Autoconhecimento Psicapometria

Aprender a não se abalar com nada

Paulo Tavarez
Escrito por Paulo Tavarez

Pense em qualquer acontecimento desconfortável do seu dia. Pensou? Muito bem, agora analise o que você sentiu (…). Pode ter sido ódio, revolta, indignação ou qualquer outra emoção, não importa, apenas perceba que é justamente esse sentimento que se manifesta na lembrança do evento, sabe por quê? Porque nós imantamos as ocorrências do cotidiano com emoções e esse combustível emocional faz com que esses eventos continuem acontecendo no nosso inconsciente, permanecendo com vida, influenciando as nossas escolhas, criando crenças e moldando o nosso caráter, simples assim. Todo o desequilíbrio do ser resulta desses conteúdos, todas as doenças mentais ou físicas têm suas origens em acontecimentos carregados de importância e significado.

No entanto, os acontecimentos que encaramos com indiferença ou que não nos afetam de forma alguma, simplesmente, se dissolvem e, se por ventura, forem lembrados, não nos trarão qualquer desconforto, serão tratados apenas como registros sem nenhuma carga afetiva.

Podemos concluir, portanto, que o problema maior da condição humana está em gerir emoções, pois se não nos afetássemos com as experiências, se tratássemos os acontecimentos com indiferença e conseguíssemos o equilíbrio da equanimidade nas relações com mundo, nada disso aconteceria.

O homem sofre para processar a realidade, sofre porque precisa desenvolver a Consciência e entender que toda importância que estiver dando a um acontecimento fará com ele permaneça vivo, nesse sentido é que precisamos trabalhar o desapego.

Desapegar-se, portanto, é o caminho para a nossa transcendência, pois estaremos presos àquilo que consideramos o nosso tesouro. Como ensina o Mestre Nazareno: “onde estiver o teu tesouro, aí estará também o seu coração”.

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Tudo aquilo que a gente valoriza nos escraviza, sejam coisas ou pessoas, não deveríamos tratar os fenômenos externos como responsáveis pela nossa realização, muito menos nos acharmos donos de nada. Ninguém, na realidade, pode resolver os nossos problemas internos, justamente por serem internos.

Está na hora de aprendermos que todo e qualquer problema só existe dentro da gente, fora do nosso ser só existem informações, quem transforma essas informações em algo problemático somos nós mesmos, com a nossa falta de entendimento.

As emoções são elementos que eclodem quando encontram ressonância com acontecimentos similares e, desta forma, encontram meios de expressão. No entanto, se esses mesmos eventos não tivessem sido tratados com tanta importância, não estariam provocando reações intempestivas.

A leveza que nos espera, a paz que ambicionamos, a alegria e a felicidade que buscamos, só serão alcançadas quando nos colocarmos diante da vida como meros espectadores. Enquanto quisermos ajustar o mundo ou as pessoas às nossas demandas internas, só iremos sofrer.

As pessoas são o que são, o mundo é o que é, a cada um de nós só nos cabe testemunhar.

Estamos no limiar de um novo tempo, enquanto modelos conservadores de pensamento excludente e beligerante estertoram, existe em curso um novo paradigma.

O paradigma do amor e a primeira pessoa que precisamos aprender a amar é o nosso próprio Ser.

Sobre o autor

Paulo Tavarez

Paulo Tavarez

Pedagogo, escritor, instrutor de Yoga e criador de uma terapêutica chamada Psicapometria. Tenho artigos publicados em vários sites voltados para o desenvolvimento da Consciência.

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