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Arquitetura Verde: Tecnologias que transformam reciclados em materiais de construção

Mão humana segurando um projeto de arquitetura desenhado sob grama verde.
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras
Concebida no ano 2000, a arquitetura verde é uma forma de construir casas, prédios e edifícios em harmonia com o meio ambiente. Muito além de simplesmente incluir árvores no projeto, este conceito promove o respeito aos ecossistemas nativos de um espaço e à luminosidade já existente no local. O projeto deve também priorizar materiais que não agridam ou explorem a natureza, que sejam de fácil transporte e que não gerem resíduos tóxicos.

Neste processo de elaboração de construções ecológicas, a tecnologia se faz essencial. A melhor forma de captar água da chuva, substituição de uma rede de energia elétrica por painéis solares, aproveitamento da ventilação e da iluminação naturais de um ambiente para evitar o uso de ar condicionado e a escolha de materiais sustentáveis são alguns que dependem de estudos e investimento.

Depois de 20 anos que esse conceito de construção passou a fazer parte das possibilidades de cada projeto arquitetônico, novos materiais sustentáveis foram desenvolvidos. O primeiro deles é a tubulação verde. Os canos comuns, de PVC, são produzidos a partir do petróleo, então geram resíduos tóxicos. Com a tubulação verde, os canos que conduzem água são produzidos com plástico verde, extraído do etanol da cana-de-açúcar. Essa tecnologia foi desenvolvida pela Braskem, uma empresa brasileira.

Casinha

Há também os Módulos Solar Fotovoltaicos, que podem ser instalados em telhados. O objetivo deles é converter a luz do sol em energia elétrica que não causa impactos negativos no meio ambiente. Com os módulos, ainda é possível armazenar a energia captada e usá-la por até quatro dias em uma casa, por meio de baterias.

Outra alternativa para os telhados é a plantação de folhagens e pequenas árvores nessa região da casa. Para regiões mais chuvosas, devem ser escolhidas as plantas que precisam de água. É uma forma de conter a umidade da construção e, ao mesmo tempo, ganhar um telhado verde. No caso de regiões menos chuvosas, as plantas podem ajudar a limpar o ar, tornando-o mais úmido.

No caso de construções grandiosas, como hotéis e empresas, a tecnologia permitiu que fossem usados materiais já fabricados e que antes não tinham todo o potencial aproveitado. Os containers são utilizados pelo mercado náutico por somente oito anos, sendo que duram 100 anos. Reduzindo os custos com materiais de construção, projetos arquitetônicos ecológicos contam com o uso desses contêineres para providenciar a estrutura dos edifícios. Assim, os 92 anos ociosos desse material podem ser melhor aproveitados, além de contarem com revestimento à prova d’água.

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Outro exemplo de reciclagem de materiais é o tijolo produzido a partir de plástico que seria descartado. A tecnologia é italiana, da empresa Presanella Building System, mas já está presente no Brasil, em Alagoas e em Maceió. A novidade de baixo custo ainda permite que a fundação das casas seja feita com cimento, isopor e água, ampliando o isolamento térmico da residência.

O que seria um obstáculo para a implementação da arquitetura verde no início dos anos 2000 atualmente é um problema superado. Os materiais ecológicos são 5% mais caros que os convencionais e a instalação de painéis solares, por exemplo, pode ser um grande investimento. No entanto já é sabido que esse sutil aumento no custo da construção é compensado pela economia de cerca de 30% ocasionada pela sustentabilidade.

A aplicação da arquitetura verde já é uma tendência mundial, e é possível identificar construções desse tipo em todo o globo. No Rio de Janeiro, a casa folha é como uma casa indígena modernizada. A água da chuva é armazenada no telhado, coberto por materiais leves, e a ventilação e a iluminação são ampliadas pelo ambiente arejado e pela presença de vidro na estrutura.

Casa

Em Curitiba, a casa sem tijolos foi construída com madeira de reflorestamento, de maior durabilidade que os tijolos. A obra leva somente um quarto de tempo de uma construção convencional e gera uma economia de 80% em relação aos recursos a serem utilizados. Além de ser ecológica, a casa também é mais barata do que as tradicionais, podendo custar 360 mil. Por causa disso, o projeto está sendo utilizado pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Em Brasília, a casa sustentável foi concebida para armazenar água da chuva e gerar um ambiente com circulação de ar. O sistema implantado é capaz de armazenar 35 mil litros de água a partir do telhado. Também é possível tratar todo o esgoto da casa, gerando mil litros de água diariamente, para outras demandas da residência.

Em Singapura, o Hotel Royal Park destaca-se por ter sido construído em metal e em vidro. Entre um andar e outro, árvores e arbustos fazem parecer que todo o edifício é como uma floresta vertical. Esse projeto foi premiado como o “Projeto de Menor Impacto Ambiental”, pela BCA Green Mark, que certifica construções desse tipo.

Em Nova Iorque, o Hearst Tower é um edifício reciclado e renovado. Usando a estrutura de um prédio antigo e reciclando o que foi demolido dela, os engenheiros e arquitetos criaram uma atmosfera iluminada utilizando painéis de vidro. O projeto foi reconhecido e se tornou o primeiro de Manhattan a ter a certificação do Leadership in Energy and Environmental Design.

Outro projeto certificado por esse programa foi o da Rochaverá Corporate Towers, em São Paulo. O edifício espelhado parece invisível por refletir o céu ao seu redor. Os profissionais que o construíram tinham como objetivo reduzir o uso de água e de energia, mas também criaram uma obra de arte arquitetônica.

Escrito por: Julia Gravalos Benini da equipe EuSemFronteiras

 

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