Comportamento Convivendo

Acolher a dor do luto

Mulher chora com as mãos sobre o rosto. Ela está sentada em um banco.
dolgachov / 123RF

Onde dói? Vamos acolher a dor? Clara tinha quatro anos quando sua mãe faleceu em decorrência de câncer.

Após a morte da mãe, Clara foi morar com a tia Catarina, pois o pai não conseguiu lidar com a dor da perda da esposa e criar Clara sozinho. Decidiram que a menina ficaria um tempo com a tia.

Passaram-se 3 anos e Clara ainda morava com a tia e recebia visitas esporádicas do pai. Catarina ainda sentia dificuldade em falar sobre a morte da irmã, mas tentava seguir a vida e cuidar de Clara.

Catarina contava com a ajuda de uma amiga muito próxima, que era suporte e presença de amor, Olívia.

Olívia, porém, morava em outra cidade e não era possível se verem com tanta frequência.

Num feriado prolongado, combinaram e Olívia chegou para passar uns dias com Clara e Catarina.

Clara estava animada, pois gostava muito de Olívia e a considerava como tia.

Durante uma tarde, quando Catarina preparava algo no fogão, Clara se aproximou para ajudar e queimou o dedo.

A princípio, olhou para a tia, segurou o choro, mas o dedinho começou a latejar e a doer e Clara começou chorar.

Sua tia Catarina a olhou e lhe disse:

— Seja forte, Clara! Já vai passar. Não é nada. Vai brincar e não se aproxime do fogão!

A dor, porém, era intensa! Clara chorava, segurava o dedinho e dizia:

— Por favor, faz parar de doer! Por favor, tia! Faz parar de doer!

E Catarina:

— Já vai passar, Clara, não chore. Seja forte!

Olívia observava a cena, abriu os braços em direção à Clara dizendo:

— Vamos olhar! Deixe a tia ver o que aconteceu! Mostre-me onde dói?

Clara mostrou o dedinho e ainda chorando dizia:

— Tia Olívia, faz parar de doer!

Menina triste deitada em gramado.
Michael Fosenbauer / Pixabay

Olívia segurou o dedinho de Clara e disse:

— Eu sei que dói. Dói porque você machucou. Olhe, veja a bolha no seu dedinho! Queimou, por isso está doendo. Se colocarmos gelo, vai melhorar um pouco, mas continuará doendo, pois você machucou e precisará de um tempo para que seu corpo cuide desse machucado.

Catarina, por um instante, sentiu raiva. Achou que Olívia estava mimando a sobrinha, já que a menina não deveria chorar, mas sim ser forte. Ao mesmo tempo, porém, sentiu vontade de fazer parte daquele abraço e foi o que fez.

Estimados leitores, assim somos nós! Únicos em nossas dores e em nosso acolhimento.

Em alguns momentos, seremos Clara, pois choraremos de dor e pediremos ajuda. Em outros, seremos Olívia, oferecendo-nos o colo. Além disso, seremos Catarina para nos dizer:

— Seja forte, levante e se reinvente!

Compaixão! Esse é o convite. Com essa pequena história, gostaria de convidá-los para observar seus sentimentos:

Como me sinto diante da dor? Não há certo e não há errado. Há sentir. Como eu sinto a dor? O que dói em mim? Onde dói?

Se for possível para você, tente escrever sobre isso. Acolha sua criança, acolha esse abraço, olhe onde machucou.

Tente expressar em algumas palavras e dê voz para seus sentimentos.

Clara, Catarina e Olívia são personagens fictícias de Clara e o Caderno de Escrita – conteúdo dos Workshops “Vamos conversar sobre o luto?”.

Sobre o autor

Cintia Ski Pelissari

Terapeuta integrativa, formada em Reiki pela Mestre Claudete França, da ABR – Associação Brasileira de Reiki. Estudiosa de meditação e técnicas de autocuidado há mais de 14 anos.

Idealizadora do Projeto Pessoas Possíveis, oferece workshops, consultorias e atendimento individualizado, com o objetivo de promover a gestão do autocuidado.

Facilitadora da divulgação da mensagem de gratidão de Brother Steindl-Rast por meio do site www.viveragradecidos.org

Agradecida pelas inúmeras oportunidades que a Vida me oferece diariamente para compartilhar amor fraterno.

Contatos:

Email: cspelissari@hotmail.com
Site: viveragradecidos.org
Instagram: @viver_agradecidos