Autoconhecimento

Artes marciais e o autoconhecimento

Mulher kimono praticando lkarate
123RF
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

As artes marciais consistem em disciplinas ou lutas mentais e físicas agrupadas em diversos graus, com o objetivo de promover o autodesenvolvimento dos praticantes para que eles saibam se defender ou se posicionar diante dos seus adversários a partir de determinadas técnicas. Muitas pessoas pensam que as artes marciais são apenas mais um tipo de luta, mas na verdade, em vez de promoverem brigas ou qualquer tipo de violência física com o intuito de uma vitória, essas artes possuem técnicas de combate com foco no desenvolvimento físico, espiritual e mental do próprio praticante.

Esse tipo de disciplina possui um grande efeito psicológico, e nós vamos te explicar um pouco mais neste artigo sobre as artes marciais em relação à espiritualidade e ao autoconhecimento. Atente-se e permita-se se deslumbrar com a filosofia que esse tipo de arte prega!

As artes marciais e sua filosofia

Como citado anteriormente, as artes marciais são disciplinas que têm como foco o autodesenvolvimento do praticante, não com o intuito de causar violência física mas sim de preparar a mente, o espírito e o corpo para enfrentar os seus adversários – em um primeiro momento, internamente. A partir disso, pode-se entender que a pessoa que pratica artes marciais aprende a se defender, ou seja, essa autodefesa é um resultado do autodesenvolvimento obtido, não o contrário, como a maioria das lutas prega.

Dois homens praticando artes marciais em um gramado
Soon Santos/Unsplash

A filosofia das artes marciais prega que para que um indivíduo consiga aproveitar e passar pelo processo de autodesenvolvimento e autoconhecimento sobre o próprio ser é preciso ter um mestre – uma pessoa que já conheça profundamente a prática e possa transmitir os ensinamentos dessa arte. E nesse mundo o mestre ensina não somente a atacar e a se defender mas também conceitos profundos que promovem a evolução humana.

A transmissão de pensamentos filosóficos por meio das artes marciais

Nas artes marciais é possível aprender valores que servem para a vida inteira. Tais valores são transmitidos não somente com palavras mas também com gestos e práticas. Os seres humanos têm a ideia de que há uma separação entre o corpo e a mente em determinados momentos, mas a verdade é que todas as pessoas absorvem o conhecimento de maneira integral. Vamos dar um exemplo! Quando a criança aprende a se expressar, ela usa o corpo: se você perguntar a ela qual é a idade dela, ela usará as mãos com a quantidade de dedos que corresponde à idade. E assim também ocorre entre os adultos, todos se comunicam por meio do corpo, que é um grande instrumento de comunicação.

Ao iniciar os treinos de arte marcial, um indivíduo experimenta experiências que o instigam ao desenvolvimento de conceitos mais profundos. Nessa “luta”, quando você enfrenta um adversário mais fraco do que você fisicamente, precisa controlar as suas ações e a sua força para que ninguém saia ferido. Nesse caso, podemos perceber que o autocontrole foi aprendido ou treinado.

Mulher praticando artes marciais na praia
Jason Briscoe/Unsplash

Em outro caso, se o seu mestre pedir que você faça uma determinada quantidade de exercícios e você não conseguir realizá-los, será impulsionado a persistir até que consiga realizar o que lhe foi pedido – aqui você entenderá o que é a persistência. Você pode analisar, que ao mesmo tempo em que há um aprendizado corporal sobre força, resistência e sentido, também há um autoconhecimento sobre si mesmo, seus limites e sobre o mundo a seu redor – o corpo é a primeira ferramenta para o aprendizado das artes marciais.

Para que seja compreendida completamente toda a filosofia contida nos conceitos das artes marciais durante os treinamentos, é importante que o praticante aprenda a observar e refletir sobre o que aprendeu durante o treino. Essa reflexão não deve ser somente em cima de questões técnicas mas sim das lições que podem ser praticadas na vida rotineira.

Observação: a meditação é uma técnica muito utilizada entre os praticantes das artes marciais, pois ela promove o relaxamento e também um profundo autoconhecimento.

Ensinamentos para a vida

Aquele que pratica as artes marciais entende que a primeira etapa dessa arte é aprender a sentir e a controlar o corpo. A partir dessa percepção sobre o físico, é possível controlar

a mente diante da forma que o corpo reage. Esse autocontrole origina-se de um autoconhecimento, pois o praticante já entende o seu corpo, e já consegue controlar a sua mente. Quando o artista marcial é atingido fortemente por um golpe, ele conseguirá se controlar – esse controle significa não permitir que as ações de terceiros interfiram ou ocasionem as suas ações.

Homem agaixado fazendo uma posição de artes marciais
Thao Le Hoang/Unsplash

Todo esse apanhado de aprendizados pessoais reflete na vida rotineira do praticante, pois ele já consegue ter controle sobre si e não será influenciado por ações externas. A saúde e o equilíbrio da mente começam a estar presentes sempre, independentemente das adversidades, pois o controle mental faz com que uma pessoa enxergue as coisas de forma clara, sem problematizá-las – e assim é possível encontrar formas de resolução com mais facilidade, o que diminui a força dos problemas.

Enganam-se os que pensam que o artista marcial foge ou ignora os desconfortos para equilibrar a mente! É muito pelo contrário, ele encara frente a frente todas as turbulências da sua mente para que seja possível limpá-la e organizar todos os pensamentos.

Artes marciais x autoconhecimento e espiritualidade

Como você já pôde perceber, praticar artes marciais é fugir da superficialidade de determinadas disciplinas e treinar o corpo e a mente. Quanto mais um indivíduo pratica o autocontrole, mais ele conhece os seus limites e entra em contato com a sua verdadeira essência. Assim como o corpo é o primeiro instrumento dessa prática, a mente é o que promove o controle diante das situações – eis a diferença entre a carne e o espírito.

Homem no meio da rua fazendo posição de artes marciais
Thao Le Hoang/Unsplash

Muitas pessoas pensam que ser espiritual significa ter alguma religião ou seguir algum tipo de doutrina, mas a verdade é que nós alimentamos a nossa espiritualidade quando cuidamos do nosso próprio ser – e praticar algum tipo de arte marcial é um grande ato de autocuidado.

Um detalhe muito importante que com certeza você reparou, mas que é muito válido ressaltar, é que as artes marciais nos ensinam a não agir conforme as ações de outras pessoas. Não é porque alguém o agrediu, que você deve reagir de volta; não é porque alguém o magoou, que você deve magoá-lo também. Por mais que essa arte não pregue diretamente o autoconhecimento como um foco mas sim o autocontrole, ambos são duas vertentes que correm juntas, e o resultado dessa união de autocuidado é o aumento da espiritualidade.

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Podemos concluir que as artes marciais são muito mais do que disciplinas, elas são estilos de vida que tornam os seus praticantes pessoas melhores, tanto fisicamente quanto espiritualmente e mentalmente. E essa mudança benéfica de comportamento pode ser notada em todos os âmbitos da vida de um indivíduo, tanto nos treinos quanto no trabalho ou na vida pessoal.

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