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Afinal, bater é educativo?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Você, mãe ou pai (seja de sangue ou criação) já deu aquela famosa “palmada educativa” em seus filhos? E você, filho ou filha, já levou alguma? Bater para educar sempre foi e sempre será um tópico polêmico para a sociedade, que mistura desde direitos humanos à religião, e essa transição de temas dentro deste mesmo assunto acontece em um piscar de olhos.

Mas, além da polêmica que envolve o próprio assunto em si, também é necessário se informar sobre o que a ciência fala sobre isso. Ou seja, quais estudos teóricos, justificados a partir da prática, já foram realizados e endossados sobre isso.

Afinal, é muito importante conhecer e entender a opinião de profissionais, que é formada por embasamento científico, advindo de muito estudo e preparação técnica para tal. Psicólogos, psicoterapeutas, psicanalistas, neurocientistas, psiquiatras e tantos outros profissionais que, com certeza, possuem opiniões acerca do assunto.

No Brasil, as crianças são protegidas por lei, pois existe a Lei da Palmada que, desde 2014, protege os pequenos contra qualquer tipo de castigo físico. Então, sim, caso você seja pego batendo em seu filho, mesmo que seja uma palmada leve e “educativa”, segundo sua opinião, você está infringindo a legislação brasileira.

E por que foi criada essa lei? Porque, de acordo com estudos, bater em crianças como forma de aprendizado não possui nenhum fundamento e, na verdade, pode levar ao resultado contrário do que é esperado.

O “Journal of Family Psychology” publicou uma pesquisa realizada em conjunto pela Universidade do Texas e pela Universidade de Michigan, dos Estados Unidos. O estudo mostra que crianças que apanham dos adultos que as criam – e que, portanto, elas enxergam como pais – possuem mais chances de desenvolverem comportamento antissocial e agressivo, relacionamento conturbado com os pais, além de outros 13 problemas mentais e sociais.

E não pense que essa pesquisa foi feita com pouco material humano. Ela, na verdade, demorou 50 anos para ficar pronta, para que as crianças fossem analisadas até a fase adulta. As 160 mil crianças estudadas levavam as polêmicas palmadas, e algumas delas também sofriam outros tipos de agressões.

Talvez você esteja dizendo: “Mas meu filho nunca mais cometeu o mesmo erro depois que apanhou”. Vai de você refletir e decidir se ele não cometeu o mesmo erro porque aprendeu que era errado e entendeu o porquê de ser errado e, por isso preferiu o caminho correto, ou se ele ficou traumatizado e preferiu não errar mais por ter medo do próprio pai ou da própria mãe.

E então, o que você quer: que seu filho seja educado, ou que fique traumatizado e com medo?


Escrito por Giovanna Frugis da equipe Eu Sem Fronteiras

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