Autoconhecimento Convivendo

Autoaceitação, escuta e desafio: elementos fundamentais à vida

Alex Gabriel
Escrito por Alex Gabriel
Ninguém nunca viveu a sua vida. Ninguém jamais deu os seus passos. Você não precisa, portanto, se deixar levar pela opinião de quem nunca experimentou a sua dor. Ao longo da minha jornada, por muitas vezes eu escutei que era fraco, não raro sendo comparado aos supostos modelos de conduta, sagacidade e inteligência. E, para a minha infelicidade, eu comprei esses discursos, permitindo que os mesmos me fossem enfiados goela abaixo, sem uma análise, sem uma reflexão sobre aquilo no que eu realmente acreditava.

O que eu não sabia na época é que força nada tem a ver com sair batendo porta, que astúcia nada tem a ver com responder à altura ou pagar na mesma moeda. Eu não havia entendido que sensibilidade, introspecção, pacificidade e algum romantismo não são sinônimos de fraqueza, e, justamente por não entender, dei-me por vencido, defini-me como fracassado, adjetivei-me como tolo, fraco, maricas e afins. O que acontecia ali era um constante confronto entre o que eu era e o que eu achava que devia ser para, então, estar adequado e vir a ser alguma coisa na vida. As consequências disso você já pode imaginar: desenvolvi uma dor e um vazio que se converteram em um poço escuro no qual caí.

Atualmente, se me coubesse dar algum conselho, eu lhe diria para, antes de mais nada, escutar a si próprio, sem medo de desbravar o vasto mundo que você é. É certo que você vai descobrir muita coisa feia, muitas arestas, muitas armadilhas criadas pela sua própria mente. Mas o que seria melhor? Atravessar um período de dor rumo ao reencontro com si próprio ou viver uma vida inteira de enganos, viver uma mentira que vai lhe matando um pouco diariamente?

Há gente realmente boa disposta a ajudar, é verdade, e vale a pena ouvir o que essas pessoas têm a nos dizer. Mas há também uma infinidade de pessoas que, no fundo, não estão de fato comprometidas com o seu desenvolvimento, vez e outra desferindo-lhe golpes travestidos de bons conselhos ou “críticas construtivas”. São pessoas profundamente insatisfeitas com as suas próprias vidas, de modo que, geralmente, tudo o que elas querem é que você viva de acordo com os critérios delas, que você aja com base em suas cartilhas. São pessoas que odeiam quando você não está de acordo, pois vivendo assim, a desafiar os seus padrões, você ameaça conquistar a alegria e a calma que elas não conquistaram para si próprias.

Mas essas pessoas, definitivamente, não são ruins… Elas apenas não estão presentes, havendo se perdido de si próprias. E, assim, valem-se das mesmas armadilhas das quais você e eu ainda nos utilizamos, muitas vezes sem nos darmos conta disso…

Tenho, sim, contado com o apoio de profissionais, familiares e amigos que testemunham a minha batalha contra os fantasmas da minha mente, cientes de que tenho percorrido o meu caminho com força e dignidade. Portanto, procure, sim, ajuda e aceite os direcionamentos, pois é bom e a gente precisa. Todavia, não se esqueça de escutar a sua renitente voz interior e responda a si mesmo: o que me faz vibrar? O que eu faria ou seria se pudesse viver desprendidamente, sem a tola necessidade de atender às expectativas alheias ou aos padrões sociais? Que rumo eu daria para a minha vida se vivesse livre da cega obediência a esse outro invisível que eu mesmo projetei? Iria para a faculdade? Tornar-me-ia filósofo, hippie, advogado, gari, andarilho ou transformista? Seria feliz ou triste? Poeta ou escritor? Ingressaria na política ou viveria um grande amor? Afinal, quem é que eu sou?

Existem dias que são difíceis, sim. Outros não… Às vezes a gente consegue desafiar as nossas misérias, o medo, a dor e a depressão. Às vezes não. Portanto, não é fraqueza não conseguir sair da cama. Não é irresponsabilidade desistir das coisas. Não é pieguice chorar, ter medo ou se apaixonar. Não é vergonha ser o que você é. Vergonha é não buscar se conhecer. Vergonha é não buscar reconhecer o que é realmente bom e ruim para você. Vergonha é se acomodar à posição de vítima e não se arriscar a desbravar-se, desvendando as próprias misérias. Vergonha é desperdiçar a vida, ficar na plateia e apenas vê-la passar.

Sobre o autor

Alex Gabriel

Alex Gabriel

Mineiro de Belo Horizonte, Alex Gabriel é graduado em Letras e especialista em Revisão de Textos pela PUC Minas. É poeta, pai adotivo das vira-latas Diva e Nathalie, tem sempre um bom livro a tiracolo, acredita na Educação e vive cheio de fé na humanidade.

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