Autoconhecimento Comportamento Meditação

E agora Sócrates?

Ilustração de mulher sentada em cadeira escrevendo
Cintia Ski Pelissari
Estimados leitores, gostaria de compartilhar com vocês uma experiência recente que trouxe uma infinidade de vivências para minha vida.

Algumas semanas atrás entrei madrugada adentro com os olhos despertos e repletos de lágrimas. Coração transbordando de más águas. Uma tristeza muito enraizada no peito. Insegurança e medo gritando aos meus ouvidos. Chorei bastante sem saber ao certo porque estava chorando tanto.

Andei por memórias, visitei cada quarto escondido nestas lembranças. Lembrei-me do exercício do perdão e tentei perdoar os conflitos que mais estavam me incomodando. Alguns, descobri serem fáceis, outros nem tanto.

Pedi ajuda. Nada.

Silêncio.

Silêncio?

Justamente! Não havia silêncio. A paz que buscava estava justamente no silêncio que não estava conseguindo vivenciar. Muitas perguntas e necessidades de respostas. Necessidade de controlar o incontrolável. Como poderia ouvir algo se estava fazendo tanto barulho interno?

Ilustração de pessoa com cabeça aberta com pensamentos

Contestei Deus neste momento. Cai e não queria levantar. Lidar com ansiedade e sentimento de fracasso são grandes desafios e repletos de aprendizado, se assim o permitirmos.

Fiquei alguns dias sofrendo como uma criança abandonada. Àquela criança com medo do escuro.

E neste escuro lembrei que sou luz! Interessante como é fácil esquecer-se de algo que se é!

Mesmo sabendo e também esquecendo, reavivo que Deus é sempre meu amigo e mesmo que eu não o escute por conta de tantas perguntas e reclamações, Ele está sempre sussurrando ao meu coração as palavras certas para me acolher e acalmar.

Sabemos que nossa jornada é repleta de transformações. Algumas tão sutis que nem notamos quando acontecem. Já outras, chegam tão intensas que nos destroem de tal maneira que achamos que não será possível prosseguir. Estou numa destas – do meu ponto de vista: devastadora. Transformação intensa e profunda. Por isso tanto turbilhão de sentimentos dentro do meu peito.

Por ter conhecimento sobre minha própria história – a escrita me ajuda muito aqui, consegui nomear várias coisas neste processo. E nesta autoanálise percebi que não tinha listado minha frustração. Percebi também que não dediquei esforço nas minhas ações de mudar. Ficaram num plano de sonhos e pouca ação. Quero conquistar, mas não estou dedicando o esforço necessário. Também confundi a resiliência; achei que tinha… mas sou inflexível. Sou controladora! Uma pessoa controladora não pode ser resiliente. Este conceito não estava claro pra mim. Sentia que tinha esta habilidade da resiliência, mas ao me conscientizar que sem flexibilidade isto não é possível, tive que rever meu comportamento.

Ilustração de pessoa conversando com seu lado bom e ruim

Navegando sobre ansiedade descobri que um dos gatilhos é o perfeccionismo. E o que é este danado? Dentre muitas coisas é o medo de sofrer. Medo de não ser perfeita e consequentemente não ser amada.

E para fechar, descobri que estar preocupada o tempo todo não significa que sou zelosa e cuidadosa. Isto é uma ilusão, uma crença baseada em minhas experiências, na minha bagagem de vida.

A lembrança do amor trouxe a calma necessária para mergulhar em mim e encontrar as respostas. Passei por situações no passado cujos sentimentos são parecidos. Naquelas ocasiões, acho que não estava preparada ou mesmo disposta a tanto enfrentamento. Escondi muita coisa embaixo do tapete.

Apesar da dor de achar que não conseguiria superar, enfrentei de uma maneira igualmente intensa. Mas com um ingrediente a mais: autocompaixão. Acolher meu ser com amor e cuidado foi meu bote salva-vidas. Pude sair das más águas que estavam me afogando. Salva no bote da autocompaixão, pude descansar e dar início à recuperação para continuar remando.

Ilustração de mulher sentada em posição de índio

A autocompaixão me mostrou que recuar e não usar algumas técnicas também é importante. Como praticante de meditação há mais de 12 anos, sei dos benefícios que a prática me proporciona, mas somente agora observei que por ter saído tanto do eixo, meu problema me afetou muito e a prática da meditação neste momento estava me deixando muito ansiosa e demasiadamente preocupada com situações que só ocorrem na minha mente.

Neste momento em específico, a meditação estava potencializando minha percepção equivocada da situação – que estava ampliada e fora da realidade.

Talvez por aceitar passar por este momento de maneira mais aberta, me assustei, mas não desisti. Encontrei uma maneira diferente de conduzir estes dias: através da contemplação. Caminhadas – movimento e amor. Pedindo para que o amor de Deus preencha meu coração e me ajude à recuperar o equilíbrio. E as respostas começaram a chegar!

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Creio que o autoconhecimento pode ser doloroso e até perigoso em alguns momentos. É um mergulho no profundo do ser, no escuro. Queda livre… Ser ferida por milhares de agulhas simultaneamente em todas as partes do corpo.

Este mergulho te mostra os muros que construiu ao redor do coração. Ele aumenta o volume para que possa perceber e ouvir suas tantas reclamações, ouvir a dificuldade de lidar com os “nãos” naturais da vida e alguns fatos que não aconteceram como gostaria.

Estou no reset, aprendendo sobre as coisas que escondi de mim, para de fato, vivenciar uma transformação e abrir espaço para novas possibilidades.

O tal autoconhecimento faz isso; levanta a poeira e deixa luz entrar. Luz e vida.

Sobre o autor

Cintia Ski Pelissari

Cintia Ski Pelissari

Reikiana e praticante de meditação há mais de dez anos, idealizadora do Projeto Pessoas Possíveis – Práticas de Bem-Estar, ministra cursos sobre autoconhecimento por meio de atividades de escrita e contação de histórias.

Facilitadora da divulgação da mensagem de gratidão de Brother Steindl-Rast por meio do site viveragradecidos.org

Grata pelas inúmeras oportunidades amorosas que a vida me oferece diariamente para compartilhar meu amor fraterno.

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Site: viveragradecidos.org
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