observação, paciência, ética… No entanto, temos a mais absoluta certeza de que o caminho do sucesso, da felicidade, tanto pessoal como profissional, é a simplicidade. Busquemos, portanto, a simplicidade em todos os nossos atos, naquilo que pensamos, fazemos, somos e queremos. Que assim seja, agora, hoje e para sempre!

Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).